Por que gel de carboidrato dá dor de barriga? Saiba como evitar
Gel de carboidrato: turbo ou pane?
Quem pratica corrida, ciclismo, triatlo ou qualquer esporte de longa duração provavelmente já ouviu falar (ou sentiu na pele) dos temidos desconfortos intestinais causados pelo gel de carboidrato. O suplemento é um dos principais aliados para manter a energia e retardar a fadiga em atividades intensas. Porém, quando utilizado da forma errada, pode provocar dor de barriga, cólicas, náuseas e até diarreia.
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A boa notícia é que esses efeitos indesejados podem ser evitados com ajustes simples na forma de uso, na quantidade e no momento da ingestão.
Gel de carboidrato
Reprodução
Por que o gel causa desconforto intestinal?
Durante exercícios intensos e prolongados, como uma corrida ou pedalada acima de 60 minutos, o corpo prioriza o envio de sangue para os músculos, reduzindo o fluxo sanguíneo no sistema digestivo. Isso deixa o estômago e o intestino mais sensíveis a alimentos e suplementos.
– Quando o atleta consome o gel em excesso, sem água ou sem estar adaptado ao produto, o estômago tem dificuldade em digerir aquela alta concentração de açúcar. O resultado pode ser dor de barriga, cólicas e diarreia — sintomas comuns em quem nunca testou o produto antes ou usou em quantidade maior do que deveria -, explica o professor de Educação Física Cleber da Silva Guilherme, mestre em Biodinâmica do Movimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP).
Além do fluxo sanguíneo reduzido, a composição do gel também pode ser um fator determinante. Muitos contêm frutose, maltodextrina ou outros carboidratos simples que, em grandes quantidades, aumentam a osmolaridade no intestino — atraindo água e provocando diarreia osmótica.
– O intestino tem um limite de absorção. Se ele for sobrecarregado, responde com sintomas desagradáveis. Também é importante lembrar que cada pessoa tem uma tolerância diferente a certos tipos de carboidrato. Por isso, testar diferentes marcas e combinações nos treinos é fundamental – alerta o médico do esporte Lindbergh Barbosa de Souza Mendes.
Riscos do uso inadequado
O uso incorreto do gel de carboidrato vai além dos desconfortos intestinais e pode afetar diretamente a performance. Segundo o nutricionista esportivo Felipe Fedrizzi Donatto, os principais riscos do consumo sem planejamento são:
Desconforto gastrointestinal, como náuseas, cólicas e diarreia;
Hiperglicemia transitória, seguida de queda rápida da glicemia, o que compromete o desempenho;
Sobrecarga digestiva, dificultando a absorção dos nutrientes e prejudicando a performance.
– Isso ocorre principalmente quando há consumo em excesso, ingestão sem água suficiente ou quando o atleta não está adaptado ao uso durante os treinos – diz Felipe Donatto.
Gel de carboidrato
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Principais causas da dor de barriga após o uso do gel de carboidrato
Segundo os especialistas, as causas mais comuns do desconforto incluem:
Alta osmolaridade do gel: atrai água para o intestino, podendo causar diarreia osmótica;
Ingestão sem água: dificulta o esvaziamento gástrico e torna a digestão mais lenta;
Excesso de frutose: esse tipo de açúcar tem absorção limitada no intestino delgado, o que pode causar gases e cólicas;
Falta de adaptação intestinal: usar o produto apenas em competições, sem testá-lo nos treinos, aumenta o risco de intolerância.
Para prevenir, o nutricionista recomenda algumas estratégias simples:
Sempre consumir o gel com água;
“Treinar” o intestino durante os treinos para melhorar a tolerância;
Respeitar a quantidade recomendada para o tempo e a intensidade da prova;
Testar diferentes marcas e tipos de carboidrato para encontrar a melhor opção.
– O gel precisa ser incorporado ao treino tanto quanto a corrida ou o pedal. O corpo precisa se adaptar à digestão durante o esforço físico, e isso só acontece com prática e planejamento – orienta Felipe Donatto
Como consumir o gel de carboidrato de forma segura
Para aproveitar os benefícios do gel de carboidrato sem sofrer com os efeitos colaterais, o nutricionista recomenda seguir algumas regras práticas:
Começar a testar o produto em treinos longos, nunca em competições pela primeira vez;
Respeitar a quantidade e o intervalo recomendados — geralmente um sachê entre 40 e 50 minutos após o início do exercício e depois a cada 30 a 45 minutos;
Sempre associar o seu consumo com água para facilitar a absorção e evitar desconfortos;
Preferir produtos com diferentes tipos de carboidrato (mistura de glicose e frutose) para otimizar a absorção;
Avaliar a sua tolerância individual e ajustar a estratégia conforme a resposta do seu corpo;
Sempre que possível, contar com o acompanhamento de um nutricionista esportivo ou médico do esporte para individualizar a estratégia.
– Quando bem utilizado, o gel é um grande aliado da performance. Ele fornece energia rápida em momentos críticos da prova e pode ser a diferença entre manter o ritmo até o final ou enfrentar uma queda brusca de rendimento. Mas tudo depende de estratégia, adaptação e orientação profissional -conclui Felipe Donatto.
Fontes
Cleber da Silva Guilherme é professor de Educação Física, mestre em Biodinâmica do Movimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e treinador de atletismo pela Federação Internacional de Atletismo. Especialista em corrida de rua, que realiza treinos individualizados de corrida no Parque Ibirapuera, em São Paulo; e fundador da Faculdade da Corrida.
Felipe Fedrizzi Donatto é nutricionista esportivo, especialista também em nutrição clínica, fisiologia do exercício e fitoterapia. Mestre em Educação Física e doutor em Ciências pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP).
Lindbergh Barbosa de Souza Mendes é médico ortopedista e traumatologista. Médico do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e Associação Médica Brasileira (AMB). Pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). CEO da SALP – Saúde de Alto Padrão, clínica especializada em Medicina Esportiva, Dor e Reabilitação, em Montes Claros, em Minas Gerais. geRead More


