Crise, inflação alta e guerra: o que está por trás das manifestações no Irã que já deixaram 7 mortos
Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, em 29 de dezembro de 2025
Fars via AP
Pelo menos sete pessoas morreram em uma onda de manifestações no Irã, segundo números divulgados pelas autoridades locais nesta quinta-feira (1º).
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▶️ Contexto: As manifestações acontecem em meio a uma grave crise econômica, marcada por inflação elevada, desvalorização da moeda local e impactos de sanções internacionais. No radar também está a guerra de junho contra Israel.
As manifestações se intensificaram na segunda-feira (29), quando centenas de pessoas foram às ruas para protestar contra a situação econômica e o custo de vida.
Comerciantes também iniciaram uma paralisação e fecharam lojas em Teerã.
Os movimentos se espalharam pelo país com o apoio de estudantes.
O governo do presidente Masoud Pezeshkian afirmou que abriu um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir demandas da população.
“Reconhecemos oficialmente os protestos. Ouvimos essas vozes e sabemos que isso tem origem na pressão natural provocada pelas dificuldades no sustento da população”, afirmou a porta-voz do governo na terça-feira.
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O aceno do governo não foi suficiente. Nos últimos dias, houve confronto entre manifestantes e forças de segurança. Imagens que circulam nas redes sociais mostram objetos em chamas nas ruas e sons de tiros.
Na quinta-feira, segundo a mídia local, três manifestantes morreram e 17 ficaram feridos durante um ataque a uma delegacia de polícia na província de Lorestan, no oeste do país.
De acordo com a Associated Press, esta é a maior onda de manifestações no Irã desde 2022, quando a jovem Mahsa Amini morreu após ser detida pela polícia por descumprir o rígido código de vestimenta do país.
O que está por trás da crise
Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, discursa perante membros do Judiciário iraniano em Teerã em 16 de julho de 2025.
Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters
O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando o presidente Donald Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã.
Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
Na segunda-feira, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.
Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.
O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.
O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.
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