Santa Cruz reconhece ídolo como fundador mais de meio século após sua morte: “Reparação histórica”
Primeiro negro no futebol, Lacraia é reconhecido fundador do Santa Cruz
O Santa Cruz oficializou um capítulo aguardado por gerações. Mais de 50 anos após a morte de Teófilo Almeida Baptista de Carvalho, o “Lacraia”, o clube passou a reconhecê-lo formalmente como um de seus fundadores, corrigindo uma ausência que marcou a história coral. Isto acontece após a atualização do estatuto do clube, que está implementando o modelo SAF, agora em 2025.
A placa atualizada dos fundadores será inaugurada no próximo aniversário do Tricolor, no dia 3 de fevereiro de 2026.
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Lacraia esteve entre os jovens que deram origem ao clube em uma pelada no pátio da Igreja de Santa Cruz, no Centro do Recife, em 1914. Conhecido pelo apelido que fazia referência à velocidade e habilidade nos dribles, o ídolo faleceu em 1974 e deixou sua marca dentro e fora de campo.
“Esse apelido é porque diziam que ele driblava muito. A lacraia é bem rapidinha, né? Driblava demais”, diz Fernanda Carvalho, neta de Teófilo.
Ídolo do Santa Cruz, Lacraia foi o primeiro negro a jogar por um clube em Pernambuco
Reprodução/Globo
A relevância de Lacraia vai muito além da fundação. Ele foi jogador, treinador e protagonista de momentos inesquecíveis, como a virada histórica sobre o América-PE, em 1917, em que o Santa Cruz saiu de 5 a 1 contra para vencer por 7 a 5.
“O primeiro grande ídolo do Santa Cruz”, destaca o historiador Diogo Xavier.
Além do desempenho esportivo, deixou uma contribuição definitiva para a identidade do clube: foi o responsável por desenhar o escudo que permanece praticamente inalterado até hoje e ajudou a consolidar as três cores que representam o Santa Cruz — preto, branco e encarnado.
A ausência na ata e a mágoa familiar
Apesar de sua importância, o nome de Lacraia nunca constou na ata de fundação. No dia da assinatura, ele prestava vestibular para Engenharia e não pôde comparecer. A ausência se transformou em mágoa, lembrada pela família ao longo dos anos.
“Ele se ressentiu muito de não estar lá com o nome dele”, conta Fernanda Carvalho. “Meu pai falava muito da mágoa que ele (Lacraia) tinha de não poder estar presente fisicamente naquela ata”, acrescenta o bisneto Gil Baptista Neto.
Familiares de Lacraia veem foto do ídolo do Santa Cruz
Reprodução/Globo
Para a família, a decisão representa uma reparação histórica e motivo de orgulho.
“É uma reparação histórica importante, pelo nome dele e pelo legado que deixou”, afirma Fernanda. “Ter um representante com tanta importância para a fundação do clube e para o futebol pernambucano é um orgulho enorme”, completa Gil Baptista Neto.
Um marco além do futebol
A relevância de Lacraia transcende o Santa Cruz. Ele foi o primeiro jogador negro a atuar por um clube em Pernambuco, apenas 26 anos após a abolição da escravidão, em um período em que o futebol ainda era elitizado e marcado pelo racismo.
Sua presença ajudou a moldar a identidade popular do Santa Cruz, que nas décadas seguintes se consolidaria como clube de massas, representativo das camadas populares da sociedade pernambucana.
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