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Reino Unido anuncia conjunto de princípios para desenvolvimento de tecnologia OpenRAN

Durante o evento Open RAN World, realizado em Berlim na quinta-feira (28), a ministra de Infraestrutura Digital do Reino Unido, Julia Lopez, anunciou um conjunto de princípios a serem implantados no desenvolvimento e implantação de equipamentos de rede aberta, movimento que busca democratizar o acesso à internet na telefonia móvel. As informações são do governo britânico.

De acordo com o Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte, os princípios ajudarão a garantir que qualquer investimento futuro em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de OpenRAN seja devidamente direcionado para oferecer ao contribuinte o melhor custo-benefício. “O documento servirá como um guia para a indústria para garantir que a tecnologia que está sendo desenvolvida e implantada no Reino Unido funcione no interesse do cidadão e dos negócios britânicos”, informou o governo no site oficial.

O comunicado acrescentou que os princípios vêm da necessidade de clareza sobre as características de projeto do OpenRAN, como a adoção de padrões e demonstração de interoperabilidade entre componentes. Tal concepção servirá para garantir o cumprimento da promessa de redes resilientes e seguras para 5G, bem como cadeias de suprimentos inovadoras e competitivas a longo prazo.

Expectativa é que novas tecnologias de RAN abertas tragam maior flexibilidade e eficiência de custos para infraestrutura de telecomunicações (Foto: Unsplash/Divulgação)

“Com tanto impulso por trás do OpenRAN, agora é o momento certo para definirmos esses princípios para que a indústria e os governos possam adotar uma abordagem comum para desenvolver e implantar essa tecnologia”, disse Julia, destacando o compromisso do governo em cumprir sua promessa de revolucionar o mercado e desencadear uma onda de inovação e concorrência nas telecomunicações.

Devido a políticas de fomento tecnológico no setor, o Reino Unido está se tornando um dos melhores lugares do mundo para investir em OpenRAN no momento. A Estratégia de Diversificação 5G, publicada em novembro de 2020 e orçada em 250 milhões de libras, estabelece que o governo removerá barreiras para novos fornecedores, investirá em tecnologias abertas e trabalhará com países parceiros para alcançar o objetivo compartilhado de cadeias de suprimentos de telecomunicações seguras e resilientes.

Em dezembro, o governo anunciou uma ambição conjunta feita com as operadoras de rede móvel britânicas para que 35% do tráfego de rede móvel passe pela RAN aberta até o final da década, além de uma série de investimentos no valor de mais de 50 milhões de libras para a realização de testes e instalações inovadoras no desenvolvimento de novas soluções.

Os princípios

Para garantir que o OpenRAN atinja esses objetivos, o governo do Reino Unido estabeleceu que a indústria e os órgãos públicos devem adotar os seguintes princípios:

1- Desagregação aberta, permitindo que elementos da RAN sejam obtidos de diferentes fornecedores e implementados de novas maneiras.

2- Conformidade baseada em padrões, permitindo que todos os fornecedores testem soluções em relação aos padrões em um ambiente aberto e neutro.

3- Interoperabilidade comprovada, garantindo que os elementos desagregados funcionem juntos como um sistema totalmente funcional — no mínimo, combinando o desempenho e a segurança das soluções atuais.

4- Neutralidade de implementação, permitindo que os fornecedores inovem e se diferenciem nas características e desempenho de seus produtos.

Por que isso importa?

Imagine uma internet que utilize tecnologias abertas capazes de se conectar e interagir entre si, independentemente do provedor de acesso. Esse é o princípio do OpenRAN, um movimento que busca democratizar o acesso ao mundo digital e representaria, por meio de um intercâmbio operacional de equipamentos – como torres e antenas de transmissão compartilhadas – uma libertação em relação aos gigantes estrangeiros do setor.

Uma das vantagens dos sistema aberto é financeira. À medida que o leque de alternativas cresce e a competição da corrida tecnológica fica mais acirrada, menos as empresas tendem a gastar com o serviço

Embora ainda engatinhe no Brasil, o OpenRAN é um mercado novo e em plena ascensão no mundo. “A arquitetura OpenRan ainda não está madura para utilização em larga escala”, diz a Anatel  (Agência Nacional de Telecomunicações). Os players estimam períodos diferentes para a maturação, em geral de dois a cinco anos”, acrescenta a agência.

A Anatel também prevê vantagens financeiras. Em relatório inicial sobre os estudos, a entidade projeta que as operadoras podem economizar até 30% em cinco anos, prazo máximo para que a tecnologia aberta esteja em pleno funcionamento, conforme previsão da agência.

Segundo Ericson M. Scorsim, advogado doutor em Direito pela USP (Universidade de São Paulo), consultor em Direito Regulatório das Comunicações e autor do livro ‘Jogo geopolítico das comunicações 5G: Estados Unidos e China: impacto no Brasil’, o movimento ajudaria a descentralizar a internet.

“O modelo depende da autorregulação do mercado, não propriamente da posição de uma única empresa”, explica. E acrescenta que intervenções normativas por parte de governos e agências regulatórias podem impulsionar o movimento, surgido em 2017 justamente para democratizar partes das redes de telecomunicações, de modo que elas não operem somente através de gigantes da indústria.

É nos Estados Unidos que o movimento mais cresce, com incentivos regulatórios para a adesão à arquitetura das redes de acesso via rádio. Esse tipo de fomento pode ser o caminho para o surgimento de novas concorrências e consequente redução da influência dos gigantes no setor.

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Reino Unido anuncia conjunto de princípios para desenvolvimento de tecnologia OpenRAN

Durante o evento Open RAN World, realizado em Berlim na quinta-feira (28), a ministra de Infraestrutura Digital do Reino Unido, Julia Lopez, anunciou um conjunto de princípios a serem implantados no desenvolvimento e implantação de equipamentos de rede aberta, movimento que busca democratizar o acesso à internet na telefonia móvel. As informações são do governo britânico.

De acordo com o Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte, os princípios ajudarão a garantir que qualquer investimento futuro em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de OpenRAN seja devidamente direcionado para oferecer ao contribuinte o melhor custo-benefício. “O documento servirá como um guia para a indústria para garantir que a tecnologia que está sendo desenvolvida e implantada no Reino Unido funcione no interesse do cidadão e dos negócios britânicos”, informou o governo no site oficial.

O comunicado acrescentou que os princípios vêm da necessidade de clareza sobre as características de projeto do OpenRAN, como a adoção de padrões e demonstração de interoperabilidade entre componentes. Tal concepção servirá para garantir o cumprimento da promessa de redes resilientes e seguras para 5G, bem como cadeias de suprimentos inovadoras e competitivas a longo prazo.

Expectativa é que novas tecnologias de RAN abertas tragam maior flexibilidade e eficiência de custos para infraestrutura de telecomunicações (Foto: Unsplash/Divulgação)

“Com tanto impulso por trás do OpenRAN, agora é o momento certo para definirmos esses princípios para que a indústria e os governos possam adotar uma abordagem comum para desenvolver e implantar essa tecnologia”, disse Julia, destacando o compromisso do governo em cumprir sua promessa de revolucionar o mercado e desencadear uma onda de inovação e concorrência nas telecomunicações.

Devido a políticas de fomento tecnológico no setor, o Reino Unido está se tornando um dos melhores lugares do mundo para investir em OpenRAN no momento. A Estratégia de Diversificação 5G, publicada em novembro de 2020 e orçada em 250 milhões de libras, estabelece que o governo removerá barreiras para novos fornecedores, investirá em tecnologias abertas e trabalhará com países parceiros para alcançar o objetivo compartilhado de cadeias de suprimentos de telecomunicações seguras e resilientes.

Em dezembro, o governo anunciou uma ambição conjunta feita com as operadoras de rede móvel britânicas para que 35% do tráfego de rede móvel passe pela RAN aberta até o final da década, além de uma série de investimentos no valor de mais de 50 milhões de libras para a realização de testes e instalações inovadoras no desenvolvimento de novas soluções.

Os princípios

Para garantir que o OpenRAN atinja esses objetivos, o governo do Reino Unido estabeleceu que a indústria e os órgãos públicos devem adotar os seguintes princípios:

1- Desagregação aberta, permitindo que elementos da RAN sejam obtidos de diferentes fornecedores e implementados de novas maneiras.

2- Conformidade baseada em padrões, permitindo que todos os fornecedores testem soluções em relação aos padrões em um ambiente aberto e neutro.

3- Interoperabilidade comprovada, garantindo que os elementos desagregados funcionem juntos como um sistema totalmente funcional — no mínimo, combinando o desempenho e a segurança das soluções atuais.

4- Neutralidade de implementação, permitindo que os fornecedores inovem e se diferenciem nas características e desempenho de seus produtos.

Por que isso importa?

Imagine uma internet que utilize tecnologias abertas capazes de se conectar e interagir entre si, independentemente do provedor de acesso. Esse é o princípio do OpenRAN, um movimento que busca democratizar o acesso ao mundo digital e representaria, por meio de um intercâmbio operacional de equipamentos – como torres e antenas de transmissão compartilhadas – uma libertação em relação aos gigantes estrangeiros do setor.

Uma das vantagens dos sistema aberto é financeira. À medida que o leque de alternativas cresce e a competição da corrida tecnológica fica mais acirrada, menos as empresas tendem a gastar com o serviço

Embora ainda engatinhe no Brasil, o OpenRAN é um mercado novo e em plena ascensão no mundo. “A arquitetura OpenRan ainda não está madura para utilização em larga escala”, diz a Anatel  (Agência Nacional de Telecomunicações). Os players estimam períodos diferentes para a maturação, em geral de dois a cinco anos”, acrescenta a agência.

A Anatel também prevê vantagens financeiras. Em relatório inicial sobre os estudos, a entidade projeta que as operadoras podem economizar até 30% em cinco anos, prazo máximo para que a tecnologia aberta esteja em pleno funcionamento, conforme previsão da agência.

Segundo Ericson M. Scorsim, advogado doutor em Direito pela USP (Universidade de São Paulo), consultor em Direito Regulatório das Comunicações e autor do livro ‘Jogo geopolítico das comunicações 5G: Estados Unidos e China: impacto no Brasil’, o movimento ajudaria a descentralizar a internet.

“O modelo depende da autorregulação do mercado, não propriamente da posição de uma única empresa”, explica. E acrescenta que intervenções normativas por parte de governos e agências regulatórias podem impulsionar o movimento, surgido em 2017 justamente para democratizar partes das redes de telecomunicações, de modo que elas não operem somente através de gigantes da indústria.

É nos Estados Unidos que o movimento mais cresce, com incentivos regulatórios para a adesão à arquitetura das redes de acesso via rádio. Esse tipo de fomento pode ser o caminho para o surgimento de novas concorrências e consequente redução da influência dos gigantes no setor.

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