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Comida apimentada protege coração e cérebro, sugere estudo

Comida apimentada protege coração e cérebro, sugere estudo

Pimenta está em alta
Uma pesquisa realizada ao longo de 21 anos com mais de 50 mil moradores de Sichuan, na China, revelou que pessoas que consomem pimenta regularmente têm menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. O estudo, publicado no Chinese Journal of Epidemiology, mostrou que as pessoas que comem pimenta seis ou sete vezes por semana possuem até 15% menos chances de sofrer problemas como isquemia cardíaca e derrame isquêmico.
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Os efeitos protetores foram observados independentemente da forma de consumo — fresca, seca, em óleo ou em molho — e parecem ser maiores entre aqueles que preferem níveis moderados de picância. Segundo os pesquisadores, a capsaicina, substância responsável pelo ardor, pode ajudar a dilatar os vasos sanguíneos e reduzir a pressão arterial. Apesar dos resultados promissores, o estudo ressalta que ainda faltam dados sobre a quantidade ideal e a tolerância individual à pimenta.
Pimenta
iStock
A relação entre consumo de pimentas e longevidade tem despertado grande interesse científico nos últimos anos, e já há resultados consistentes que mostram benefícios expressivos à saúde. Segundo a médica nutróloga Aline Rodrigues Zanetta, membro do Comitê Científico da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), o hábito pode estar associado a uma vida mais longa e com menor risco de doenças graves.
– Hoje já temos evidências sólidas de que o consumo regular de pimentas está ligado a uma vida mais longa e saudável. Pesquisas mostram redução expressiva no risco de morte por doenças do coração, alguns tipos de câncer e até na mortalidade geral. Quem consome pimentas de forma frequente (quatro a sete vezes por semana) apresenta os maiores benefícios – explica.
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Esses efeitos positivos se devem principalmente a compostos bioativos presentes nas pimentas. No caso das variedades vermelhas, como dedo-de-moça, jalapeño e malagueta, o destaque é a capsaicina. Essa substância é a responsável pela sensação de ardência e está diretamente ligada a propriedades anti-inflamatórias e de proteção cardiovascular, que ajudam a reduzir a inflamação sistêmica e a melhorar o funcionamento do coração.
– Embora diferentes, ambas podem trazer benefícios interessantes. As pimentas vermelhas têm estudos muito robustos mostrando impacto direto em longevidade, metabolismo e saúde do coração. Já a pimenta-do-reino atua de forma complementar, potencializando a ação de outros compostos bioativos. É como se uma tivesse efeito direto, enquanto a outra ajudasse os nutrientes a trabalharem melhor – detalha Aline Zanetta.
Proteção para o cérebro
Outro ponto promissor está no papel das pimentas na saúde cerebral. Pesquisas em andamento sugerem que a capsaicina pode exercer ação neuroprotetora.
Mulher come pimenta
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– Os resultados preliminares são muito animadores. A capsaicina, presente nas pimentas vermelhas, tem mostrado efeito neuroprotetor em estudos experimentais: ajuda a reduzir inflamação no cérebro, protege neurônios e até melhora a memória em modelos animais. Ainda não é possível afirmar que previne doenças em humanos, mas os indícios são muito promissores – comenta a nutróloga.
Esse potencial tem chamado a atenção de cientistas que investigam formas de prevenir ou retardar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
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Bianca Vilela, mestre em Fisiologia do Exercício pela Unifesp, também enfatiza a importância do benefício atribuído à capsaicina ligado ao metabolismo.
– A capsaicina é um termogênico natural: ela eleva discretamente a temperatura corporal e, com isso, aumenta o gasto energético em repouso. Esse efeito, embora modesto, contribui para maior oxidação de gorduras e carboidratos após as refeições – comenta.
De acordo com a especialista, em pessoas fisicamente ativas, esse processo pode potencializar a eficiência metabólica, mas que não substitui uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos.
Pimenta
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No entanto, a forma como o organismo responde ao consumo pode variar de acordo com o hábito alimentar de cada pessoa.
– Indivíduos habituados apresentam menor resposta ao estímulo pungente e aos efeitos termogênicos, pois os receptores sensoriais se adaptam. Já para quem consome esporadicamente, a sensação de calor e o aumento transitório da frequência cardíaca são mais intensos – pontua Bianca Vilela.
De maneira geral, o uso diário, mesmo em pequenas quantidades, pode trazer vantagens cumulativas a longo prazo.
– A exposição regular a compostos bioativos da pimenta está associada à melhora da sensibilidade vascular, ao equilíbrio lipídico e a um perfil antioxidante mais robusto. Além disso, há indícios de que esse hábito contribua para a modulação da microbiota intestinal e para a redução do risco de doenças cardiovasculares e neurodegenerativas – afirma a fisiologista.
Consumo deve ser adaptado a cada pessoa sem exageros
Apesar das vantagens, o consumo de comidas apimentadas deve ser adaptado ao perfil e à tolerância de cada pessoa.
– Em geral, pequenas quantidades diárias já são benéficas: uma a duas colheres de chá de pimenta-do-reino ou algumas gramas de pimenta vermelha fresca. O excesso pode causar azia e desconforto. Quem tem gastrite, úlcera, hemorroidas ou refluxo deve consumir com cautela – alerta Aline Zanetta.
Como incluir a pimenta na alimentação do dia a dia
O uso regular de pimentas pode ser facilmente incorporado na alimentação diária e contribuir para a saúde e a longevidade. A pimenta-do-reino pode ser utilizada para finalizar pratos, temperar legumes, sopas, caldos, carnes ou associada à cúrcuma para potencializar os efeitos antioxidantes. Já as pimentas vermelhas, como a dedo-de-moça, podem ser adicionadas em molhos, conservas, refogados e marinadas. Também é possível incluir pequenas quantidades em sucos funcionais, shots matinais e até chás digestivos.
Pimenta como parte da refeição
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Entre as receitas práticas destacam-se: o shot matinal antioxidante (limão, cúrcuma, pimenta-do-reino e água), o frango grelhado com toque de pimenta, e o molho picante rápido feito com azeite, dedo-de-moça, alho e tomate. Outras opções incluem um molho antioxidante que combina pimenta, cúrcuma e limão; um chá termogênico com pimenta caiena, gengibre e limão; e um tempero cardiovascular completo à base de páprica, caiena, pimenta-do-reino e ervas, que pode substituir temperos industrializados e reduzir o consumo de sal.
Também podem ser preparados um smoothie neuroprotetor, que combina banana, frutas vermelhas, cacau, leite vegetal e pimentas, e uma conserva probiótica de pimentas variadas fermentadas, que contribui para a saúde intestinal e cardiovascular.
Com variedade de usos e preparações simples, as pimentas podem se tornar aliadas do sabor e da saúde, oferecendo benefícios antioxidantes, anti-inflamatórios, cardiovasculares, digestivos e até neuroprotetores.
Confira cinco receitas para incluir a pimenta na alimentação:
1. Shot Matinal Antioxidante
Ingredientes:
Suco de 1 limão;
1 colher (chá) de cúrcuma em pó;
1 pitada de pimenta-do-reino moída na hora;
100 ml de água.
Modo de preparo:
Esprema o limão em um copo;
Adicione a cúrcuma e a pimenta-do-reino;
Acrescente a água e mexa bem até dissolver todos os ingredientes;
Tome em jejum, de preferência pela manhã.
2. Frango Grelhado com Toque de Pimenta
Ingredientes:
Filés de frango;
Alho picado;
Suco de 1 limão;
Ervas frescas (como alecrim ou tomilho);
Pimenta-do-reino moída na hora;
Sal a gosto.
Modo de preparo:
Tempere os filés de frango com alho, limão, ervas, pimenta e sal;
Deixe marinar por pelo menos 20 minutos;
Aqueça uma grelha ou frigideira antiaderente;
Grelhe o frango até dourar por fora e cozinhar por dentro;
Sirva com salada ou legumes salteados.
Frango grelhado com pimenta
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3. Molho Picante Rápido
Ingredientes:
2 colheres (sopa) de azeite extra virgem;
1 pimenta dedo-de-moça picada;
1 dente de alho refogado;
2 tomates frescos picados.
Modo de preparo:
Aqueça o azeite em uma frigideira;
Refogue o alho até dourar levemente;
Acrescente a pimenta e os tomates;
Cozinhe em fogo médio por 5 a 7 minutos até formar um molho;
Sirva com massas integrais, legumes ou carnes.
4. Molho Antioxidante Diário
Ingredientes:
3 pimentas dedo-de-moça sem sementes (para versão mais suave);
2 dentes de alho;
1 colher (sopa) de azeite extravirgem;
1 colher (chá) de mel;
Suco de 1 limão;
1 colher (chá) de cúrcuma em pó;
1 pitada de pimenta-do-reino.
Modo de preparo:
Coloque todos os ingredientes no liquidificador;
Bata até obter um creme homogêneo;
Coe se desejar um molho mais liso;
Armazene em pote de vidro na geladeira por até 7 dias;
Use 1 colher de chá em saladas, carnes, legumes ou sanduíches.
5. Chá Termogênico Noturno
Ingredientes:
1 xícara de água quente;
1/4 colher (chá) de pimenta caiena;
1 colher (chá) de gengibre fresco ralado;
1 colher (sopa) de suco de limão;
1 colher (chá) de mel (opcional).
Modo de preparo:
Ferva a água e coloque em uma xícara;
Adicione a pimenta caiena, gengibre, suco de limão e mel;
Misture bem e deixe em infusão por 5 minutos;
Coe e beba morno, 30 minutos antes do jantar.
Fontes
Aline Rodrigues Zanetta é médica nutróloga e membro do Comitê Científico da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Amanda Guerra é nutricionista com especialização em Genômica Nutricional, Epigenética e Longevidade. Atua com nutrição funcional personalizada, integrando medicina do estilo de vida, testes genéticos e suplementação individualizada.
Bianca Vilela é mestre em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), palestrante, especialista em saúde corporativa e autora do livro “RESPIRE – Sua jornada diária para alcançar a máxima performance!”
Marília Gramiscelli é médica cirurgiã geral, pós-graduada em nutrologia e endocrinologia. Especialista em emagrecimento, reposição hormonal e envelhecimento saudável. geRead More