Problemas de vestiário, indefinição tática e derrotas de peso: entenda a queda de Xabi Alonso do Real
Barcelona 3 x 2 Real Madrid | Melhores momentos | Final | Supercopa da Espanha 2025/2026
A demissão de Xabi Alonso do Real Madrid chama a atenção, mas não é exatamente uma surpresa. O técnico não conseguiu resolver a série de problemas que enfrentou desde o primeiro dia — o maior deles a chamada “gestão de vestiário” —, nem implementar as mudanças que pretendia. O desempenho do time ficou aquém do esperado, e os resultados não vieram. O ge explica abaixo os motivos da queda.
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Xabi Alonso foi demitido do Real Madrid depois do vice na Supercopa da Espanha
Getty Images
Não houve paz duradoura nem no melhor momento do Real Madrid com Xabi Alonso, no início desta temporada, quando o time emplacou sete vitórias consecutivas, entre agosto e setembro. Ele chegou ao clube no fim de maio de 2025, para um contrato válido por três temporadas, mas acumulou desgastes rapidamente.
Gestão de vestiário ruim
Jogadores estranharam intervenções de Xabi Alonso na gestão do cotidiano do grupo — ainda mais se tratando de um ex-atleta do Real Madrid. Lançou novas medidas de caráter disciplinar e conduta, num elenco multicampeão de modus operandi respaldado por Carlo Ancelotti. Um exemplo foi a proibição do uso de celular em certos momentos.
Outra norma que chamou a atenção do vestiário foi a determinação para os jogadores voltarem com a delegação do clube no mesmo dia das partidas fora de casa. Antes isso não era obrigatório, e atletas aproveitavam o resto de dia ou noite na cidade em que estavam, e se apresentavam normalmente para o treino no dia seguinte. Isso interferiu na vida de quem visitava familiares, por exemplo.
Jogadores também discordavam das decisões de “campo”, e Xabi não soube lidar da melhor maneira com isso. Os atritos de maior repercussão foram com Vinicius Junior, em especial a reclamação do brasileiro ao ser substituído no clássico contra o Barcelona, em La Liga. O atacante pediu desculpas, mas não mencionou o treinador.
Vinicius foi substituído em 20 dos 33 jogos (60%) com Alonso, desde a Copa do Mundo de Clubes até agora. Isso aconteceu em 19 das 52 partidas com Carlo Ancelotti na temporada passada (36,5%).
Xabi Alonso sacou Vini Jr. para dar lugar a Rodrygo
AFP
Na mesma semana da crise entre Vini Jr e Xabi Alonso, o ge trouxe detalhes de como o brasileiro não era o único insatisfeito. Boa parte do elenco não gostava da condução do dia a dia por parte do técnico e seus auxiliares. O zagueiro Rüdiger reclamou disso.
O volante Valverde expôs na entrevista coletiva antes do jogo contra o Kairat, pela Champions League, que “não nascera para jogar de lateral direito”. Ele foi frequentemente improvisado por Xabi Alonso nessa posição. O meio-campista Camavinga disse que não era normal jogar fora de posição a longo prazo, em entrevista à Telefoot no mesmo mês.
O baixo aproveitamento de Rodrygo no time também rendeu críticas. Porém, apesar do interesse de outros grandes clubes da Europa, o atacante focou em recuperar o seu espaço, teve um “papo sincero” com o técnico e subiu de produção nos últimos meses. Rodrygo foi titular em 40 dos 54 jogos em 2024/25. Ele já igualou nesta temporada o número de partidas como reserva (14).
Vejamos o caso do atacante Mastantuono: chegou ao Real Madrid com 18 anos, emplacou 10 jogos como titular entre agosto e outubro, mas depois virou reserva pouco aproveitado, sem tantas explicações. O único jogador de linha talvez com status de “intocável” é o francês Mbappé, artilheiro do Campeonato Espanhol e da Champions League, com 29 gols em 25 jogos pelo Real nesta temporada.
O meia Bellingham afirmou na véspera da semifinal da Supercopa da Espanha que o “vestiário estava unido”, comissão técnica e jogadores, apesar dos “altos e baixos”. Pelo menos esse foi o discurso. Mbappé, Rodrygo e outros mandaram depois mensagens de despedida.
Bellingham também disse que qualquer decisão sobre Xabi Alonso não caberia a ele, e que no Real Madrid tudo ganha proporções exageradas quando as coisas não saem perfeitamente.
Pois bem, não saíram.
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Inconstância tática prejudica o time
Xabi Alonso chegou ao Real Madrid com a intenção de mudar a cultura do time — e com respaldo inicial da diretoria para fazer isso. Ele apostava num modelo em que o coletivo está acima do individual, e com os jogadores mais se adequando ao sistema do que o contrário.
É inegável que as lesões atrapalharam, desde o início. O Real sofreu com as ausências de Éder Militão na zaga, Alexander-Arnold e Carvajal na lateral, Endrick no ataque… Um “detonante” para o comum acordo nesta segunda-feira pela saída de Xabi Alonso foi a insistência da direção do clube pelo retorno do preparador físico Antonio Pintus, segundo o jornal “Marca”. O técnico era contra, e não considerava que as lesões eram consequência de suas exigências táticas.
O tempo para implementar as mudanças pretendidas também foi curto. Mas o clube contratou reforços, e o nível de exigência em Madri está à altura das conquistas do time. O objetivo era somar a elas o título da Copa do Mundo de Clubes. Sem Mbappé em boa parte do torneio, o Real Madrid viu Xabi Alonso mudar a escalação a cada jogo, o time não engrenar de fato e terminar sendo goleado pelo PSG por 4 a 0 na semi.
Xabi Alonos desnorteado com o passeio do PSG no primeiro tempo contra o Real Madrid
Sven Hoppe/picture alliance via Getty Images
A realidade é que Alonso chegou em janeiro deste ano sem ter estabelecido um padrão de jogo para o Real Madrid, seja com três ou quatro zagueiros, pressão alta ou marcação baixa, que atendesse às expectativas da diretoria e da torcida, que vaiou o time em vários jogos.
A fragilidade defensiva do Real persiste. O time levou 30 gols em 28 jogos nesta temporada, média superior a um por partida. Foi vazado em 64,2% dos jogos, em todas as competições.
Xabi Alonso não encontrou a melhor forma para fazer alguns dos principais nomes do time seguirem em alta. Bellingham, por exemplo, marcou 23 gols e deu 13 assistências nos 42 jogos de sua primeira temporada no Real Madrid. Na segunda, 15 gols e 14 assistências em 58 partidas. Na atual, são apenas cinco gols e quatro assistências em 23 jogos. O meia inglês ficou mais distante do gol.
E no último compromisso com o treinador, o Real foi dominado pelo Barcelona na final da Supercopa da Espanha. O fim derradeiro para um período marcado por derrotas nos jogos mais relevantes.
Derrotas duras nos jogos mais pesados
A derrota para o Atlético de Madrid por goelada de 5 a 2, na sétima rodada da La Liga, foi um ponto de inflexão para o Real Madrid de Xabi Alonso. Aquele resultado derrubou os 100% de aproveitamento do time no Campeonato Espanhol e expôs vários problemas.
A derrota seguinte do Real na temporada cerca de um mês e meio depois, na Champions League, para um Liverpool que ainda não se encontrou em 2025/26. O goleiro Courtois evitou uma goleada em Anfield.
O Real Madrid atravessou novembro ainda na liderança da liga espanhola, mas sem “alma” segundo a imprensa local. As atuações ruins continuaram, a equipe perdeu para Celta de Vigo e Manchester City — ambas no Santiago Bernabéu —, e a crise se instaurou de vez.
Atlético de Madrid x Real Madrid La Liga
REUTERS/Susana Vera
As perguntas dos jornalistas sobre iminente demissão se tornaram cada vez mais frequentes. A vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madrid na semifinal da Supercopa da Espanha deu um sopro de esperança para o trabalho de Xabi Alonso, mas a quinta derrota nos últimos seis clássicos contra o Barcelona, logo na sequência, a derrubou rapidamente.
Xabi Alonso deixa o Real Madrid depois de 34 partidas, com 24 vitórias, seis derrotas e quatro empates, com 72 gols marcados e 38 sofridos. O Real Madrid está na segunda colocação de LaLiga, quatro pontos atrás do rival Barcelona, e na sétima colocação da fase de liga da Champions League, na zona de classificação direta para as oitavas de final.
O novo técnico da equipe será Álvaro Arbeloa, ex-lateral do clube que estava no comando do Real Madrid Castilla. O próximo jogo do time já será nesta quarta-feira, contra o Albacete, pela Copa do Rei.
Xabi Alonso foi demitido do Real Madrid após o vice na Supercopa da Espanha
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