Opinião: virtual rebaixado, São Bento sofre com gestão amadora e vira saco de pancadas da A2
São Bento sofre 10ª derrota em 11 jogos na Série A2
A não ser que um milagre aconteça, o São Bento vai jogar a Série A3 do Campeonato Paulista em 2027. O rebaixamento é mais do que merecido por tudo que a gestão vem fazendo (e também não fazendo) nos últimos anos. A diretoria, que tem Almir Laurindo na presidência há seis anos, vem cavando o fundo do poço há tempos.
O tradicional Bentão e sua torcida apaixonada se tornaram vítimas da inércia da gestão, que faz o clube de 112 anos de história cada vez mais fraco. O Azulão sorocabano está imerso em uma crise quase que sem precedentes. As estatísticas evidenciam o quanto o time virou um saco de pancadas.
Em 11 jogos em 2026, são 10 derrotas e um empate. Foram sete reveses seguidos, a segunda pior sequência do século. São seis meses sem uma vitória sequer: a última foi em agosto de 2025, contra o Guarani, na Copa Paulista. Desde então, são 14 partidas.
O último triunfo em casa foi há quase um ano, em março, na última rodada da A2 de 2025, contra o Rio Claro. São 11 jogos que o torcedor beneditino não vê uma vitória no CIC.
Jogador do São Bento lamenta derrota para o Votuporanguense
@raphamarquesfoto
Desde o ano passado, aliás, seis técnicos passaram pelo São Bento: Roberto Fonseca, Luiz Carlos Martins, Dyego Coelho, Fabiano Carneiro, Alan Dotti e Wilson Júnior. Tudo isso deixa claro que o problema não está na área técnica e que não existe qualquer planejamento.
Os treinadores são usados como escudos por uma diretoria que parece estar seduzida pelo poder. Almir Laurindo chegou até a anunciar que não concorreria à reeleição em 2023. Disse que abriria espaço para “novos grupos”. Poucos dias depois, ele desistiu de desistir e lançou uma chapa única, garantindo mais um mandato.
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Almir Laurindo é presidente do São Bento desde 2020
Fábio Modesto/TV TEM
O São Bento chegou a disputar a Série B do Brasileiro em 2018 e 2019. Desde então, são cinco rebaixamentos do Bentão: três no Paulistão (2019, 2021 e 2023), um na Série B (2019) e outro na Série C (2020). Em 2025, quase caiu na Série A2.
Os resultados no gramado são um reflexo claro da inexistência de investimentos em infra-estrutura. Não há um projeto de futebol e uma das provas disso é o sucateamento do CT Humberto Reale, que tem condições bem inferiores à maioria dos times da 2ª divisão do Paulista.
Outro departamento fracassado é a base. O Bentinho foi eliminado na primeira fase nas cinco últimas Copinhas. Maior faturamento de muitos clubes brasileiros, as categorias de base são terceirizadas pelo São Bento, em mais uma prova de incompetência.
É sabido que há pouco dinheiro em caixa e o Azulão acumula uma dívida de cerca de R$ 11 milhões, que vêm aumentando de gestão em gestão. Porém, os gestores que se dispõem a comandar um clube de futebol precisam ir em busca de soluções financeiras que destravem as dificuldades. Sorocaba é uma cidade rica de 700 mil habitantes, com muitas empresas e bastante dinheiro circulando.
Times com menos história, menos torcida e em cidades bem menos atrativas ao mercado conseguem resultados infinitamente superiores ao São Bento. Os gestores parecem acreditar que as trocas incessantes de técnico vão encontrar um salvador da pátria, cedo ou tarde.
O Bentão virou um clube abandonado implorando que algum investidor compre a SAF e resolva todos os problemas do universo. O clube ficou tão largado que até diminui o poder de negociação com futuras empresas. O Azulão praticamente não está mais em condição de recusar ofertas.
Elenco do São Bento em partida da Série A2
Rafael Claro/EC São Bento
O Conselho tem ficado até em posição difícil, após três desistências de empresas que queriam comprar a SAF do São Bento. Não haviam garantias financeiras de investimento e o órgão fez seu papel. Mas o fundo do poço está ficando tão mais profundo que vai ser difícil exigir algo dos próximos que desejarem comprar o clube.
Voltando ao futebol, o Azulão pode terminar com a pior campanha da história da Série A2. Os piores são Guaratinguetá (2015), Araçatuba (2002 e 2006) e Grêmio São-Carlense (2003), que fizeram três pontos.
Era visível que o elenco de 2026 foi pessimamente montado. A tragédia estava anunciada antes da A2 começar. O plantel tinha diversos jogadores de nível de Série A3 ou até A4. O trabalho do diretor Roni Zinkoski foi ruim, mesmo considerando que havia pouco dinheiro em caixa.
Enquanto todo esse caos, desportivo e institucional, acontece, o torcedor do São Bento só tem a oportunidade de assistir entrevistas de jogadores e de técnicos. O diretor de futebol falou apenas uma vez e justificou a campanha desastrosa pelas lesões. O presidente, Almir Laurindo, não participou de nenhuma coletiva em 2026.
O torcedor beneditino merece explicações e, principalmente, projeções sobre o futuro. O que vai ser do clube que já disputou Série A do Brasileiro, que revelou nomes como Marinho Peres e Luís Pereira? Estes feitos são memórias distantes de um São Bento que não existe mais e que se prepara para voltar à terceira divisão do Campeonato Paulista 13 anos depois.
Fábio Bahia, de 42 anos, é ídolo do São Bento e um dos nomes do elenco de 2026
@raphamarquesfoto
Números do São Bento na década
Total na década: 33 vitórias, 60 empates e 57 derrotas. 125 gols marcados e 161 sofridos.
2021: 5 vitórias, 13 empates e 14 derrotas
2022: 10 vitórias, 12 empates e 9 derrotas
2023: 2 vitórias, 10 empates e 10 derrotas
2024: 11 vitórias, 13 empates e 3 derrotas
2025: 5 vitórias, 11 empates e 11 derrotas
2026: nenhuma vitória, 1 empate e 10 derrotas geRead More


