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Dorival diz que tinha dívida com o Corinthians e cita saída da Seleção: “Poucos estenderam a mão”

Dorival diz que tinha dívida com o Corinthians e cita saída da Seleção: “Poucos estenderam a mão”

Dorival, sobre o trabalho no Corinthians: “Um dos mais difíceis que eu tive”⁣
O técnico Dorival Júnior celebrou e desabafou durante a entrevista concedida para comentar o título da Copa do Brasil, conquistado neste domingo com a vitória por 2 a 1 do Corinthians sobre o Vasco, em pleno Maracanã.
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Ainda magoado com o tratamento recebido durante os tempos em que comandou a seleção brasileira, o treinador manifestou o quanto a conquista deste fim de semana paga uma dívida com o torcedor corintiano.
Afinal, Dorival comandou o Flamengo que superou o Timão na final da Copa do Brasil de 2022 e o São Paulo, que tirou o alvinegro na semifinal da edição de 2023.
– Acho que eu tinha uma dívida com eles. Foram duas eliminatórias, e eu acredito que, como eu cruzava com todo torcedor do Corinthians nesse período, eles me cobravam essa situação. Hoje eu consegui retribuir por estar ao lado deles – comemorou.
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Dorival Júnior em entrevista coletiva após título do Corinthians na Copa do Brasil
Yago Rudá
– É impressionante o que essa torcida fez desde as últimas partidas que nós tivemos, o que aconteceu ontem na nossa saída no CT – valorizou o treinador.
A entrevista, contudo, não foi apenas um momento de celebração. Dorival Júnior aproveitou a consagração para desabafar, especialmente pelo tratamento recebido durante a trajetória na seleção brasileira.
Dorival Júnior em Vasco x Corinthians
Thiago Ribeiro/AGIF
– Primeiro contato que eu tive com o Fabinho, e contrariando inclusive a minha família, eu resolvi aceitar esse convite, porque eu achava que eu precisava dar uma resposta a mim mesmo, em razão de tudo que havia acontecido dentro da Seleção, as contestações que aconteceram, deboches, brincadeiras que às vezes as pessoas fazem sem se importarem com o lado pessoal do ser humano. E isso aconteceu – disse.
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– Foi muito pesado tudo aquilo, muito pesado, porque as contestações foram muito grandes, as dificuldades muito grandes. Apoio, realmente, eu tive de poucas pessoas. Conhecendo a minha história dentro do futebol, poucas pessoas naquele momento me estenderam as mãos. E eu só tenho a agradecer a essas pessoas – celebrou.
Com a conquista deste domingo, Dorival Júnior conquistou pela quarta vez a Copa do Brasil e se igualou a Luiz Felipe Scolari como os maiores vencedores da competição no posto de técnico.
Além do título por Corinthians, Flamengo (2022) e São Paulo (2023), o treinador levantou o troféu em 2010 pelo Santos, em time marcado pelas goleadas comandadas por Neymar dentro de campo.
Dorival Júnior exalta torcida do Corinthians: “Impressiona”
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Sim ao Corinthians e mais sobre a saída da Seleção
– Foi um momento muito pesado em todos os sentidos. Eu tinha aquilo internamente comigo que eu precisava dar uma resposta a mim mesmo. Por isso eu aceitei o convite do Corinthians, uma situação difícil, complicada, como foi ao longo do ano. Ninguém tem ideia das dificuldades que nós tivemos, dos problemas que nós enfrentamos.
Campanha
– Alguns poucos são comentados, outros muitos graças a Deus não saíram de dentro do CT. Com tudo isso, nós conseguimos, passo a passo, caminharmos para uma campanha que, na minha concepção, é histórica.
– Até porque nós fizemos uma campanha em 2010 com o Santos em que, em uma edição da Copa do Brasil, 39 gols. Foi a edição que mais gols aconteceram, dificilmente acontecerá uma outra edição. Ao contrário, nesta, foi a que menos gols nós sofremos, ganhando de todos os adversários fora dos nossos domínios. E mais uma vez muitas contestações, mesmo as pessoas sabendo de tudo que havia se passado com o Corinthians ao longo de todo esse processo.
Agradecimento
– A todos aqueles que confiaram, acreditaram o meu muito obrigado, de coração. Àqueles que foram céticos, brincalhões, foram zombeteiros, infelizmente eu sou tenho que deixar um boa noite e um agradecimento, porque só nos motivou a crescermos, melhorarmos e buscarmos uma conquista como a de hoje, que vem valorizar todo o trabalho de uma comissão técnica e de uma diretoria e, acima de tudo, do torcedor, de tudo que fez por nós. Em todos os jogos, mesmo em momentos difíceis, sem resultado, esta torcida deu exemplo do que foi…
Título pelo Corinthians
– Poucas vezes vi uma situação como esta. Eu só tenho a agradecer, enaltecer a participação de todos eles. Este título foi por eles, para eles, porque eles acreditaram até o último momento. Nunca vi uma torcida, nós sendo derrotados dentro de casa, em alguns momentos do Campeonato Brasileiro, ainda que jogando bem, mas não esboçaram nenhuma vaia, reação negativa.
– Isso foi nos dando força e nos mostrando que nós tínhamos um caminho importante. É interessante um detalhe. Minha primeira partida, chegando ao Corinthians, foi justamente eu vim assistir aqui Corinthians e Flamengo. Naquele momento, se eu não me engano, foi um 4 a 0. Fui aos vestiários, pedi licença ao treinador naquele momento, que era o Orlando, das categorias de base. Pedi licença e falei para eles, que se preparassem, porque aquele ano não terminava naquele resultado.
– Era um reinício, que nós iríamos melhorar a nossa campanha no Campeonato Brasileiro e chegaríamos à final da Copa do Brasil. Graças a Deus, isso tudo acabou acontecendo. E com merecimento nossa equipe entregou um resultado muito importante.
Como lidar com o elenco nos bastidores e preparação
– Nós tivemos um ano complicado, em razão desses muitos problemas que coloquei para vocês. Não vou enumerar cada um deles. Mas precisávamos ter tido uma correção dentro do nosso grupo de trabalho, com características de alguns jogadores que nós não temos. Tínhamos que nos adaptar aquilo que encontramos, mais aqueles jogadores que fomos buscar preparar para que pudessem, em algum momento, serem lançados na equipe principal, caso do André, do Gui Negão, do Bahia, do Dieguinho. Meninos que foram preparados para serem lançados, não foram jogados ao leu na equipe.
– Em razão desses muitos problemas. Para vocês terem uma ideia, eu tive todos os jogadores à disposição com raras exceções, que ficaram no departamento médico, apenas nesses últimos cinco jogos. Olha, eu vou levar A e não vou levar B, em razão de posicionamentos e necessidade. Em momento nenhum do campeonato eu tive isso, jogando com vários jogadores fora de posição, jogando com vários atletas fazendo duas funções, três às vezes dentro de campo.
– Mexemos bastante com o elenco, criamos várias situações, nós entregamos. Nós mergulhamos por completo no Corinthians. Chegamos todos os dias 6h30, 7h, saímos de lá 20h. Isso toda a comissão técnica. É uma entrega total de trabalho, porque precisávamos disso, em razão das dificuldades que encontrávamos.
– Cheguei ao Corinthians em abril, eu tive uma visita à minha família, de dois dias, em Florianópolis. Nunca mais fui para lá. A entrega foi toda para que alguma coisa positiva acontecesse. E graças a Deus, não foi por acaso. Uma equipe que vence todas as partidas fora de casa, uma equipe que faz uma campanha que nós fizemos, tem que ter respeito, reconhecimento, consideração. E até a última rodada isso não existia.
– Todos já diziam que as finais da competição seriam disputadas por outras equipes, e não pelas equipes que disputaram. Mais uma vez nós mostramos que você tem que confiar em você, no seu trabalho, pela sua dedicação e sua entrega. Você tem que saber que, se em algum momento, alguém tente buscar uma correção, são nas pessoas que você se aconselha, não nas outras pessoas, porque, se não, já teríamos parado no meio do caminho há muito tempo, em razão dessa desconfiança, que é geral.
– O trabalho mais uma vez dá, sim, frutos, muito em razão da entrega, do comprometimento, da dedicação de um grupo que se dispôs a abrir mão de tudo para poder trabalhar em prol de uma equipe. Podem ter certeza de que não foi por um acaso. Esse resultado é muito importante. Nos últimos três anos você finalizar uma Libertadores invictos, ganhar uma Copa do Brasil, como nós ganhamos com apenas três gols tomadas e uma derrota, não é para qualquer um.
– O cara tem que ter, desculpe a palavra, tem que der muito (faz sinal com a mão) para poder suportar tudo aquilo que aconteceu. A vontade é falar e me direcionar às pessoas que falaram, principalmente as que fizeram críticas, se extrapolam, partindo até para o lado pessoal. Para esses, boa noite e vão dormir em paz.
De quem você está falando?
– Deixa para lá, eu prefiro agradecer aqueles que participaram positivamente, que nos deram forças, que nos motivaram nos momentos mais difíceis e complicados, mesmo sabendo de todos os problemas que estávamos enfrentando dentro do Corinthians, ainda assim usaram e abusaram do lado negativo. Mas eu prefiro enaltecer as pessoas que foram positivas e que nos estenderam as mãos nos momentos mais complicados.
Gostaria de ter Fabinho em 2026?
– Que eu gostaria de ter o Fabinho, não tem nem o que falar. É um dos grandes profissionais com quem eu já trabalhei. Com certeza vai crescer muito na carreira, na vida, pela pessoa que é, pela seriedade que tem e pelo profissionalismo que apresenta, além da competência.
– Presidente tentou nos dar todas as possibilidades para que pudéssemos caminhar nos momentos mais complicados e difíceis, e está fazendo um trabalho muito sério dentro do clube, juntamente com toda a sua diretoria.
– Tivemos muitas situações que foram desequilibrantes ao longo de todo esse processo, mas o principal é que nós não nos abrimos, nós nos fechamos, nos fortalecemos internamente, procurando alternativas onde às vezes não existiam, fomos buscar opções em situações que nos ajudaram a que pudessem chegar a um momento como este.
Garro no banco e Bidon avançado
– Com relação ao Bidon e Garro, é o momento. Garro está fazendo um trabalho muito sério para readquirir a sua melhor condição, e não vinha acontecendo. Mas é um jogador muito importante para nós. Foi um diferencial ao longo do ano anterior, teve uma sequência de problemas e isso aconteceu dificultando a sua completa recuperação.
– Há uma semana, todos questionaram o Bidon e o Yuri. Todos pediam a saída desses jogadores, e a função do treinador é esta, é não desistir do atleta em momento nenhum. Engraçado que eles hoje foram diferencial para nossa equipe e foram fator resultado do nosso resultado. Se eu tivesse desistido desses jogadores, quem sabe nós teríamos tido muito mais dificuldade aqui dentro, não encontrado o resultado que nós encontramos.
Igualar Felipão com quatro títulos de Copa do Brasil
– Primeiro que é um prazer ter vencido em todas as equipes que eu alcancei, que eu consegui a ajudar a termos este resultado expressivo. Segundo que é um peso muito grande, conseguir ganhar uma competição como esta, três equipes grandes de São Paulo, além do Flamengo aqui no Rio. Não tem preço isso.
– Foram trabalhos muito sérios, muitas dificuldades, cada um com as suas individualidades, mas todos eles de um valor muito grande para mim expressivos. Uma conquista que enaltece todo o trabalho de uma grande equipe que está por trás. Eu sou mais um membro de todo esse processo. Foi o apoio de todos eles que fizeram com que nós fizéssemos um trabalho como este.
– Muito satisfeito com tudo que vem acontecendo dentro do Corinthians. Dois campeonatos, dois campeonatos ganhos, à exceção do Flamengo, que teve duas conquistas brilhantes, que foram campeonato brasileiro e Libertadores, o Corinthians foi o segundo maior campeão do país, com Campeonato Paulista e uma Copa do Brasil.
– Isso é um momento marcante na história de um clube que vem passando por dificuldade muito grande, e mesmo assim com apoio do seu torcedor e presença do seu torcedor, que fez a diferença, nos faz manter vivos e sempre lutando e brigando por espaço importante no futebol brasileiro.
De onde vem sua força?
– Só tem uma palavra. Se você não tiver uma família sólida e principalmente Deus no coração, você acaba ficando no meio do caminho. Essa força interior vem justamente disso, de uma família que me dá uma sustentação importante e de Deus, a quem nós só temos a agradecer ter me possibilitado viver um momento como este, como venho vivendo nos últimos anos.
– São 20 títulos disputados, são 15 conquistas, são cinco vice-campeonatos, em trabalhos que eu praticamente iniciei muitos deles, trabalhos que eu peguei equipes em situações muito complicadas e difíceis, raras foram as vezes que eu tive uma equipe montada nas minhas mãos. Nunca tive possibilidade de contratar quem eu gostaria, quem eu queria. Sempre encontrei situações dentro dessas equipes ou indo buscar nas categorias de base.
– Eu dou muito valor ao trabalho que realizei ao longo desses anos, porque foram sempre muito difíceis e valorosos, em cada equipe que eu passei. Tirando sete equipes de zona de rebaixamento, coisas que poucos treinadores assumem. Eu nunca tive receio. Enfrentei toda e qualquer situação.
– Por isso eu me sinto preparado para os momentos que eu vivi, e que inclusive teria entregue, se Deus quiser, resultados também à seleção, na qual não tive oportunidade de finalizar o trabalho que eu desejava. Desejo toda sorte do mundo ao Ancelotti, muita luz no seu caminho. Tive essa oportunidade, valorizo muito, porque não cheguei por um acaso. Talvez tivesse tido uma sorte se pudesse ter finalizado tudo isso.
Título mais difícil da carreira?
– Foi a mais difícil, por tudo aquilo que nós vivemos ao longo do ano, não foi simples. Não foi um ano tranquilo. Tem uma complicação grande, em razão de tudo que aconteceu dentro do nosso clube, de um modo geral, inclusive com muitas lesões, problemas no dia a dia, às vezes tendo escassez de situações, de atletas. Foi um dos campeonatos mais difíceis e complicados, pela desconfiança geral que existia, porém, tem o outro lado, em que nós tínhamos a certeza de que aconteceria.
– O dia que eu cheguei aqui, contei para vocês, logo no início, no primeiro encontro que eu tive o elenco do Corinthians, eu mostrei a eles que nós jogaríamos a final da Copa do Brasil. Coincidentemente aconteceu aqui dentro, deste estádio, no mesmo vestiário que nós estávamos naquela partida contra o Flamengo. Alguma coisa tinha de especial. Eu não vim aqui por um acaso. Eu tinha essa necessidade de estar aqui.
– Quando o Fabinho me fez o convite, mesmo imaginando que eu faria uma parada que seria necessária naquele momento, eu contrariei a minha família para aqui estar. Sinceramente, para mim, esta conquista tem um valor muito grande. Eu precisava dar uma resposta a mim mesmo, por tudo que havia acontecido nos últimos meses.
Conversa com Yuri e preparo mental
–Os questionamentos acontecem sempre, as desconfianças são cada vez maiores, e as pessoas querem mudanças a todo mundo. E nem sempre é assim. Por isso a função do treinador. Treinador tem que acreditar nos jogadores que ali estão, tem que confiar naquilo que está fazendo.
– Engraçado que, ontem, no treinamento que antecedeu a final da nossa preparação, uma jogada semelhante, o Memphis faz o gol daquela mesma maneira. Eu estava ali fora e eu falei: amanhã, quem sabe, a gente tem uma jogada parecida com isso, pelos movimentos que nós vínhamos trabalhando há meses.
– Foi um movimento muito bem-organizado, orientado, com a infiltração, a bola metida, o cruzamento da área e o aproveitamento. Mais uma vez nos mostra que você tem que acreditar, tem que confiar, tem que repetir no futebol, para que as coisas aconteçam.
– Hoje se confirma mais uma vez aquilo que nós fizemos ontem. Nós temos a jogada gravada de ontem, vocês vão ver, se acontecer de colocamos, uma jogada semelhante para que o Memphis fizesse a conclusão. E acaba acontecendo no jogo de hoje.
Consolidação defensiva
– É mais uma marca importante, três gols em uma edição, como também eu falei que nós fizemos 39 gols na edição de 2010. E jamais uma edição vai ter tantos gols como naquela ocasião com o Santos. Agora com o Corinthians. Isso demonstra o equilíbrio que existe no nosso trabalho, já há muito tempo. Uma organização segura e as opções ofensivas que nós sempre tivemos.
– Para mim é muito importante um número como este. Ter também uma conquista com o Flamengo com uma equipe que não perdeu nenhuma partida na Libertadores. Isso demonstra o nível de profissionais que nós temos dentro da nossa comissão, que nos seguem já há algum tempo e que fazem com que esse trabalho se complete e gere resultados em todas as equipes que passamos.
Desabafo final
– Disse anteriormente que, naquele dia, que se preparassem que eles jogariam a final da Copa do Brasil. Logicamente que tomando 4 a 0, poucos talvez acreditassem. Eu acho que, mais uma vez, com trabalho, dedicação e entrega, acaba acontecendo. Isso é você acreditar em você. Por isso que eu falo, nós temos que nos preocupar quando as pessoas com quem nos aconselhamos cheguem e apontem alguns problemas que nós estamos tendo.
– Quando esses problemas são apontados por pessoas de fora, ignorem. Continuem acreditando, trabalhando e se dedicando. Para mim, só existe esse caminho. Não existe outro. Por quê? Porque ninguém quer te ver bem, as pessoas infelizmente não querem te ver bem.
– Por isso geram tantas desconfianças, tanto lado negativo, tantas incertezas, em relação ao trabalho. Isso acontece com todos, principalmente dentro do nosso país, em toda e qualquer atividade profissional. Não apenas dentro do futebol. Por isso que eu sempre acreditei muito naquilo que eu pudesse deixar, entregar e realizar. Me dediquei para que as coisas acontecessem.
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