Ex-babá brasileira presa nos EUA diz que chefe planejou matar a esposa para ficar com ela
Juliana Peres Magalhães disse em depoimento que a ideia do ex-chefe dela era matar a mulher para ficarem juntos.
Tom Brenner/AP
A ex-babá brasileira Juliana Peres Magalhães afirmou em depoimento nesta quarta-feira (15) que se voltou contra o ex-amante em um amplo esquema de duplo homicídio envolvendo a esposa dele porque “queria que a verdade viesse à tona”.
Por mais de um ano, a brasileira não falou com autoridades sobre as mortes ocorridas em 2023 de Christine Banfield e Joseph Ryan, nem sobre o suposto envolvimento de Brendan Banfield. Mas, segundo advogados, dias antes do início de seu próprio julgamento criminal, a ex-babá mudou de ideia e passou a colaborar.
Agora, Brendan Banfield enfrenta julgamento por homicídio qualificado da esposa e de Ryan, e o depoimento de Magalhães se tornou peça-chave da acusação. Banfield, que se declarou inocente, pode pegar prisão perpétua se for condenado.
De acordo com a versão apresentada pelas autoridades, Banfield e Magalhães atraíram Ryan para a casa do casal. Em seguida, os dois atiraram nele e montaram a cena para parecer que Ryan era um predador que havia esfaqueado Christine Banfield.
“Eu simplesmente não conseguia mais guardar para mim aquele sentimento de vergonha, culpa e tristeza”, disse ela em juízo, referindo-se à farsa.
A ex-babá foi inicialmente acusada de homicídio em segundo grau pela morte de Ryan, mas depois se declarou culpada de homicídio culposo, após a acusação ser rebaixada.
No tribunal, Magalhães afirmou que ela e Banfield criaram uma conta em nome de Christine Banfield em uma rede social voltada a pessoas interessadas em fetiches sexuais. Por meio desse perfil, Ryan entrou em contato, e os usuários combinaram um encontro sexual que envolveria o uso de uma faca.
Em seu depoimento, ela descreveu o plano de Banfield para matar a esposa e passar o resto da vida com Magalhães, com quem mantinha um caso extraconjugal. Segundo ela, ele passou meses planejando o esquema e tomando medidas para fabricar álibis.
John Carroll, advogado de Banfield, passou boa parte da quarta-feira questionando o depoimento inicial da ex-au pair e os motivos que a levaram a se declarar culpada.
Ele a pressionou sobre quem criou o endereço de e-mail ligado à conta da rede social e onde ela e Brendan Banfield estavam no dia em que a conta foi criada. Magalhães afirmou não se lembrar de quem fez a conta nem de em qual cômodo da casa da família Banfield eles estavam.
O advogado de defesa insistiu repetidamente em perguntas sobre mensagens específicas enviadas pela conta em nome de Christine Banfield. Visivelmente irritada, Magalhães afirmou várias vezes que não tinha certeza sobre quem havia enviado cada mensagem. Em determinado momento, disse a Carroll: “Eu não vou fazer isso”.
Carroll também pediu que Magalhães lesse trechos de cartas que ela escreveu da prisão para Brendan Banfield e outras pessoas. Os textos expressavam depressão e frustração com sua situação. “Sem forças. Sem coragem. Sem esperança”, escreveu ela em um dos trechos.
Magalhães afirmou ainda que sua saúde na prisão e o isolamento de pessoas próximas contribuíram para que decidisse se voltar contra Banfield.
Vestindo um terno cinza e uma gravata listrada, Banfield ocasionalmente levantava o olhar enquanto Magalhães prestava depoimento. A ex-au pair não pareceu retribuir os olhares.
Magalhães será sentenciada ao fim do julgamento de Banfield. Dependendo do nível de cooperação com as autoridades, advogados afirmam que ela pode ser condenada apenas ao tempo que já cumpriu.
Banfield — cuja filha, então com 4 anos, estava na casa na manhã dos assassinatos — também responde por acusações de abuso infantil e crueldade contra criança em conexão com o caso. Ele enfrentará essas acusações durante o julgamento.g1 > Mundo Read More


