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Flores comestíveis? Entenda o que são as PANCs e para que servem

Flores comestíveis? Entenda o que são as PANCs e para que servem

Conheça a planta Panc: plantas alimentícias não convencionais
Nutritivas, coloridas e fonte de muitas perguntas, algumas flores vêm ganhando espaço nos pratos. O que antes parecia apenas um toque decorativo na alta gastronomia agora se tornou uma alternativa viável e nutritiva para quem busca diversidade na alimentação. Essas flores fazem parte do grupo das PANCs, Plantas Alimentícias Não Convencionais, e vêm despertando o interesse de nutricionistas, chefs e consumidores atentos a uma alimentação mais natural.
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As PANCs são espécies vegetais que crescem de forma espontânea, muitas vezes em quintais, jardins ou beiras de estrada, mas que não costumam ser comercializadas nos supermercados. São plantas que historicamente foram deixadas de lado, seja por falta de tradição culinária, seja pelo avanço da monocultura e da industrialização alimentar. O movimento recente de resgate dessas espécies representa, então, um esforço de reconexão com a biodiversidade e com saberes tradicionais.
PANCs são uma alternativa diferente para diversificar dietas naturais
UFMS
– A gente costuma chamar de PANC toda planta que pode ser consumida, mas não faz parte do cardápio convencional. Isso inclui folhas, flores, raízes e até frutos de espécies que o público nem imagina que são comestíveis. Muitas delas têm um valor nutricional riquíssimo – explica a nutricionista Ana Monteiro, especialista em alimentação natural.
Principais PANCs
Entre as flores mais conhecidas estão a capuchinha, de sabor levemente picante; o amor-perfeito, usado em saladas e sobremesas; a calêndula, com tons vibrantes e propriedades anti-inflamatórias; e o hibisco, famoso pelas infusões que ajudam na digestão. Mas há dezenas de outras espécies, menos populares, que também podem ser consumidas de forma segura.
O interesse crescente pelas flores comestíveis não se limita à aparência. Elas também são ricas em antioxidantes, vitaminas e minerais.
Capuchincha é a PANC mais conhecida
Reprodução / Freepik
– As pétalas de muitas flores possuem compostos fenólicos e flavonoides, substâncias que ajudam a combater o envelhecimento celular e fortalecem o sistema imunológico. Além disso, são leves e de baixo valor calórico, o que contribui para dietas equilibradas – diz Ana.
Apesar dos benefícios, o consumo exige cautela e informação. Nem toda flor bonita é segura. Há espécies tóxicas, como a trombeta, o lírio e a hortênsia, que não devem ser ingeridas sob nenhuma hipótese. Por isso, o primeiro passo é garantir uma identificação botânica correta.
– A identificação é fundamental. Existem plantas com aparência muito semelhante, mas que pertencem a famílias totalmente diferentes. Uma pequena confusão pode causar intoxicações graves. O ideal é procurar o nome científico e confirmar em fontes confiáveis antes de experimentar – diz Valdely Kinupp, biólogo especialista em PANCs.
Outro ponto importante é a origem das flores. Espécies colhidas em jardins públicos, margens de estrada ou terrenos urbanos podem estar contaminadas por poluição, metais pesados ou agrotóxicos. O ideal é adquirir de produtores certificados ou cultivar em casa, em vasos e hortas livres de defensivos químicos.
– Quem quer começar pode plantar capuchinha, calêndula ou amor-perfeito. São espécies de fácil cultivo, que se adaptam bem a vasos e florescem o ano todo. Basta garantir boa exposição solar e rega moderada. E claro, nunca usar pesticidas convencionais.
Culinária e preparo
Na culinária, as flores podem ser usadas de diversas formas: frescas em saladas, cristalizadas em doces, misturadas a queijos cremosos, incorporadas em massas ou até infusas em bebidas e chás. O nutricionista Juliano Sá explica que a aplicação vai muito além da estética.
– As flores trazem textura, aroma e sabor. Elas transformam o prato em uma experiência sensorial. Uma simples salada ganha vida quando recebe pétalas coloridas, e você sente que está comendo algo especial.
Salada de PANCs é um dos meios mais comuns de comer as flores
Reprodução / Getty Images
Além da questão estética, as flores têm um papel simbólico e cultural. Em várias regiões do Brasil, o uso de PANCs é uma herança de práticas tradicionais. Povos indígenas e comunidades rurais já utilizavam essas plantas há séculos, muitas vezes por instinto e observação. O que muda agora é o reconhecimento científico e gastronômico dessas espécies.
– O resgate das PANCs é também um resgate de identidade alimentar. Durante muito tempo, a indústria padronizou o que era comida. Hoje, redescobrir o que cresce no nosso entorno é um ato de autonomia e sustentabilidade – diz Valdely.
O preparo, no entanto, requer cuidado. A lavagem deve ser feita com água corrente e vinagre, para eliminar micro-organismos e possíveis resíduos. Algumas flores perdem cor e aroma quando expostas ao calor, por isso o ideal é adicioná-las ao final do preparo, como toque final. Outras, como o hibisco, liberam pigmentos e compostos aromáticos na água quente, sendo perfeitas para infusões.
Para quem deseja introduzir as flores na rotina alimentar, os especialistas recomendam começar com pequenas quantidades e observar possíveis reações alérgicas. Pessoas sensíveis ao pólen, por exemplo, devem redobrar a atenção.
– Flores comestíveis são seguras, mas não são isentas de risco. O consumo consciente é o que diferencia uma experiência saudável de uma situação perigosa. Saber a procedência e respeitar as quantidades é essencial -, finaliza Juliano.
Fontes
Ana Monteiro é nutricionista e especialista em alimentação natural.
Valdely Kinupp é biólogo e especialista em PANCs.
Juliano Sá é nutricionista e chef de cozinha. geRead More