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Congressistas dos EUA vão à Dinamarca para tentar acalmar os ânimos em meio a assédio de Trump pela Groenlândia

Congressistas dos EUA vão à Dinamarca para tentar acalmar os ânimos em meio a assédio de Trump pela Groenlândia

 Parlamentares dos EUA se reúnem com autoridades da Dinamarca e Groenlândia
Uma delegação bipartidária de congressistas americanos se reuniu reuniu nesta sexta-feira (16) com os líderes da Dinamarca e da Groenlândia em Copenhague, buscando “amenizar a tensão” em meio às ameaças do presidente Donald Trump de anexar a ilha.
Trump alega que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e às grandes reservas de recursos minerais, e não descartou o uso da força para conquistá-la. Nações europeias enviaram, esta semana, pequenos contingentes militares à ilha a pedido da Dinamarca.
A delegação americana, composta por 11 membros e liderada pelo senador democrata Chris Coons, reuniu-se com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e com o premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, além de parlamentares dinamarqueses e groenlandeses.
“Há muita retórica, mas pouca realidade na discussão atual em Washington”, disse Coons a jornalistas após as reuniões, acrescentando que os legisladores buscariam “amenizar a tensão” ao retornarem para casa.
Trump mencionou pela primeira vez a ideia de adquirir a Groenlândia em 2019, durante seu primeiro mandato, mas enfrenta oposição em Washington, inclusive de membros de seu próprio partido.
Vista de Nuuk, capital da Groenlândia, em 9 de fevereiro de 2025
Sarah Meyssonnier/Reuters
Enviado de Trump vai à Dinamarca
O enviado especial de Trump para a Groenlândia, Jeff Landry, afirmou nesta sexta-feira que planeja visitar o território dinamarquês em março e que acredita que um acordo pode ser fechado.
“Eu acredito que um acordo deve e será fechado assim que essa situação se desenrolar”, disse Landry à Fox News. “O presidente está falando sério. Acho que ele deixou suas intenções claras. Ele disse à Dinamarca o que está buscando.”
Trump afirmou na sexta-feira que pode impor tarifas a países que não apoiarem seu plano, “porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”.
A delegação em Copenhague incluía os senadores republicanos Thom Tillis e Lisa Murkowski, enquanto os demais eram parlamentares democratas.
“Acho importante ressaltar que, quando se pergunta ao povo americano se eles acham que é uma boa ideia os Estados Unidos adquirirem a Groenlândia, a grande maioria, cerca de 75%, dirá que não”, disse Murkowski em uma coletiva de imprensa. “Este senador do Alasca não acha que seja uma boa ideia.”
Parlamentares tanto do Partido Republicano de Trump quanto dos Democratas da oposição afirmaram que apoiariam uma legislação para restringir a capacidade de Trump de anexar a Groenlândia, em meio a uma disputa contínua sobre os poderes de guerra, que a Constituição concede ao Congresso.
Um projeto de lei na Câmara em apoio à anexação da Groenlândia também foi apresentado.
Apenas 17% dos americanos aprovam os esforços do presidente Donald Trump para adquirir a Groenlândia, e grandes maiorias de democratas e republicanos se opõem ao uso da força militar para anexar a ilha, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos. Trump chamou a pesquisa de “falsa”.
Reunião da Casa Branca
A caminho do prédio do parlamento dinamarquês, Christiansborg, onde a bandeira da Groenlândia estava hasteada na escadaria principal, o senador democrata Peter Welch foi questionado se tinha algum conselho sobre como lidar com Trump em relação à Groenlândia.
“Defendam firmemente o seu direito à autodeterminação. Isso é realmente importante. Nós o apoiamos. O presidente não tem o direito de interferir na Groenlândia ou na Dinamarca”, disse ele a repórteres.
Manifestações estavam programadas para ocorrer em cidades dinamarquesas e na capital da Groenlândia, Nuuk, no sábado, em apoio à Groenlândia.
A visita do Congresso ocorreu após uma reunião crucial na Casa Branca na quarta-feira, onde o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, se encontraram com o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente J.D. Vance.
Rasmussen disse na sexta-feira que a reunião com Vance e Rubio foi construtiva, mesmo que os dois lados tenham apresentado versões diferentes após as conversas.
Enquanto a Dinamarca afirmou ter estabelecido linhas vermelhas deixando claro que a Groenlândia não poderia ser anexada, a Casa Branca declarou na quinta-feira que o objetivo de Trump de tomar o controle da ilha permanecia o mesmo.
“Gostaria de encorajar a todos a manter a calma e o coração aberto, e a tentar olhar além do ruído da mídia e das mensagens superficiais, para que o trabalho que definimos em comum possa começar”, disse Rasmussen em uma publicação nas redes sociais.g1 > Mundo Read More