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Muito mais do que suor: especialistas alertam para riscos de infecções em academias

Muito mais do que suor: especialistas alertam para riscos de infecções em academias

Corridas em lugares inusitados
Ambientes fechados, movimentação intensa e o compartilhamento constante de equipamentos fazem das academias locais propícios à disseminação de microrganismos. Embora o exercício físico seja fundamental para a saúde, o contato direto com aparelhos, colchonetes e superfícies contaminadas pode representar um risco para a pele, os olhos e até o sistema respiratório, especialmente quando os cuidados de higiene não são seguidos corretamente.
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Academias podem ser propícias a infecções
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Diversos estudos chamam a atenção para os chamados “riscos invisíveis” das academias. Um levantamento americano analisou 27 equipamentos de grandes redes e encontrou mais bactérias em pesos de academia do que em uma tábua de privada. Os testes mostraram mais de um milhão de germes por polegada quadrada em cada equipamento, incluindo cocci gram-positivos, bacilos gram-negativos e bacillus, capazes de causar infecções de pele, respiratórias e outras.
As esteiras foram os equipamentos mais contaminados — com 74 vezes mais bactérias — e as bicicletas 39 vezes mais do que superfícies comuns; os pesos livres apresentaram 362 vezes mais germes que um assento de banheiro.
No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) confirmaram o mesmo cenário, apontando as barras de agachamento, os halteres de 8 kg, a máquina de hack squat e a de leg press como os equipamentos com maior presença de sujeira.
Mulher se esforça com exercício na academia
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Apesar de alarmante, a presença de microrganismos nestes ambientes não significa necessariamente perigo – mas exige atenção. Segundo a infectologista clínica Renata Zorzet Manganaro de Oliveira, o risco está principalmente nas falhas de limpeza e na exposição de pessoas com feridas ou imunidade baixa.
– A maioria das pessoas saudáveis possui uma boa barreira cutânea e não costuma adoecer. Porém, quem apresenta cortes, feridas ou imunidade reduzida pode desenvolver infecções em contato com esses equipamentos repletos de bactérias – alerta Renata.
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A especialista explica que medidas simples, como limpar os equipamentos com álcool 70%, usar toalha pessoal e lavar as mãos antes e depois do treino são as atitudes mais eficazes. O álcool elimina a maior parte das bactérias e vírus comuns, indica.
Ainda de acordo com a infectologista, o risco de contágio por bactérias resistentes, como o Staphylococcus aureus (MRSA), é baixo, mas existe.
– Esses microrganismos já foram identificados em academias no Brasil e nos Estados Unidos. O contágio ocorre por contato direto com a pele lesionada ou superfícies contaminadas -, complementa Renata Oliveira.
Usar toalhas individuais, roupas limpas e trocar a roupa suada imediatamente após o exercício são medidas simples que também previnem essas doenças. Se aparecerem manchas que coçam, bolinhas com pus ou feridas que não cicatrizam, é hora de procurar um dermatologista.
Homem suado na academia
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Já o oftalmologista Marcelo Taveira alerta para os riscos oculares, que muitas vezes são ignorados.
– O olho é uma das áreas mais sensíveis do corpo e qualquer contato com mãos contaminadas pode favorecer a transmissão de vírus e bactérias, o que pode aumentar o risco de conjuntivite, que causa coceira, vermelhidão e secreção – pontua.
O médico lembra que usuários de lentes de contato devem ter atenção redobrada, isso porque a lente cria uma barreira que pode reter microrganismos e facilitar infecções. Lavar bem as mãos, evitar coçar os olhos e usar toalhas limpas são cuidados simples que fazem toda a diferença.
Para os especialistas ouvidos pelo Eu Atleta, a boa notícia é que a prevenção é simples e eficaz. Limpar os equipamentos, não compartilhar objetos pessoais e manter uma rotina de higiene constante são hábitos que protegem o corpo e permitem que a academia continue sendo um espaço de cuidado e bem-estar, e não de possíveis riscos para a saúde.
Dicas para se proteger na academia:
Limpe os equipamentos antes de usá-los com álcool 70%.;
Leve sua própria toalha e garrafa de água;
Lave bem as mãos ao final do treino;
Evite tocar o rosto durante os exercícios;
Nunca ande descalço em vestiários ou áreas molhadas;
Prefira levar seu próprio colchonete ou tapete de treino;
Tome banho logo após o exercício ou/e use roupas limpas e troque imediatamente após o treino;
Caso perceba alguma coceira, irritação ou feridas na pele, procure um médico.
Fontes
Marcelo Taveira é médico oftalmologista, especialista em cirurgia refrativa, membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (ABCCR) e da International Society of Refractive Surgery.
Maria Clara Nobre é médica e cirurgiã dermatológica. Membro do corpo docente e coordenadora do ambulatório de tratamentos corporais Instituto Boggio, e do corpo clínico e coordenadora do centro de tecnologias Grupo Paula Barreto. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Renata Zorzet Manganaro de Oliveira é médica infectologista clínica, que atua no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto, em São Paulo. geRead More