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Rússia incentiva vizinhos a dedurar pacifistas contrários à guerra de Putin como traidores e inimigos do Estado

De acordo com ONG que monitora as violações de direitos humanos, cidadãos comuns atuam na repressão para denunciar ativistas que ostentam cartazes e símbolos favoráveis à Ucrânia. Sobrevivente do Cerco a Leningrado, Elena Osipova é presa em São Petesburgo, na Rússia
Russos contrários à guerra na Ucrânia – que sequer pode ser assim denominada – são considerados traidores, escória e inimigos do Estado, conforme ditou o presidente Vladimir Putin num de seus pronunciamentos à população. Ser pacifista virou sinônimo de antipatriota, e a caça aos opositores do regime já está em andamento, segundo a ONG independente OVD-Info, que monitora as violações aos direitos humanos na Rússia.
Após a invasão de tropas de Putin no território ucraniano, há um mês, foram criados sites que incentivam os russos a denunciar os chamados sabotadores. Um deles, patrocinado pelo Partido Rússia Justa, recolhe informações sobre quem está interessado em denunciar o próximo, suspeito de atividades contra o governo. Isso vale para os que ostentam símbolos antiguerra – cartazes ou bandeiras com as cores da Ucrânia na janela.
27 de fevereiro – Manifestantes protestam contra a invasão da Ucrânia, em Berlim, na Alemanha
Markus Schreiber/AP
O site da ONG está repleto de exemplos de russos denunciados por vizinhos que se passam por informantes, numa reedição dos tempos mais sombrios da era stanilista. No último dia 22, Nina Zolotukhina opinava contra a guerra numa conversa numa boate em Moscou. Alguém ouviu e a dedurou a agentes policiais. Ela ficou presa durante 48 horas, acusada de usar linguagem chula.
No mesmo dia, a polícia bateu à porta de um morador na capital russa, denunciado pelo vizinho de frente, porque havia pendurado luzes nas cores azul e amarela na janela de seu apartamento, conforme relatos obtidos pela OVD-Info. O nome de Elena Unuchakova, que chefiou a região de Turochakskii, no sul do país, foi levado à polícia por vizinhos porque ela pendurou no jardim fitas com as cores da bandeira ucraniana.
A assessora jurídica da ONG, Alexandra Baeva, diz, no site da ONG, que a palavra denúncia – para expressar a informação de um dedo-duro – tem sido pronunciada e debatida com mais frequência pelo cidadão comum, com o aval do governo. “As pessoas vão tomar esse discurso como um chamado à ação e participarão na repressão – algumas genuinamente, outras sob pressão”, explica.
É raro a denúncia resultar num processo judicial, mas a intimidação é o bastante para assombrar o denunciado, no caso, apenas um oponente da guerra de Putin.
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