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‘Níveis insustentáveis’: Ucrânia diz que Rússia já não consegue repor soldados mortos na guerra

‘Níveis insustentáveis’: Ucrânia diz que Rússia já não consegue repor soldados mortos na guerra

A Ucrânia afirma que as mortes de soldados russos em combate chegaram a um patamar considerado insustentável, superando a capacidade de reposição das tropas por meio do atual modelo de recrutamento voluntário adotado por Moscou. Segundo autoridades ucranianas, o aumento das baixas está diretamente ligado à intensificação do uso de drones no campo de batalha e à mudança nas estratégias militares ao longo de 2025. As informações são da Al Jazeera.

De acordo com o presidente Volodymyr Zelensky, apenas no mês de dezembro cerca de 35 mil militares russos foram mortos ou neutralizados, número que, segundo ele, foi confirmado por registros em vídeo. Em novembro, o total teria sido de 30 mil, enquanto em outubro chegou a 26 mil. As declarações foram feitas em um pronunciamento oficial divulgado no início de janeiro.

Soldados russos no nordeste da Ucrânia com equipamento militar em foto de 2023 (Foto: WikiCommons)

O comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskii, reforçou a avaliação ao afirmar que as perdas reais podem ser ainda maiores, já que os números divulgados consideram apenas casos comprovados por imagens. Segundo ele, dezembro de 2025 marcou a primeira vez em que unidades ucranianas de sistemas não tripulados neutralizaram aproximadamente o mesmo número de soldados que a Rússia conseguiu recrutar em um único mês.

Recrutamento russo sob pressão

A Rússia tem evitado mobilizar recrutas regulares na guerra da Ucrânia, optando por contratos voluntários para integrar suas forças na chamada “operação militar especial”. Dados divulgados pela inteligência ucraniana indicam que Moscou recrutou cerca de 403 mil soldados ao longo de 2025, uma média mensal de pouco mais de 33 mil militares.

Para 2026, o plano russo seria elevar esse número de forma marginal. No entanto, se as estimativas ucranianas de baixas forem confirmadas, a taxa de mortalidade já estaria superando o volume de novos recrutas, o que pode forçar o Kremlin a recorrer a reservistas ativos.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, da sigla em inglês), com sede em Washington, observou recentemente movimentos que indicariam essa possibilidade, como o envio de armamentos pesados para unidades de reserva em regiões próximas à fronteira com a Ucrânia. Analistas avaliam que uma mobilização mais ampla poderia representar um risco político para o presidente Vladimir Putin, ao expor diretamente a sociedade russa aos custos humanos do conflito.

Drones mudam o curso da guerra

Autoridades ucranianas atribuem parte significativa do aumento das baixas russas ao avanço tecnológico no uso de drones. Em 2025, a Ucrânia ampliou de forma acelerada a produção e o emprego de veículos aéreos não tripulados, incluindo drones de ataque e de interceptação.

Zelensky afirmou que essa estratégia foi determinante para mudanças recentes no comando da Defesa. O presidente nomeou Mykhailo Fedorov como novo ministro da Defesa, destacando sua atuação na área de tecnologia e digitalização de serviços públicos. Ao mesmo tempo, elogiou o ex-ministro Denys Shmyal pelo cumprimento da meta de produção diária de mil drones de interceptação.

Do lado russo, Moscou também passou a investir em novas táticas, como o uso de drones com cabos de fibra óptica, menos vulneráveis à guerra eletrônica. Além disso, abandonou grandes ofensivas mecanizadas, que resultavam em perdas elevadas, e adotou operações de infiltração com pequenos grupos de soldados.

Avanços territoriais e guerra de longo alcance

Apesar das dificuldades apontadas por Kiev, a Rússia obteve avanços territoriais ao longo de 2025, ainda que de forma irregular. Segundo o ISW, o ganho médio diário de território aumentou em relação ao ano anterior, embora represente menos de 1% da área total da Ucrânia, concentrado principalmente em vilas e zonas rurais.

Paralelamente, a guerra de longo alcance se intensificou. Apenas na primeira semana de 2026, a Rússia lançou centenas de drones e mísseis contra cidades ucranianas, enquanto Kiev afirma ter interceptado a maioria dos ataques. No ano passado, foram dezenas de milhares de drones e quase dois mil mísseis disparados contra o território ucraniano.

Além do confronto militar, o conflito também se estende ao campo da informação. Autoridades ucranianas acusam Moscou de disseminar alegações não verificadas sobre ataques e tentativas de atentado, como forma de preparar o público interno e internacional para uma possível escalada do conflito.

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