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Ucrânia: A guerra ainda deve durar, ‘mas já é tempo de passar às negociações’, diz especialista

Apesar de não ter conseguido seu objetivo inicial, a Rússia pode chegar em posição de força nas negociações, diz especialista ouvido pela RFI. Guerra na Ucrânia – Homem anda em meio a prédios destruídos em Mariupol em 22 de abril de 2022
REUTERS/Alexander Ermochenko
A invasão da Rússia à Ucrânia entra nesta terça-feira (24) em seu quarto mês, com perdas humanas importantes para os dois lados e uma guerra que deve se prolongar. Em discurso por videoconferência, em Davos, na segunda-feira (23), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mencionou um possível encontro com Vladimir Putin, visando o fim do conflito.
A RFI entrevistou o general Olivier Kempf, pesquisador associado à Fundação francesa pela pesquisa estratégica (FRS), diretor do escritório estratégico La Vigie e autor do livro L’OTAN au 21ème siècle (A Otan no século 21; em tradução livre). O especialista em questões estratégicas e militares fez um balanço dos três meses da guerra e disse que é hora de “passar às negociações”. 
RFI – O Kremlim pensava que podia realizar uma guerra relâmpago e dominar Kiev rapidamente. Mas a Ucrânia resiste. A Rússia se encontra presa em um impasse?
Não obrigatoriamente. A Rússia tinha um plano inicial que fracassou no primeiro mês de guerra. Há dois meses, ela fez uma grande preparação da artilharia e agora, há alguns dias, ela está progredindo. Lentamente, mas no leste do Donbass, ela está progredindo. Sabendo que ela pode atingir seus objetivos ao sul e que ela domina atualmente um território equivalente à Áustria. Então, é pouco em relação às suas ambições iniciais, mas é uma posição finalmente bastante forte que vai permitir a Vladimir Putin dizer que ele conseguiu seus resultados. Bastante medíocre, mas ele poderá dizer isso. 
RFI – Com o apoio do Ocidente e dezenas de bilhões de dólares de ajuda militar, o que podemos ainda esperar ou temer?
Eu acho que temos mais a temer do que a esperar, infelizmente. Podemos esperar uma guerra bastante longa, que vai durar alguns meses ainda. Vocês falam do quarto mês, mas eu acho que vocês vão me ligar no fim de agosto para fazer um novo balanço. Eu acho que com relação aos objetivos do começo, os russos pensavam ter um país sob controle e agora eles entenderam que não era o caso. Então, agora eles estão quebrando a Ucrânia meticulosamente. Além dos deslocados, tem também os refugiados: 14 milhões de ucranianos que abandonaram suas casas, o que significa 40% da população. É impressionante! Uma economia em frangalhos, é necessário levar isso em consideração. Então, o destino da Ucrânia será livre, provavelmente, todo mundo concorda com isso, mas necessitará um esforço enorme de reconstrução. 
Imagem aérea feita pelo Ministério da Defesa da Ucrânia mostra bombardeios ao complexo metalúrgico de Mariupol
via Reuters
RFI – Mariupol é uma cidade em grande parte destruída, Severodonetsk está sob bombardeios. Qual é o interesse de controlar cidades totalmente dizimadas? 
É necessário desconfiar das imagens. As cidades estão realmente destruídas, mas ainda tem habitantes que ficaram, além de deslocados que vão voltar. Eu acho que Severodonetsk deve estar menos destruída que Mariupol porque aparentemente os ucranianos estão se retirando rapidamente. Vamos ver, mas para os russos, agora tudo é uma questão de prestígio: “eu obtive meus resultados e impus minha vontade” e, sobretudo, “eu chego em posição de força no período de negociação”, que esperamos que chegue o mais rápido possível. Porque é necessário saber terminar uma guerra e ninguém mais acha que seja possível voltar à situação territorial anterior. Então vamos ter que começar as negociações agora. 
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