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1958 x 2022: o que mudou nos tratores e como eles viraram vitrines da evolução tecnológica no agro

Se antes eles eram vistos como maquinários com baixa tecnologia, hoje em dia são aliados do produtor rural na otimização de recursos e tempo e na coleta importante de dados. Modelo da Massey Fergusson de 1958 em comparação a modelo da mesma marca exposto na Agrishow 2022 em Ribeirão Preto, SP
Arte/g1
Presentes em grande parte do processo de produção no campo, os tratores auxiliam os agricultores, por meio da tração, em tarefas que vão desde o plantio até a colheita. O maquinário, indispensável no meio agrícola, é uma das vitrines da evolução do agronegócio brasileiro.
Desempenhando funções cada vez mais precisas em velocidades muito maiores do que as alcançadas em décadas passadas, os últimos modelos de tratores lançados reúnem ferramentas tecnológicas em prol de mais eficiência no campo.
Expostos na Agrishow 2022, feira internacional de tecnologia voltada ao agronegócio em Ribeirão Preto (SP), tratores que já podem até desempenhar funções à distância são exemplos de como mudou a lida no campo.
“Quanto mais ferramentas, se elas forem utilizadas da forma correta, maior vai ser a lucratividade no final, porque dá para aproveitar melhor a janela de plantio, a quantidade de adubo que se coloca, a quantidade de semente, de defensivo. Essa tecnologia no maquinário agrícola está em aproveitar melhor e ser mais eficiente. A eficiência é a palavra-chave na agricultura de hoje”, explica o coordenador de marketing e produto da Massey Ferguson, Eder Pinheiro.
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Antes os tratores eram vistos como maquinários pesados, com pouca tecnologia e sem conforto, mas, hoje em dia, a coisa é bem diferente.
Diante da necessidade de tornar o trabalho no campo mais produtivo, lucrativo e com o menor número de erros possíveis, características como conforto, segurança e coleta de dados passaram a ser protagonistas no desenvolvimento dos tratores, aponta Maurício de Menezes, gerente de marketing para a América Latina da fabricante John Deere.
“Um operador precisa, antes de colocar uma semente no chão, tomar em torno de 140 decisões e 60% dessas decisões são tomadas dentro da cabine do trator. Então ele precisa ter conforto, segurança e, acima de tudo, precisa ter fontes de dados”, diz.
Trator modelo John Deere 730, de 1958, também está exposto no museu da Agrishow 2022 em Ribeirão Preto, SP
Érico Andrade/g1
1958
Vindos em sua maioria de países como Inglaterra e EUA, os primeiros tratores a chegar ao Brasil tinham uma estrutura simplificada com o número de funções reduzidas e praticamente nenhum investimento em ergonomia.
“A função dele principal era tracionar alguns implementos para auxiliar principalmente no preparo de solo, então era virar a terra para depois fazer a semeadura e também puxar os reboques para transportar o material de um lugar para o outro”, explica Eder Pinheiro.
Nesses primeiros maquinários, como o modelo Massey Ferguson 35x, de 1958, o operador desempenhava a maior parte das funções, o que reduzia a velocidade da produção e diminuía a lucratividade.
“O trator de hoje faz exatamente o que o trator do passado fazia, o que mudou de lá para cá foi a facilidade que se tem em fazer isso e a velocidade. Então nós começamos com tratores com 25, 30 cavalos de potência. Hoje temos tratores de 250, 300, 370 cavalos”, diz.
Com a chegada de novas tecnologias, atualmente é possível controlar a emissão de poluentes, sincronizar atividades no campo, reduzir a taxa de erros nas operações, além de proporcionar maior conforto, otimização e, principalmente, produtividade.
“O agricultor, aquele que tinha um tratorzinho para sua subsistência, hoje, com as novas máquinas, ele já está vendendo parte da sua produção. Então a gente deixou de produzir para si e para a família e passamos a produzir para a cidade, para o estado e para país”, diz.
Trator modelo Massey Ferguson 35x, de 1958, é peça de museu na Agrishow 2022 em Ribeirão Preto, SP
Érico Andrade/g1
Exposto também na feira, o modelo John Deere 730, de 1958, carrega em si a herança de um tempo em que representou a tecnologia no campo. Movido a diesel, o trator desempenhava funções simples, mas que impactaram a produção.
“Naquela época a população mundial aumentou muito e começou a se urbanizar. Nesse contexto, só a tração animal não dava conta de produzir o que precisava ser produzido, então começaram a surgir os tratores, os primeiros maquinários que conseguiam produzir muito mais do que com a tração animal”, explica Maurício de Menezes.
Apesar da importância que a máquina representa na história da própria fabricante, a falta de otimização que ela tinha serviu de incentivo para que os próximos maquinários pudessem ser desenvolvidos com ainda mais benefícios ao operador.
“O operador dos tratores mais antigos, o principal papel dele era dirigir e ao dirigir, ele gastava ali 80% da atenção dele para manter o trator na rota e sobrava 20% da atenção para fazer o serviço que estava fazendo, ou seja, plantar, pulverizar, preparar o solo. Hoje o operador passa de fato a ser um operador relacionado à operação que está fazendo, não precisa gastar mais 80% da sua atenção dirigindo”, afirma.
Máquina usada há quase 70 anos nas lavouras oposta a uma das novidades em tratores na Agrishow 2022
Arte/g1
2022
Ar-condicionado, esquema elétrico, tela de controle touchscreen, cabine panorâmica, controle de níveis de ruído, calor e vibrações, direção automática, wi-fi e transmissão inteligente. Essas são algumas das características dos últimos maquinários da duas marcas.
De acordo com Menezes, a inovação nas máquinas está nos dados. Ele aponta que a tecnologia representa, para o campo, a possibilidade de impulsionar a produção pensando a longo prazo, no aumento populacional e no consequente aumento de demanda alimentar.
Nesse contexto, o investimento em inovação, tecnologia de ponta e mecanismos que, aliados ao cuidado, segurança e bem-estar do operador, possam tornar a produção mais precisa são o caminho para o sucesso agrícola.
“A ideia é que a máquina não seja só uma ferramenta de executar algo, mais uma ferramenta de coleta de dados. O dado é o novo petróleo, ele é valiosíssimo para se tomar decisão, porque a gente aprendeu não só a plantar mais área, você tem que plantar melhor e para isso você tem que ter informação para a tomada de decisão. Os tratores são importantes nisso porque participam de quase todo o ciclo produtivo, então ele coleta muita informação. Fazendo um paralelo entre o trator mais antigo e o trator mais moderno é que ele nunca perdeu sua característica de tracionar, mas evoluiu ao ponto de produzir muito mais e agora a última página da evolução é a coleta e o uso de dados”.
Trator John Deere modelo 9R
Divulgação/John Deere
Assim como Menezes, Pinheiro aponta que as inúmeras ferramentas incrementadas naqueles que um dia tiveram como única função o preparo do solo são maneiras de tornar a vida do trabalhador do campo mais confortável.
“Hoje a maioria dos nossos tratores é cabine, ar condicionado, são tratores com piloto automático, temos transmissões desde as mais simples as mais mecânicas, até transmissões cvt, com troca automática. Então vem tendo uma evolução muito grande em cima disso e sempre que essa evolução ocorre, ela ocorre para que o nosso agricultor tenha mais conforto que ele tenha mais rendimento no dia a dia”.
*Sob supervisão de Thaisa Figueiredo
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