Fenômeno Azul, Pedro Rocha, Rangel, Guto e estrangeiros; confira destaques do acesso do Remo
Remo de volta à Série A do Brasileiro
Foram 38 rodadas, 62 pontos, frutos de 16 vitórias, sendo que a mais lembrada, sem sombra de dúvidas, será a conquistada diante do Goiás, diante de 47.572 torcedores no Estádio Mangueirão, em Belém. Mas a campanha de acesso do Remo pode ser contada através de alguns destaques. O ge reuniu alguns dos principais personagens no retorno do Leão à Série A após 32 anos.
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Pedro Rocha jogador do Remo durante partida contra o Goiás no estádio Mangueirão pelo campeonato Brasileiro B 2025
Fernando Torres/AGIF
Fenômeno Azul
Nada mais justo começar pelo personagem presente em todas as temporadas, e que não deixou a desejar neste ano histórico para o clube. Carinhosamente chamado de Fenômeno Azul, o torcedor do Remo fez bonito nas arquibancadas durante a Série B do Brasileiro. Em termos de média, foi a terceira torcida que mais compareceu aos estádios, com 19.341 por jogo.
Porém, foi responsável pela maior arrecadação entre as 20 equipes que disputaram a edição de 2025, com um total na casa dos R$ 15 milhões (mais precisamente, R$ 15.794,757), uma média de R$ 831 mil por partida.
No jogo do acesso, o Fenômeno Azul protagonizou mais uma grande festa, com direito a mosaico duplo, bandeirão e recorde de público da Segundona, com 47.572 presentes. Nem o primeiro gol do Goiás silenciou a torcida, que seguiu incentivando e fez a festa nas arquibancadas e, literalmente, no gramado de jogo após a virada e o acesso remista.
Torcida do Remo diante do Goiás
Beatriz Reis/ge Pará
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Pedro Rocha
Anunciado na véspera do Natal de 2025, Pedro Rocha foi um grande presente de Ano Novo para o torcedor do Remo.O casamento do camisa 32 com o Leão foi muito bem, obrigado. Seja como ponta, ou ocupando a posição de centroavante, o jogador teve a temporada mais goleadora da carreira usando azul marinho.
Nenhum outro nome na Série B marcou tantos gols como o atacante remista: foram 15 no total, o grande artilheiro da competição, sendo o primeiro goleador do Remo em uma Série B desde os anos 80, quando Dadinho foi o atleta que mais marcou na edição de 1984.
Contra o Goiás, o time azulino perdia por 1 a 0 até os acréscimos do primeiro tempo, até que brilhou a estrela de Pedro Rocha, que marcou em um chute de fora da área, sem chances para Tadeu. No segundo tempo, ele deu a assistência para os dois gols da virada e que garantiram a vaga na Série A.
Pedro Rocha jogador do Remo durante partida contra o Goiás no estádio Mangueirão pelo campeonato Brasileiro B 2025
Fernando Torres/AGIF
Marcelo Rangel
Não há como falar da campanha de sucesso do Remo na Série B, sem citar Marcelo Rangel. Um dos cinco remanescentes que conquistaram o acesso da Série C para a B, e agora subiram mais uma divisão, o goleiro participou de 37 dos 38 jogos da equipe, e viveu uma das recuperações mais surpreendentes dos últimos tempos.
Na 33ª rodada, ele se chocou com Ronaldo Tavares, do Athletic, e deixou o jogo no segundo tempo. Após a partida, o departamento médico do clube diagnosticou uma lesão na alça de balde do menisco medial, que indicava o fim de temporada dele.
Porém, de forma inesperada, o goleiro se recuperou do procedimento cirúrgico em 12 dias, desfalcando a equipe apenas contra o Cuiabá, na 34ª rodada. Ele terminou a Segundona como titular absoluto na posição, e um dos destaques da equipe, com defesas importantes ao longo da disputa.
Marcelo Rangel invasão torcida Remo Goiás Mangueirão
Fernando Torres/AGIF
Guto Ferreira
O Remo começou a Série B sob comando de Daniel Paulista, que deixou a equipe após a 10ª rodada, quando aceitou uma proposta do Sport. Na sequência, António Oliveira assumiu o time, mas oscilou, sobretudo pela falta de resultados como mandante, e deixou o cargo na 27ª rodada.
Eis que surgiu o nome que fez a diferença no comando técnico remista: chamado de “Rei do Acesso”, Guto Ferreira precisava de uma reviravolta para fazer valer a alcunha, já que na partida de estreia, contra o CRB, o time azulino ocupava apenas a 12ª colocação, com 39 pontos, a sete do G-4, restando 10 rodadas.
Foi o início de uma arrancada, pois o Remo venceu o CRB, por 4 a 2, na primeira de uma série de vitórias seguidas. Depois de superar o time alagoano, o Leão Paraense também bateu Operário-PR, Athletico-PR, Paysandu, Athletic e Cuiabá, atingindo seis triunfos consecutivos.
Os três jogos seguintes, contudo, foram frustrantes, pois os empates nos confrontos diretos contra Chapecoense e Novorizontino, e a derrota para o Avaí que cumpria tabela, tiraram o Remo do grupo de acesso na penúltima rodada. Mas a consagração veio no jogo do acesso, com a vitória de 3 a 1, contra o Goiás.
Sob comando do técnico, foram 10 jogos, sete vitórias, dois empates e uma derrota, aproveitamento superior a 76%.
Guto Ferreira se emociona após acesso do Remo para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2026
Samara Miranda / Remo
Legião estrangeira
O Remo abriu mão de falar apenas português para conquistar o acesso. Com sete estrangeiros no elenco, a temporada de 2025 foi a que o clube mais contou com atletas de outras nações. No total, foram três uruguaios (Tassano, Diego Hernández e Nico Ferreira), um colombiano (Cantillo), um grego (Tachtsidis), um de dupla nacionalidade (João Pedro, nascido em Guiné-Bissau, naturalizado português) e um paraguaio (Alan Rodríguez).
Remo “gringo” na Série B
Mais da metade dos “gringos” do Leão, teve uma participação importante na campanha do acesso. Desfalques no jogo do acesso, os uruguaios Diego Hernández e Nico Ferreira foram titulares absolutos com o técnico Guto, e tiveram contribuições decisivas, a exemplo do clássico Re-Pa, válido pela 32ª rodada.
Saiu dos pés de Nicolás o passe para o primeiro gol do Remo no jogo. Enquanto que Hernández, responsável por vestir o icônico número 33, marcou de falta e garantiu a vitória contra o maior rival, por 3 a 2, exibindo a camisa para a torcida remista.
Diego Hernandez e Nico Ferreira se destacaram na última vitória do Remo na Série B, diante do CRB
Samara Miranda / Ascom Remo
O primeiro grego da história do Leão, também foi importante para escrever as páginas do acesso remista. Podemos chamar de Panagiotis Tachtsidis, somente pelo segundo nome, ou simplesmente Pana. Titular em oito jogos com Guto, o jogador natural de Nafplio, na Grécia, no alto dos seus 1,93, conseguiu usar da imposição física para ajudar a equipe em campo.
Pana Tachtsidis marcou o primeiro gol dele pelo Remo na vitória contra o Cuiabá, duelo da 34ª rodada da Série B
Raul Martins / Remo
Outro estrangeiro que será lembrado com carinho pelo torcedor azulino será João Pedro. Nascido em Portugal, mas com nacionalidade de Guiné-Bissau, o atacante foi um dos contratados na segunda janela de transferências da Série B, e alternou entre titularidade e reserva.
Porém, ele começou a contribuir com gols justamente na reta final. Nos últimos cinco jogos, ele marcou quatro vezes, sendo os mais decisivos no jogo do acesso, balançando as redes duas vezes, comandando a virada contra o Goiás.
João Pedro comemora gol marcado no jogo do acesso do Remo
Beatriz Reis / ge Pará
Outros personagens
Caio Vinicius
Um dos três jogadores que mais atuaram na Série B, terminando na condição de vice-artilheiro do time na competição. Os números demonstram a importância de Caio Vinícius para o Remo. Contratado na reta final do Campeonato Paraense, ele logo conquistou espaço no time titular, sendo até mesmo capitão em algumas oportunidades, inclusive no jogo do acesso.
O volante chegou a ser o principal goleador na “Era Guto”, e terminou a Segundona com cinco gols marcados. Titular em 27 jogos da campanha, o camisa 34 marcou seu nome na campanha do acesso.
Caio Vinícius invasão torcida Remo Goiás Mangueirão
Fernando Torres/AGIF
Marcos Braz
O Remo começou a temporada sob gestão do executivo de futebol Sérgio Papellin, que estava no clube desde o fim de 2023, e havia conquistado o acesso da Série C para a B deste ano, além do Parazão 2025. De forma inesperada, no fim de maio, o profissional aceitou uma proposta do Fortaleza e deixou o cargo.
Não menos surpreendente, o clube investiu na chegada de Marcos Braz, marcado por ter sido o vice-presidente de futebol do Flamengo em um dos períodos mais vitoriosos do Rubro Negro. Anunciado em 31 de maio, teve seu primeiro grande desafio logo depois: Daniel Paulista, técnico campeão estadual, pediu para sair ao aceitar uma proposta do Sport.
Marcos Braz, executivo de futebol do Remo
Samara Miranda / Ascom Remo
A primeira grande decisão do novo executivo do Leão Paraense foi acertar com o técnico português António Oliveira. Mas o treinador não conseguiu convencer o torcedor, principalmente pelo baixo aproveitamento jogando em Belém.
Apesar dos resultados abaixo das expectativas do Fenômeno Azul, ele seguia tendo um voto de confiança de Marcos Braz. A paciência “acabou” após a derrota por 1 a 0, para o Atlético-GO, em pleno Baenão. O técnico deixou a equipe após vencer quatro jogos, empatar sete e perder quatro, somando 15 pontos, com 40% de aproveitamento.
Para o lugar de António, a escolha de Braz e da diretoria foi Guto Ferreira, que levou o time rumo à Série A. Além das mudanças no comando técnico, o executivo promoveu profundas alterações no elenco, com 29 movimentações entre chegadas e saídas:
16 chegadas: Nathan Santos, Kayky, Kawan, Tassano, Jorge, Nathan Camargo, Cantillo, Freitas, Diego Hernández, Yago, Pana, Nathan Pescador, Marrony, Nico Ferreira, Eduardo Melo e João Pedro.
13 saídas: Kadu, Thalys, Alvariño, Camutanga, Rafael Castro, Daniel Cabral, Guty, Maxwell, Adailton, Felipe Vizeu, Gabryel Martins, Ytalo e Matheus Davó.
Defesa
Sétimo time menos vazado da Série B, com 39 gols sofridos, o Remo tem em Marcelo Rangel uma figura intocável no setor defensivo, tanto que os reservas Ygor Vinhas e Léo Lang atuaram apenas duas vezes cada. Mas esse foi um lugar do time que conviveu com mudanças na Série B.
Na zaga, Klaus e Reynaldo foram os que mais atuaram, com 27 e 25 jogos, respectivamente. Porém, Camutanga chegou a ser o titular absoluto da posição, e se destacou tanto que foi chamado de volta pelo Vitória, onde segue na disputa da Série A deste ano.
Klaus, Reynaldo; Remo
Fernando Torres
Por outro lado, o jovem Kayky Almeida, de 20 anos, ficou lembrado no início dele no clube por falhas contra Avaí e Ferroviária, quando chegou a ser vaiado pela torcida. Mas a volta por cima veio no comando de Guto Ferreira, tanto que ele foi titular no jogo do acesso, com uma atuação segura.
Kayky Almeida é apresentado como novo zagueiro do Remo
Samara Miranda / Ascom Remo
Nas laterais, Marcelinho e Sávio foram os que mais jogaram, sendo que cada um foi titular 22 vezes. Porém, outros nomes apareceram no setor. Na direita, Nathan Santos foi titular absoluto com António Oliveira, mas perdeu espaço com Guto e pediu para sair. Já Pedro Costa, considerado terceira opção, jogou a partida decisiva que garantiu o clube na elite.
Guto Ferreira e Marcelinho na partida entre Remo e Athletic pela 33ª rodada da Série B
Samara Miranda / Ascom Remo
Já na esquerda, Alan Rodríguez teve oportunidades no início, enquanto que Jorge atuou em nove dos 10 jogos de Guto Ferreira, sendo que o primeiro marcou o retorno dele aos gramados após um ano.
Jorge se emociona após estrear no Remo e atuar em um jogo oficial depois de um ano
Temporada 2026
Com o fim da Série B, o Remo busca acertar a renovação de algumas das peças chaves para o acesso, como Guto Ferreira, Pedro Rocha e Marcos Braz. Diferentemente de outros anos, o intervalo da Série B de um ano para o Brasileirão do ano seguinte, será menor. A Série A de 2026 está programada para começar no dia 28 de janeiro, cerca de dois meses antes do que foi neste ano. geRead More


