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Centro-Sul tem menor moagem de cana-de-açúcar na década; produção de etanol é a mais baixa em 4 anos

Relatório final da safra 2021/2022 aponta processamento de 523,1 milhões de toneladas de matéria-prima, de acordo com a Unica. Incêndios e geadas tiveram peso em quebra histórica, avalia entidade. Colheita da cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
As usinas da região Centro-Sul do país registraram a menor moagem de cana-de-açúcar em dez anos no encerramento da safra 2021/2022, além da mais baixa produção de etanol dos últimos quatro anos e impactos no processamento de açúcar, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
O relatório final divulgado esta semana contabiliza uma moagem acumulada em 523,1 milhões de toneladas entre o início de abril do ano passado e o final de março deste ano na região que responde por cerca de 90% da produção nacional da matéria-prima.
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Com isso, a quebra foi de 13,6% em relação ao ciclo 2020/2021, quando foram produzidos 605,4 milhões de toneladas. Na série histórica, o resultado é o pior desde 2012/2013.
A baixa, concentrada principalmente no estado de São Paulo, vai além da projetada por especialistas do setor em março de 2021, quando o recuo previsto era de 3,5%, e é consequência da grande quantidade de focos de incêndio, sobretudo em setembro do ano passado, de geadas, que afetaram 10% dos canaviais e de fatores climáticos como o veranico prolongado, que prejudicou a produtividade da lavoura, segundo análise da Unica.
Nesse cenário, 25 usinas chegaram ao final de março ainda em operação, 12 a menos do que na safra passada.
Etanol: pior resultado em 4 safras
Responsável por quase 55% do mix de produção das indústrias do setor, o volume de etanol gerado a partir da cana teve seu pior resultado em quatro anos, enquanto o produto gerado a partir do milho ganha importância.
No ciclo 2021/2022, a matéria-prima das usinas foi suficiente para produzir 27,55 bilhões de litros, 9,31% a menos do que na safra passada, o pior resultado desde o ciclo 2018/2019. Em comparação com a melhor safra do período – com recorde em 2019/2020, antes da pandemia -, o total representa 5,7 bilhões de litros a menos de etanol no mercado.
O número é influenciado principalmente pela redução de 19,5% no volume produzido de etanol hidratado – que concorre diretamente com a gasolina nos postos. Foram 16,64 bilhões de litros diante de 20,6 bilhões de litros no ciclo anterior. Em 2019/2020 essa produção chegou a 23,3 bilhões.
O desempenho ajuda a explicar a alta nos preços do combustível nos postos em regiões como a de Ribeirão Preto (SP), onde o litro ultrapassa a casa dos R$ 5. Segundo a Unica, houve redução de 18,6% na oferta de etanol hidratado destinado ao mercado interno no ciclo 2021/2022.
O resultado da produção somente não foi pior porque houve alta de 12,57% de etanol anidro, que compõe a mistura da gasolina e atingiu a marca de 10,91 bilhões de litros.
Em contraponto à queda da produção de etanol da cana, o combustível produzido a partir do milho – que não é contabilizado no resultado total – teve alta de 34,33% na safra, com 3,47 bilhões de litros.
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Reprodução/EPTV
Açúcar
Com pequena baixa no mix das usinas – de 46% para 45% -, o açúcar produzido teve queda de 16,64% em relação a 2020/2021, com 32,06 milhões de toneladas.
Apesar de inferior ao ciclo passado, quando foram levados ao mercado 38,4 milhões de toneladas, o resultado ainda é superior ao que foi alcançado entre 2018 e 2020, quando a produção bateu a casa dos 26 milhões de toneladas.
As vendas desse subproduto da cana acompanharam a tendência de baixa de produção e foram 15% inferiores em comparação com 2020/2021, sobretudo nas exportações, que foram 18,37% abaixo do obtido anteriormente.
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Adolfo Lima/ TV TEM
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