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Guarda-vidas usa lifesaving para resgate, vira herói em Itacoatiara e sonha com as Olimpíadas; vídeo

Guarda-vidas usa lifesaving para resgate, vira herói em Itacoatiara e sonha com as Olimpíadas; vídeo

Salvamento Aquático: modalidade busca voltar às Olimpíadas
Um esporte foi determinante em um resgate impressionante em Itacoatiara, na região oceânica de Niterói, em junho de 2025. Na ocasião, o guarda-vidas Henrique Bruto, de plantão na praia, realizou um dos salvamentos mais desafiadores já vistos no local. Sem hesitar, ele enfrentou um mar revolto para resgatar uma banhista que estava à deriva. O desfecho feliz só foi possível graças às técnicas do salvamento aquático esportivo, o lifesaving, modalidade ainda pouco conhecida no Brasil, mas que vem ganhando cada vez mais adeptos.
Vídeo mostra resgate de banhista em Itacoatiara
Bombeiro desde 2010, Bruto descobriu o salvamento aquático somente sete anos depois, quando o quartel em que trabalhava organizou uma competição da modalidade. Na época, sem saber direito do que se tratava, ele se arriscou e descobriu uma nova paixão.
– Meus amigos dizem que não tem mais volta quando a gente é mordido pelo mosquito do lifesaving. Eu me apaixonei ali. Foi o momento em que pensei: “vou praticar isso, vou aprender mais sobre esse esporte” – relembra.
Henrique Bruto é campeão brasileiro de salvamento aquático
Arquivo Pessoal
Em 2022, ele participou do primeiro Campeonato Brasileiro da modalidade, em Torres, no Rio Grande do Sul, e voltou com cinco medalhas. Desde então, vem acumulando conquistas. No torneio nacional deste ano, realizado em outubro em Fortaleza, no Ceará, competiu em cinco provas e conquistou três medalhas: ouro no beach flag e bronze no beach sprint e no revezamento 4×25 com manequim.
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O que é o salvamento aquático?
O lifesaving é um esporte dinâmico, disputado tanto no mar quanto na piscina. As provas simulam situações reais de resgate e envolvem o uso de pranchas, boias, nadadeiras e até motos aquáticas. Em algumas delas, um manequim é utilizado para representar uma vítima de afogamento. Além das disputas na água, há também provas na areia, como o beach sprint e o beach flag.
Embora tenha nascido na Austrália – considerada o berço do esporte -, o lifesaving existe há mais de um século e vem se popularizando em vários países. Em 1900, chegou a ser exibido como esporte de demonstração nas Olimpíadas de Paris, mas só foi reconhecido como modalidade pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2008.
Salvamento aquático foi esporte de demonstração nas Olimpíadas de Paris, em 1900
Reprodução/ ILSF
No Brasil, por conta do caráter humanitário, o lifesaving é praticado principalmente por guarda-vidas, mas qualquer pessoa pode se qualificar e se tornar um atleta de salvamento.
Sonho olímpico
Em outubro do ano passado, a Federação Internacional de Lifesaving (ILS) manifestou o desejo de ver o esporte incluído no programa das Olimpíadas de Brisbane, na Austrália, em 2032. Segundo o presidente da entidade, Graham Ford, o lifesaving se alinha à visão do COI de construir um mundo melhor por meio do esporte, além de promover a educação e prevenção.
– No Brasil, 16 pessoas morrem afogadas todos os dias. É importante que esse esporte entre nas Olimpíadas para mostrar que é possível aprender técnicas de salvamento. Seria um sonho estar lá – ressalta Bruto.
Conexão com o meio ambiente
Formado em ciências ambientais, Henrique Bruto também leva a consciência ecológica para o seu trabalho. Ele é um dos instrutores do Projeto Botinho, colônia de férias promovida pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. A ação tem objetivo de familiarizar crianças com o mar e também as ensina a cuidar do meio ambiente. Durante as atividades, os pequenos participam de gincanas inspiradas nas provas do lifesaving e de ações como recolhimento de lixo das praias.
– A gente fala sobre o impacto ambiental que as pessoas causam na praia, esse espaço de lazer para todos. E é muito legal porque aproxima as crianças da nossa rotina de guarda-vidas. Dentro dessas brincadeiras, a gente introduz o salvamento aquático, e elas conseguem entender o que fazemos e como o esporte ajuda no resgate. Então, a gente já está pensando nas futuras gerações para esse esporte. O mais legal é ver essa nova geração conectada não só com o esporte, mas também com a preocupação com o meio ambiente – conclui.
Hnrique Bruto orienta as crianças durante o projeto Botinho
Divulgação/ CBMERJ geRead More