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Após moção de censura contra premiê do Paquistão, país aprova novo líder, da Liga Muçulmana

Shehbaz Sharif, irmão de ex-premiê preso por corrupção, assumiu nesta segunda-feira (11) o governo do país. No fim de semana, Imran Khan deixou o poder após uma moção de censura fruto da tensão política no país. Novo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, discursa no Parlamento do país nesta segunda-feira (11)
via Reuters
Em uma votação na Assembleia Nacional nesta segunda-feira (11), Shehbaz Sharif foi eleito primeiro-ministro do Paquistão. Sharif tomou posse dois dias após a queda de seu antecessor, Imran Khan, alvo de uma moção de censura em meio a uma convulsão política no país.
Sharif obteve 174 votos dos 342 parlamentares, o suficiente para que fosse eleito, conforme anunciou o presidente interino da Câmara, Sardar Ayaz Sadiq.
Líder da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N), Sharif, de 70 anos, é irmão mais novo de Nawaz Sharif, que foi três vezes primeiro-ministro. Em 2017, o ex-premiê foi preso por corrupção, mas libertado dois anos depois por motivos médicos.
Shehbaz Sharif vai liderar a república islâmica de 220 milhões de habitantes e que possui armas nucleares. O novo premiê sucede Khan, de 69 anos, que foi derrubado no domingo (10) por uma moção de censura, a primeira na história do país.
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Imran Khan, que tinha prometido acabar com a corrupção e construir um “novo Paquistão” igualitário, perdeu a maioria no Parlamento. O político fez o possível para se agarrar ao poder e afirma ser vítima de uma “mudança de regime” orquestrada pelos Estados Unidos por causa de suas críticas à política de Washington no Iraque e no Afeganistão, com a cumplicidade da oposição.
Khan tentou dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, mas foi impedido pelo Supremo Tribunal, que considerou esta solução ilegal.
A sessão de escolha do novo primeiro-ministro foi boicotada pela maioria dos deputados do partido de Khan, o Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI, Movimento de Justiça do Paquistão), que também anunciou a sua retirada da Assembleia Nacional.
“Alá salvou o Paquistão hoje, graças às orações de milhões de paquistaneses”, declarou o novo chefe de governo. “É a vitória da justiça e o mal foi derrotado”, saudou Sharif, antes de anunciar várias medidas destinadas a agradar à população, como o aumento do salário mínimo para 25 mil rúpias (algo em torno de R$ 600) por mês, aumentos salariais para funcionários públicos e projetos de desenvolvimento em áreas rurais.
Filho de Benazir Bhutto apoiou novo premiê
Sharif recebeu o apoio da coalizão que votou a moção contra Khan, formada pelo Partido Popular Paquistanês (PPP), de Bilawal Bhutto Zardari, filho da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e do pequeno partido religioso conservador Jamiat Ulema-e-Islam (JUI-F), do deputado Maulana Fazlur Rehman.
O PML-N e o PPP, dois partidos baseados em dinastias familiares, dominaram a vida política nacional durante décadas, dividindo o poder em períodos em que o país, independente desde 1947, não estava sob regime militar.
Resta saber agora como essas duas formações rivais, que uniram forças com o único objetivo de derrubar Imran Khan, conseguirão governar juntas. “A história mostra que não há convergência ideológica entre eles”, alertou o ex-ministro das Relações Exteriores Shah Mehmood Qureshi, que foi candidato do PTI a primeiro-ministro, mas não obteve votos. Ele denunciou um “processo ilegítimo”, antes de sair da sala com seus companheiros de legenda, sem participar da votação.
A primeira missão do novo premiê será formar um governo a partir dessa aliança díspar, já que o PML-N e o PPP foram rivais durante grande parte de sua história.  
Desafio econômico  
Além de manter seus partidários unidos, Sharif terá de lidar com a difícil situação econômica do Paquistão. O país enfrenta inflação alta, a desvalorização da rúpia e dívidas crescentes.
A deterioração da segurança, com o crescente número de ataques extremistas do Tehreek-e-Taliban Paquistão (TTP), o Talibã paquistanês, será outra de suas principais preocupações.
O novo chefe de governo é conhecido por sua tenacidade, sua obsessão pelo trabalho e por citar poemas revolucionários em seus discursos. Ele também esteve envolvido em denúncias de suborno e corrupção, acusações que seus apoiadores dizem ser motivadas por vingança política da parte de Khan.
Em dezembro de 2019, a Autoridade Anticorrupção (NAB) apreendeu quase 20 propriedades pertencentes a ele e seu filho, Hamza, acusando-os de lavagem de dinheiro. Ele foi preso, em setembro de 2020, tendo sido libertado sob fiança quase seis meses depois, e aguarda um julgamento que ainda não ocorreu.
Ao contrário de seu irmão mais velho, que mantinha relações tensas com a oposição e os militares, Shehbaz Sharif é considerado um negociador mais flexível, capaz de estabelecer compromissos até mesmo com seus inimigos.g1 > MundoRead More

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