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Trump critica decisão do Reino Unido de ceder arquipélago no Oceano Índico com base militar conjunta: ‘Grande estupidez’

Trump critica decisão do Reino Unido de ceder arquipélago no Oceano Índico com base militar conjunta: ‘Grande estupidez’

 Premiê britânico, Keir Starmer, (à esquerda) e presidente dos EUA, Donald Trump.
Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta terça-feira (20) o Reino Unido por ceder sua soberania sobre as ilhas Chagos, um arquipélago no Oceano Índico. Segundo Trump, a decisão é uma “grande estupidez” e “um ato de total fraqueza” do governo britânico.
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“De forma chocante, nosso “brilhante” aliado da OTAN, o Reino Unido, está atualmente planejando entregar a ilha de Diego Garcia, local de uma base militar vital dos EUA, a Maurício — e fazer isso sem motivo algum. Não há dúvida de que China e Rússia notaram esse ato de total fraqueza. São potências internacionais que só reconhecem FORÇA, razão pela qual os Estados Unidos da América, sob minha liderança, agora, após apenas um ano, são respeitados como nunca antes”, afirmou Trump.
O Reino Unido aceitou em 2024 ceder as ilhas Chagos às Ilhas Maurício, o que dará à ex-colônia britânica o controle sobre o arquipélago. As Ilhas Maurício são um país na costa leste da África e localizado a cerca de dois mil quilômetros de Chagos.
As ilhas Chagos possuem uma base militar conjunta dos Estados Unidos com o Reino Unido, localizada na ilha de Diego Garcia, e são um ponto de abastecimento para aeronaves de ambos os países no Oceano Pacífico. (Leia mais abaixo)
“O Reino Unido abrir mão de terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um em uma longa lista de motivos de Segurança Nacional que explicam por que a Groenlândia precisa ser adquirida. A Dinamarca e seus aliados europeus precisam FAZER A COISA CERTA”, completou Trump.
Ilhas Chagos
O arquipélago de Chagos é um conjunto de seis atóis com mais de 600 ilhas no Oceano Índico, a 500 km ao sul das Maldivas e no meio do caminho entre a África e a Indonésia.
Diego Garcia serve como uma base militar fundamental no oceano Índico para os Estados Unidos e o Reino Unido. Operações recentes lançadas a partir de Diego Garcia incluem bombardeios contra alvos houthis no Iêmen em 2024 e 2025, envio de ajuda humanitária a Gaza e ataques contra alvos do Talibã e da Al-Qaeda no Afeganistão em 2001.
Não há habitantes indígenas —frequentemente chamados de chagossianos ou ilois— vivendo ali desde que o Reino Unido deslocou à força cerca de duas mil pessoas para o local, em sua maioria ex-trabalhadores agrícolas, das ilhas no fim da década de 1960 e início da década de 1970 para estabelecer a base de Diego Garcia. Atualmente, cerca de quatro mil pessoas estão estacionadas nas ilhas.
A China também tem ampliado sua presença na região, incluindo estreitos laços comerciais com Maurício.
Acordo de transferência Reino Unido-Ilhas Maurício
O Reino Unido concordou, em outubro de 2024 e sob crescente pressão internacional, em transferir a soberania das ilhas Chagos para Maurício, uma ex-colônia que conquistou a independência em 1968. O acordo, no entanto, foi criticado internamente por parlamentares e por cidadãos britânicos nascidos em Diego Garcia.
Em maio de 2025, o Reino Unido afirmou que pagaria às Ilhas Maurício 101 milhões de libras (cerca de US$ 136 milhões) por ano, um valor calculado em 3,4 bilhões de libras ao longo da vigência do acordo, para garantir o futuro da base militar de Diego Garcia por meio de um arrendamento de 99 anos.
Na época, os Estados Unidos disseram “acolher o acordo histórico”, elogiando a visão dos líderes de ambos os países. Em fevereiro de 2025, antes da assinatura, Trump também expressou apoio preliminar ao acordo. Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Índia também apoiaram o acordo.
No entanto, ainda em fevereiro de 2025, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, levantou preocupações em sobre possíveis ameaças à segurança americana, especialmente diante da influência da China na região.
O primeiro-ministro de Maurício, Navin Ramgoolam, eleito após o acordo inicial, também questionou o acordo ao assumir o cargo. Ramgoolam queria que Trump analisasse o plano e dissesse se se tratava de um bom arranjo.
Alguns chagossianos, muitos dos quais acabaram vivendo no Reino Unido após serem removidos do arquipélago, protestaram contra o acordo sob o argumento de que não foram consultados.
Kemi Badenoch, líder da oposição no Reino Unido, disse na terça-feira, no X, que o acordo foi um “completo ato de autossabotagem” que tornou “nós e nossos aliados da Otan mais fracos”.g1 > Mundo Read More