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“Teve gente trabalhando em dois empregos”: volante fala sobre drama salarial na Ponte campeã

“Teve gente trabalhando em dois empregos”: volante fala sobre drama salarial na Ponte campeã

Campeão da Série C pela Ponte Preta, Lucas Cândido espera quitar pendências
Campeão da Série C pela Ponte Preta, Lucas Cândido revelou ao ge os bastidores de uma campanha marcada também por profunda instabilidade financeira. O volante entrou na Justiça contra o clube para cobrar R$ 709 mil por falta de pagamentos.
O sucesso dentro de campo contrastava com o cenário de incertezas fora dele. Com os salários atrasados, o elenco teve de se fechar para suportar uma sequência de dificuldades que atravessou durante a Série C.
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Ainda assim, evitou expor a crise e priorizou o projeto coletivo que culminaria no acesso e na taça, conquistando o primeiro título nacional da história do clube em 125 anos.
– Nosso grupo era de homens […] Engolimos ego, raiva, tristeza ao longo do trabalho, pensando no coletivo – relatou.
O discurso de Lucas escancara o cotidiano de um grupo que, mesmo pressionado, decidiu não ruir. Apesar das questões extracampo, os jogadores levaram a Ponte Preta ao acesso com a melhor campanha da segunda Fase, com quatro vitórias, incluindo dois dérbis, um empate e uma derrota para depois superar o Londrina na grande decisão – empate por 0 a 0 fora e 2 a 0 no Majestoso.
Lucas Cândido comemora acesso da Ponte
Marcos Ribolli/ PontePress
Segundo Lucas, os atrasos começaram depois do fim do Paulistão, quando os pagamentos deixaram de ser feitos com regularidade. A partir dali, a instabilidade virou rotina, com cobranças internas.
– Demos várias chances para quitarem os pagamentos — uma, duas… na terceira, eu já nem acreditava mais. Só queríamos o salário. Não pedimos juros, não pedimos premiação. E mesmo assim não pagaram. Precisávamos baixar a bola e trabalhar. Quem ficasse, poderia desfrutar no ano seguinte de um contrato melhor. Lógico que alguns falavam mais alto, alguns guardavam o sentimento, outros explodiam. Tivemos conversas mais duras, mas sem desrespeito. Somos funcionários do clube e respeitamos a diretoria – reforçou.
A falta de pagamento também atingia integrantes da comissão técnica e do departamento de futebol. Sem entrar em detalhes, Lucas disse que algumas pessoas do clube precisaram buscar uma renda extra para conseguir se sustentar.
– Tiveram, sim, episódios de gente trabalhando em dois empregos, procurando renda em outro lugar. Foi um período muito difícil – reconheceu o volante, que destacou o papel de Marcelo Fernandes como figura de equilíbrio diária.
Lucas Cândido em ação pela Ponte Preta
Marcos Ribolli
– Estávamos tristes, inseguros, com raiva… sentimentos ruins. O que ajudou foi a conversa com o Marcelo também. Os treinos eram objetivos, sem enrolar. Íamos ganhando e, nos jogos, tudo aquilo ficava de lado. O que ficou é que poderíamos colocar nossos nomes na história.
Segundo Cândido, o grupo chegou a fazer reuniões para discutir protestos mais duros, como greve e W.O.
– Pensamos em várias alternativas. Teve reunião para não jogar, para não treinar, mas a maioria não concordava em não jogar. O principal era ser campeão e fazer história. Preferimos nos blindar para reivindicar depois. Pesou o objetivo final, que era bom para todos – contou.
Com 27 partidas e um gol pela Ponte em 2025, Lucas deixou o clube após a campanha na Série C do Brasileiro. Ele foi anunciado pelo Caxias como reforço para a próxima temporada.
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Já na Ponte, a questão salarial ainda repercute. No último sábado, dia 20, o elenco, por meio de nota oficial divulgada no perfil de diversos jogadores, anunciou a suspensão temporária dos treinos até que as pendências sejam regularizadas.
Dias depois, em 24 de dezembro, a diretoria realizou o pagamento de um mês dos atrasados para a maioria dos atletas. A comissão técnica e o departamento de futebol da Ponte colocaram o dia 2 de janeiro como data para retomar a pré-temporada. A estreia alvinegra no Paulistão está marcada para 11 de janeiro, um domingo, contra o Corinthians, às 16h, na Neo Química Arena. geRead More