Chris Hipkins substitui Jacinda Ardern e assume como primeiro-ministro da Nova Zelândia

Troca ocorreu menos de uma semana após ex-premiê anunciar que deixaria cargo. Hipkins fica no poder pelo menos até outubro, quando ocorrem próximas eleições. Chris Hipkins durante entrevista para canais de comunicação em 21 de janeiro de 2023
Lucy Craymer/REUTERS
Chris Hipkins assumiu o cargo de primeiro-ministro da Nova Zelândia na manhã desta quarta-feira (25), pelo horário local. O novo premiê substitui Jacinda Ardern na liderança do país e do Partido Trabalhista, que permanece no governo pelo menos até as próximas eleições, marcadas para outubro de 2023.
Na terça-feira (24), seu último dia como primeira-ministra, Ardern se despediu do cargo falando sobre da gentileza e empatia que os neozelandeses demonstraram por ela, mas disse que está pronta para ser irmã e mãe.
“Obrigada do fundo do meu coração pelo maior privilégio da minha vida”, disse Ardern em discurso.
A despedida ocorreu menos de uma semana após a ex-primeira-ministra surpreender o mundo na quinta-feira (19) anunciando que deixaria o cargo. Ardern, que tem 42 anos, afirmou já não ter mais combustível para seguir na carreira e disse que seus quase seis anos no poder foram desafiadores e cobraram um preço.
“Estou saindo, porque com um papel tão privilegiado vem a responsabilidade – a responsabilidade de saber quando você é a pessoa certa para liderar e também quando não é. Eu sei o que este trabalho exige. E sei que não tenho mais o suficiente no tanque para fazer justiça [a este cargo]. É simples assim”, afirmou ela.
Quem é Chris Hipkins
Após a renuncia de Ardern, Hipkins foi rapidamente escolhido pelo Partido Trabalhista para ocupar o cargo. O neozelandês foi o único indicado ao cargo e sua confirmação em uma reunião do partido realizada no domingo (22) foi em grande parte uma formalidade.
“Passamos por esse processo com união e continuaremos a fazer isso. Estou me sentindo muito feliz por trabalhar com um grupo tão incrível de pessoas que têm um compromisso real com o serviço ao povo da Nova Zelândia”, disse Hipkins em entrevista.
Saiba mais sobre Chris Hipkins:
Hoje com 44 anos, foi leito pela primeira vez para o parlamento da Nova Zelândia em 2008;
Em 2017, foi nomeado líder do parlamento, cargo que exerce até hoje;
Foi nomeado ministro da Saúde em julho de 2020. Pouco depois, em novembro do mesmo ano, se tornou ministro de resposta à pandemia de covid-19;
Ganhou mais visibilidade durante a pandemia pela forma como coordenou a resposta do país à covid-19, considerada uma das mais bem-sucedidas do mundo;
Em junho de 2022, assumiu como ministro da Polícia, Educação e Serviço Público. Permaneceu no cargo até janeiro de 2023, quando assumiu como primeiro-ministro do país.
Ex-premiê da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, durante discurso de despedida do cargo
REUTERS
O legado de Ardern
Em seus quase seis anos como premiê, Jacinda Ardern se tornou um ícone para a esquerda global e um símbolo feminista. Durante seu governo, pela primeira vez, mulheres se tornaram maioria no Parlamento da Nova Zelândia.
Em seu tempo como primeira-ministra, protagonizou momentos que causaram repercussão global.
Por exemplo:
Em 2018, Ardern chamou a atenção por levar seu bebê a uma reunião da ONU;
Em outra ocasião, usou um hijab após um massacre contra muçulmanos que ocorreu na Nova Zelândia;
Mais recentemente, em uma visita da primeira-ministra da Finlândia em novembro do ano passado, rebateu uma pergunta que considerou machista durante uma coletiva de imprensa conjunta em Auckland.
Isso a tornou alvo de alvo de ódio e abuso online de extremistas de direita nas redes sociais. Ainda assim, na terça-feira (24), ela disse que estava deixando o cargo com amor no coração.
“Quero que saibam que parto com mais amor e carinho pela Nova Zelândia e seu povo do que quando comecei”, disse Ardern.
Eleições em outubro
Hipkins permanecerá no poder até outubro, quando eleições gerais serão realizadas. Ao renunciar na semana passada, Ardern disse que ainda acredita que o Partido Trabalhista da Nova Zelândia vencerá as próximas eleições
“Embora eu não vá disputar a eleição, sei que as questões que mais afetam os neozelandeses continuarão sendo o foco do governo durante este ano e nas eleições”, afirmou Ardern.
Algumas pesquisas, entretanto, já mostram que os trabalhistas terão dificuldades para se manter no poder.
Uma levantamento do sindicato dos Contribuintes com base em dados anteriores ao anúncio da renúncia de Ardern mostrou que a popularidade do partido caiu para 31,7%, enquanto o Partido Nacional da Nova Zelândia, de oposição, foi apoiado por 37,2% dos entrevistados.g1 > MundoRead More

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