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Colecionador abandona carreira de advogado e fatura com venda de camisas de futebol

Colecionador abandona carreira de advogado e fatura com venda de camisas de futebol

Encontro reúne colecionadores de camisas de futebol em Ribeirão Preto
Após anos de atuação como advogado em Ribeirão Preto (SP), Brunno Malzoni decidiu mudar de ramo e transformou uma paixão em negócio. Colecionador de camisas de futebol, ele largou o escritório, o terno e a gravata para montar sua própria loja virtual e viver da revenda de uniformes esportivos. A ideia, porém, veio de forma despretensiosa.
— Eu tinha muita camisa e queria viajar com minha esposa no Carnaval. Começo de ano, IPVA… aqueles custos. Aí decidi vender as camisas. Queria R$ 1,2 mil em um pacote com 15, mas vendendo separado acabei lucrando R$ 3 mil. Comecei a oferecer antes mesmo de criar minha loja. Foi dando certo — contou.
Brunno, colecionador de Ribeirão Preto (SP), manuseia uma das araras de camisas de futebol que mantém em casa
Guilherme Moro
A virada de chave veio rápido. Logo viu a demanda crescer e criou uma loja própria. Pediu demissão do emprego para focar só nas camisas e viu a renda ultrapassar o dinheiro ganho como advogado.
— Eu estava trabalhando, mas perdendo tempo, porque não conseguia organizar as camisas, tirar fotos, pesquisar. Hoje minha renda já é maior com a loja, embora eu ainda faça alguns freelas. Acredito que 80% do meu dinheiro vem das camisetas.
Feira organizada por Brunno teve variedade de camisas de time de futebol
Fábio Júnior / EPTV
Além da loja, ele realizou em 2025 seus primeiros eventos: duas feiras de camisas de futebol em um bar de Ribeirão, conhecido por ter sido frequentado por Sócrates, ídolo do Corinthians e do Botafogo-SP. A ideia surgiu após visitar uma feira de camisas no Pacaembu, em São Paulo.
— Comecei a pesquisar muita coisa de São Paulo. Eles fazem muita feira. Sempre quis participar, mas achava o círculo meio fechado e também pela logística. Decidi que seria legal fazer no Empório Brasília, que tem um anexo legal e claro, também por toda a história do Sócrates, de ser o bar dele, ter a mesa que ele sempre usava. Falei com os donos e deu certo.
Feira reuniu centenas de pessoas ao longo dos dias
Fábio Júnior / EPTV
Entre as relíquias do acervo pessoal do organizador está uma camisa do Corinthians autografada por Neto e Casagrande, ídolos do Timão. A peça demorou mais de um ano para encontrar as assinaturas e demandou uma ajuda de familiares que moram em São Paulo.
— Eu tinha essa camisa guardada. Aí passei para minha cunhada, que trabalha com o Neto. Ela ficou meses com ela na bolsa, até encontrar ele. E ele ainda colocou meu nome no autógrafo. Depois fui atrás do Casagrande. Outra cunhada levou cinco, seis meses até ela encontrar ele em um evento. Só peguei a camisa de volta depois de um ano — relembra.
Brunno posa com a camisa autografada por Neto e Casagrande
Guilherme Moro
Paixão vem de criança
O amor pelas camisas começou ainda na infância. Com o coração já batendo forte pelo Corinthians, a primeira peça da coleção foi um presente do avô, uma camisa do Timão de 1995, ano em que Marcelinho Carioca comandou o time nos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil.
— Desde pequeno, eu tinha muita camisa do Corinthians. Muitas camisas. Aliás, era o que eu mais colecionava. Aí, depois com tempo, pensando mais em camisas de seleção. Eu tinha muita camisa de seleção. Meu início mesmo foi camisa do Corinthians. Meu avô me deu em 1995. Tenho até hoje, da época do Marcelinho Carioca. Depois parei, porque casei e vieram outras prioridades — explicou.
Mas, com a alta demanda de seu negócio, as camisas de futebol voltaram à atenção de Brunno, que projeta um crescimento da sua feira, com mais expositores e mais atrações além dos uniformes.
— Quem sabe a gente não leva ex-jogador, bota uns videogames, pebolim. A ideia é começar pequeno, mas pensar grande — finalizou.
* Colaborou sob orientação de João Fagiolo
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