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Sanções ocidentais esvaziam shoppings centers e geram temor de desemprego em Moscou

As sanções impostas à Rússia pelas nações ocidentais, encabeçadas pelos EUA e pela União Europeia (UE), já têm um efeito visível na rotina dos russos. Shoppings centers vazios e lojas fechadas tornaram-se parte da paisagem de Moscou, que convive com a perspectiva de ver centenas de milhares de vagas de emprego fechadas em função da guerra na Ucrânia. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

No shopping center de alto padrão GUM, lojas de algumas das maiores grifes do mundo mantêm seus produtos expostos nas vitrines. Mas as portas estão fechadas porque as marcas suspenderam suas atividades em território russo em represália pela invasão do país vizinho. O cenário se repete em badaladas ruas de compras como a Stoleshnikov, com lojas fechadas e praticamente nenhum movimento de pessoas.

“Nos primeiros dias da guerra, fui bastante ao centro da cidade”, disse Alina, uma jovem moscovita que pediu para não ter o nome verdadeiro revelado. “Percebi que quase ninguém no metrô estava sorrindo. Havia uma atmosfera tensa e deprimente. Todo mundo estava em uma espécie de choque”.

Segundo Sergei Sobyanin, prefeito da capital russa, a perspectiva para a economia local é das piores. “De acordo com nossas estimativas, cerca de 200 mil pessoas correm o risco de perder seus empregos”, disse ele na segunda-feira (18).

Na tentativa de reduzir o impacto das sanções e do êxodo de empresas ocidentais do país, Sobyanin diz que foi aprovado um pacote de US$ 41 milhões em ajuda financeira do governo. “Em primeiro lugar, o programa é destinado a funcionários de empresas estrangeiras que suspenderam temporariamente suas operações ou decidiram deixar a Rússia”, disse o político.

A expectativa do programa é ajudar mais de 58 mil russos que perderam seus empregos, sendo que 12,5 mil devem receber treinamento para ocupar outras funções. Muitos serão empregados em parques, organizações municipais e outras áreas do setor público.

Shopping Center GUM, em Moscou, foto de maio de 2020 (Foto: pixabay.com)

Outro efeito já sentido pelo consumidor russo é o desaparecimento de muitos produtos das estantes dos supermercados. O açúcar, que nos primeiros dias de guerra tornou-se item raro, já ressurgiu, mas a preços bem maiores. Atualmente, a escassez atinge principalmente os produtos de higiene pessoal e beleza e os vegetais.

Lojas de eletrônicos também estão quase vazias. Com o veto à exportação de itens de alta tecnologia para o mercado russo, muitos cidadãos resolveram se prevenir e limparam os estoques de artigos como televisões, computadores e tablets. Um movimento semelhante ao que se viu no país em 2014, quando sanções ocidentais também atingiram a economia local após a anexação da Crimeia.

A versão do Kremlin

Segundo o presidente Vladimir Putin, porém, a realidade é bem diferente, e os russos não enfrentam maiores problemas devido às sanções. Em pronunciamento à nação, na segunda (18), ele afirmou que o Ocidente “esperava prejudicar rapidamente a situação econômico-financeira, provocar pânico nos mercados, o colapso do sistema bancário e a escassez nas lojas“. Mas, nas palavras dele, “a estratégia da blitz econômica falhou”.

No discurso, o presidente russo disse que, no final das contas, os maiores prejudicados pelas sanções foram os próprios sancionadores, EUA e UE, que sofrem com a “deterioração da economia no Ocidente”, o aumento da inflação e a queda no padrão de vida.

Entretanto, Putin reconheceu o aumento dos preços para o consumidor russo, na casa dos 17,5% em abril, orientando o governo a indexar salários para aliviar o impacto da inflação sobre a renda dos cidadãos. A inflação é a maior registrada no país desde 2002, empurrada para cima pelo aumento da demanda e a redução da oferta de bens.

Para os economistas, o pior impacto econômico das sanções ocidentais debilitantes impostas pelo Ocidente ainda não foram sentidas na Rússia, que deve mergulhar em uma profunda recessão. O Banco Mundial projeta que a guerra levará a um encolhimento de 11% na economia do país neste ano.

Por que isso importa?

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, mais de 600 empresas ocidentais deixaram de operar na Rússia, seja de maneira temporária ou definitiva, parcial ou integral. O levantamento foi feito pela Universidade de Yale, nos EUA.

A debandada custará caro ao consumidor russo, privado de produtos em setores diversos, como entretenimento, tecnologia, automobilístico, vestuário e geração de energia. Mas que também pode afetar o Ocidente, sobretudo nos casos do gás e do petróleo.

Pensando na Rússia, o maior impacto será causado pelo êxodo das empresas do setor de geração de energia, que já começaram a suspender sua atuação no país, cuja economia é fortemente dependente desse mercado. Destaque para a BP, empresa britânica de gás e petróleo que cancelou um investimento de US$ 14 bilhões na empresa estatal russa Rosneft, segundo a rede Voice of America (VOA).

Seguindo o mesmo caminho da tradicional rede de lanchonetes, a Coca-Cola também confirmou a saída da Rússia. “Nossos corações estão com as pessoas que estão resistindo a efeitos inconcebíveis desses trágicos eventos na Ucrânia”, disse a empresa em comunicado. A PepsiCo, por sua vez, deixa de vender bebidas na Rússia, mas mantém as linhas de produtos essenciais, como leite e comidas para bebês. O Starbucks fechou as lojas e interrompeu o fornecimento de produtos a parceiros.

Nessa área, as sanções já anunciadas por EUA e Reino Unido, que deixaram de comprar petróleo e gás da Rússia, tendem a causar problemas inclusive ao Ocidente, com a perspectiva de grande aumento global nos preços dos combustíveis. E pode piorar, vez que Moscou ameaça suspender o fornecimento de gás natural à Europa como represália e tem afirmado só aceitará vender esses produtos se o pagamento for feito em rublos russos, a fim de fortalecer sua moeda.

No setor de alimentação, alguns gigantes mundiais suspenderam suas operações na Rússia. Um deles é o McDonald’s, que fechou todos seus restaurantes. Ao final do ano passado, a rede tinha 847 lojas no país. Diferente do que ocorre no resto do mundo, onde habitualmente atua no sistema de franquias, 84% das lojas russas são operadas pela própria companhia. Somado ao faturamento na Ucrânia, a operação responde por 9% da receita global da empresa.

Loja do McDonald’s na Rússia (Foto: Wikimedia Commons)

A indústria automobilística também começou a deixar a Rússia, puxada pelas decisões das japonesas Toyota e Nissan de suspenderem a produção em suas fábricas em São Petesburgo. Ambas também anunciaram que deixam de exportar veículos ao país, decisão que foi acompanhada por outras gigantes do setor como HondaJaguarFerrariGM e Volkswagen. Na área de aviação, a Boeing diz que não mais compraria titânio russo para usar na produção de aviões.

Outra decisão que tende a impactar na rotina dos russos é o fim dos serviços das companhias de cartões de crédito Mastercard e Visa. O maior banco estatal da Rússia, o Sberbank, disse que o impacto na rotina doméstica dos cidadãos seria pequeno. A instituição financeira assegurou que ainda é possível “sacar dinheiro, fazer transferências usando o número do cartão e pagar em lojas russas offline e online”, de acordo com a rede britânica BBC.

A tendência é a de que os consumidores russos possam usar os cartões normalmente até que percam a validade, e depois disso não recebam novos plásticos. Entretanto, os cartões emitidos na Rússia já deixaram de ser aceitos no exterior. Isso criou problemas, por exemplo, para turistas russos que ficaram impedidos de deixar a Tailândia, por problemas com voos cancelados e cartões bloqueados.

No setor de vestuário, quem anunciou estar deixando o mercado russo é a Levi’s, sob o argumento de que quaisquer considerações comerciais “são claramente secundárias em relação ao sofrimento humano experimentado por tantos”. Nike e Adidas também suspenderam todas as operações no mercado russo. A sueca Ikea, gigante do setor de móveis, é outra que decidiu deixar a Rússia em função da guerra.

Nas áreas de entretenimento e tecnologia, alguns gigantes também optaram por suspender as vendas de produtos e serviços no país de Vladimir Putin. A Netflix interrompeu seus serviços e cancelou todos os projetos e aquisições na Rússia, enquanto WarnerDisney e Sony adiaram os lançamentos de suas novas produções no país. Já a Apple excluiu os aplicativos das empresas estatais russas de mídia RT e Sputnik e disse que não mais venderá seus produtos, como iPhonesiPads e afins, em território russo. Panasonic, Microsoft, Nokia, Ericsson e Samsung são outras que optaram por encerrar as operações no país.

Duas importantes cervejarias da Europa, a holandesa Heineken e a dinamarquesa Carlsberg, também anunciaram que venderão seus negócios e deixarão de atuar na Rússia. Os planos da empresa da Holanda incluem manter o pagamento de seus funcionários até o final do ano, período no qual buscará um comprador, bem como vender o negócio sem margem de lucro. Já a companhia da Dinamarca diz que seguirá em funcionamento, mas com uma operação em pequena escala, até ser vendida.

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As sanções impostas à Rússia pelas nações ocidentais, encabeçadas pelos EUA e pela União Europeia (UE), já têm um efeito visível na rotina dos russos. Shoppings centers vazios e lojas fechadas tornaram-se parte da paisagem de Moscou, que convive com a perspectiva de ver centenas de milhares de vagas de emprego fechadas em função da guerra na Ucrânia. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

No shopping center de alto padrão GUM, lojas de algumas das maiores grifes do mundo mantêm seus produtos expostos nas vitrines. Mas as portas estão fechadas porque as marcas suspenderam suas atividades em território russo em represália pela invasão do país vizinho. O cenário se repete em badaladas ruas de compras como a Stoleshnikov, com lojas fechadas e praticamente nenhum movimento de pessoas.

“Nos primeiros dias da guerra, fui bastante ao centro da cidade”, disse Alina, uma jovem moscovita que pediu para não ter o nome verdadeiro revelado. “Percebi que quase ninguém no metrô estava sorrindo. Havia uma atmosfera tensa e deprimente. Todo mundo estava em uma espécie de choque”.

Segundo Sergei Sobyanin, prefeito da capital russa, a perspectiva para a economia local é das piores. “De acordo com nossas estimativas, cerca de 200 mil pessoas correm o risco de perder seus empregos”, disse ele na segunda-feira (18).

Na tentativa de reduzir o impacto das sanções e do êxodo de empresas ocidentais do país, Sobyanin diz que foi aprovado um pacote de US$ 41 milhões em ajuda financeira do governo. “Em primeiro lugar, o programa é destinado a funcionários de empresas estrangeiras que suspenderam temporariamente suas operações ou decidiram deixar a Rússia”, disse o político.

A expectativa do programa é ajudar mais de 58 mil russos que perderam seus empregos, sendo que 12,5 mil devem receber treinamento para ocupar outras funções. Muitos serão empregados em parques, organizações municipais e outras áreas do setor público.

Shopping Center GUM, em Moscou, foto de maio de 2020 (Foto: pixabay.com)

Outro efeito já sentido pelo consumidor russo é o desaparecimento de muitos produtos das estantes dos supermercados. O açúcar, que nos primeiros dias de guerra tornou-se item raro, já ressurgiu, mas a preços bem maiores. Atualmente, a escassez atinge principalmente os produtos de higiene pessoal e beleza e os vegetais.

Lojas de eletrônicos também estão quase vazias. Com o veto à exportação de itens de alta tecnologia para o mercado russo, muitos cidadãos resolveram se prevenir e limparam os estoques de artigos como televisões, computadores e tablets. Um movimento semelhante ao que se viu no país em 2014, quando sanções ocidentais também atingiram a economia local após a anexação da Crimeia.

A versão do Kremlin

Segundo o presidente Vladimir Putin, porém, a realidade é bem diferente, e os russos não enfrentam maiores problemas devido às sanções. Em pronunciamento à nação, na segunda (18), ele afirmou que o Ocidente “esperava prejudicar rapidamente a situação econômico-financeira, provocar pânico nos mercados, o colapso do sistema bancário e a escassez nas lojas“. Mas, nas palavras dele, “a estratégia da blitz econômica falhou”.

No discurso, o presidente russo disse que, no final das contas, os maiores prejudicados pelas sanções foram os próprios sancionadores, EUA e UE, que sofrem com a “deterioração da economia no Ocidente”, o aumento da inflação e a queda no padrão de vida.

Entretanto, Putin reconheceu o aumento dos preços para o consumidor russo, na casa dos 17,5% em abril, orientando o governo a indexar salários para aliviar o impacto da inflação sobre a renda dos cidadãos. A inflação é a maior registrada no país desde 2002, empurrada para cima pelo aumento da demanda e a redução da oferta de bens.

Para os economistas, o pior impacto econômico das sanções ocidentais debilitantes impostas pelo Ocidente ainda não foram sentidas na Rússia, que deve mergulhar em uma profunda recessão. O Banco Mundial projeta que a guerra levará a um encolhimento de 11% na economia do país neste ano.

Por que isso importa?

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, mais de 600 empresas ocidentais deixaram de operar na Rússia, seja de maneira temporária ou definitiva, parcial ou integral. O levantamento foi feito pela Universidade de Yale, nos EUA.

A debandada custará caro ao consumidor russo, privado de produtos em setores diversos, como entretenimento, tecnologia, automobilístico, vestuário e geração de energia. Mas que também pode afetar o Ocidente, sobretudo nos casos do gás e do petróleo.

Pensando na Rússia, o maior impacto será causado pelo êxodo das empresas do setor de geração de energia, que já começaram a suspender sua atuação no país, cuja economia é fortemente dependente desse mercado. Destaque para a BP, empresa britânica de gás e petróleo que cancelou um investimento de US$ 14 bilhões na empresa estatal russa Rosneft, segundo a rede Voice of America (VOA).

Seguindo o mesmo caminho da tradicional rede de lanchonetes, a Coca-Cola também confirmou a saída da Rússia. “Nossos corações estão com as pessoas que estão resistindo a efeitos inconcebíveis desses trágicos eventos na Ucrânia”, disse a empresa em comunicado. A PepsiCo, por sua vez, deixa de vender bebidas na Rússia, mas mantém as linhas de produtos essenciais, como leite e comidas para bebês. O Starbucks fechou as lojas e interrompeu o fornecimento de produtos a parceiros.

Nessa área, as sanções já anunciadas por EUA e Reino Unido, que deixaram de comprar petróleo e gás da Rússia, tendem a causar problemas inclusive ao Ocidente, com a perspectiva de grande aumento global nos preços dos combustíveis. E pode piorar, vez que Moscou ameaça suspender o fornecimento de gás natural à Europa como represália e tem afirmado só aceitará vender esses produtos se o pagamento for feito em rublos russos, a fim de fortalecer sua moeda.

No setor de alimentação, alguns gigantes mundiais suspenderam suas operações na Rússia. Um deles é o McDonald’s, que fechou todos seus restaurantes. Ao final do ano passado, a rede tinha 847 lojas no país. Diferente do que ocorre no resto do mundo, onde habitualmente atua no sistema de franquias, 84% das lojas russas são operadas pela própria companhia. Somado ao faturamento na Ucrânia, a operação responde por 9% da receita global da empresa.

Loja do McDonald’s na Rússia (Foto: Wikimedia Commons)

A indústria automobilística também começou a deixar a Rússia, puxada pelas decisões das japonesas Toyota e Nissan de suspenderem a produção em suas fábricas em São Petesburgo. Ambas também anunciaram que deixam de exportar veículos ao país, decisão que foi acompanhada por outras gigantes do setor como HondaJaguarFerrariGM e Volkswagen. Na área de aviação, a Boeing diz que não mais compraria titânio russo para usar na produção de aviões.

Outra decisão que tende a impactar na rotina dos russos é o fim dos serviços das companhias de cartões de crédito Mastercard e Visa. O maior banco estatal da Rússia, o Sberbank, disse que o impacto na rotina doméstica dos cidadãos seria pequeno. A instituição financeira assegurou que ainda é possível “sacar dinheiro, fazer transferências usando o número do cartão e pagar em lojas russas offline e online”, de acordo com a rede britânica BBC.

A tendência é a de que os consumidores russos possam usar os cartões normalmente até que percam a validade, e depois disso não recebam novos plásticos. Entretanto, os cartões emitidos na Rússia já deixaram de ser aceitos no exterior. Isso criou problemas, por exemplo, para turistas russos que ficaram impedidos de deixar a Tailândia, por problemas com voos cancelados e cartões bloqueados.

No setor de vestuário, quem anunciou estar deixando o mercado russo é a Levi’s, sob o argumento de que quaisquer considerações comerciais “são claramente secundárias em relação ao sofrimento humano experimentado por tantos”. Nike e Adidas também suspenderam todas as operações no mercado russo. A sueca Ikea, gigante do setor de móveis, é outra que decidiu deixar a Rússia em função da guerra.

Nas áreas de entretenimento e tecnologia, alguns gigantes também optaram por suspender as vendas de produtos e serviços no país de Vladimir Putin. A Netflix interrompeu seus serviços e cancelou todos os projetos e aquisições na Rússia, enquanto WarnerDisney e Sony adiaram os lançamentos de suas novas produções no país. Já a Apple excluiu os aplicativos das empresas estatais russas de mídia RT e Sputnik e disse que não mais venderá seus produtos, como iPhonesiPads e afins, em território russo. Panasonic, Microsoft, Nokia, Ericsson e Samsung são outras que optaram por encerrar as operações no país.

Duas importantes cervejarias da Europa, a holandesa Heineken e a dinamarquesa Carlsberg, também anunciaram que venderão seus negócios e deixarão de atuar na Rússia. Os planos da empresa da Holanda incluem manter o pagamento de seus funcionários até o final do ano, período no qual buscará um comprador, bem como vender o negócio sem margem de lucro. Já a companhia da Dinamarca diz que seguirá em funcionamento, mas com uma operação em pequena escala, até ser vendida.

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