Juninho festeja primeiro gol no Pumas e avalia passagem pelo Flamengo: “Quando precisou, eu estava lá”
Juninho diz que deixou Flamengo mais amado do que odiado: “Quando precisou, eu estava lá”
– Quando precisou de mim, eu estava lá.
Essa é a avaliação de Juninho sobre sua passagem pelo Flamengo em uma temporada marcante. Única das apostas do primeiro ano de José Boto à frente do futebol do clube, o atacante chegou sob grande desconfiança, principalmente pelo país do qual chegara – o Azerbaijão – e também por jogar numa posição onde Gabigol reinou de 2019 a 2021. Além disso, Pedro, o homem-gol, estava indisponível por lesão, aumentando a pressão sobre o reforço.
Um ano depois, Juninho rumou ao Pumas, do México. Foram apenas 32 partidas com a camisa do Flamengo, mas três dos quatro gols marcados foram de grande importância no vitorioso 2025 rubro-negro e dão a ele a sensação de dever cumprido. Um apelido nada convencional também o deixou na boca do povo.
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Juninho comemora seu primeiro gol pelo Pumas, do México
Twitter/Pumas
Com um gol em três partidas no México, o mineiro de 29 anos curte o novo desafio. No último domingo, deu à sua equipe o empate por 1 a 1 com o León através de uma bonita cabeçada.
– Foi um gol importante pra mim, ainda mais no início. Estou fazendo agora a minha mini pré-temporada, porque eu vim de um tempo de férias, acho que não tem nem 10 dias que eu estou aqui. Mas fiquei muito feliz pelo gol, e o pessoal daqui é muito apaixonado pelo futebol também. O Pumas é uma equipe muito grande aqui no país e, principalmente em casa, é um estádio que está sempre lotado.
Juninho, ex-Flamengo, marca seu primeiro gol pelo Pumas, do México
O assunto Pumas, claro, apareceu em outros momentos do papo de Juninho com o ge. Mas, como ele deixou o Flamengo recentemente, há muito o que ser dito sobre a passagem de um ano pelo Ninho do Urubu. Fez gols importantes contra Fluminense – na final do Carioca -, Deportivo Táchira – na estreia da Libertadores – e Sport – na reta final da campanha do eneacampeonato brasileiro, em jogo que estava travado para os rubro-negros.
– No meu coração é o seguinte: quando precisou de mim, eu estava lá. É o que eu posso levar. E, querendo ou não, fui um cara que não joguei tanto. Óbvio, entendo também que é um clube repleto de craques, de grandes jogadores que eu sou fã. E fui muito (para o Flamengo) também por eles, para conhecê-los e também por vê-los somente pela TV. Mas sei que os poucos jogos que eu joguei e os poucos gols que eu fiz foram muito importantes para a caminhada de todo o nosso sucesso – afirmou.
Adotado primeiramente pela comemoração que deu à luz o indecente – e divertido – apelido, depois reconhecido pelos gols cruciais feitos ao longo da temporada, Juninho vê saldo positivo na passagem pelo Flamengo. Para ele, o “hate” no início da passagem por chegar de um mercado periférico foi esquecido e deu lugar a um carinho genuíno dos torcedores.
Juninho se diverte com apelido: “Não vou brigar com 50 milhões”
– Eu posso dizer que eu fui muito feliz lá dentro e creio que eu saí pela porta da frente. Não é fácil você chegar no Flamengo hoje, ou até antes também. Quantos jogadores grandes já chegaram ao clube e não conseguiram o amor de todos?
– Então eu posso ter na minha cabeça que eu cheguei um pouco odiado e saí um pouco amado, entende? É melhor você conquistar o amor já sabendo que você já está sendo odiado do que chegar com amor e sair com ódio, entende? Então eu creio que eu saí com respeito de todos.
Juninho foi ovacionado em trio que comemorou o tetra do Flamengo na Libertadores
Gilvan de Souza/Flamengo
O mineiro de Pitangui deixou o Flamengo com quatro faixas no peito (Carioca, Supercopa do Brasil, Brasileiro e Libertadores) e mais duas taças conquistadas durante a disputada da Copa Intercontinental. Acostumado a levantar taças desde o Qarabag, espera repetir o gesto em um clube que não é campeão de nada desde 2011.
– Cara, de verdade? A partir do momento que você encontra essa mentalidade de ser campeão, de ser vencedor, você quer sempre estar vencendo. Então os gols, assistência, essas coisas, são as circunstâncias de tudo de você querer vencer.
– O clube está há 14 anos sem poder vencer e nem chegar às semifinais ou à final. Faz algum tempo, não sei do passado ao certo, mas eu tenho na minha cabeça que eu quero ser campeão, eu tenho na minha cabeça que eu quero chegar na final com o Pumas aqui e tentar representar da melhor maneira possível e sempre estar com essa mentalidade de poder ser campeão.
Confira na íntegra o papo do ge com Juninho:
O que representou para você esse ano de Flamengo?
– Para mim foi um sonho, eu vivi um sonho durante um ano. Posso dizer que eu fui e sou muito realizado por isso. Quando você recebe a oportunidade de estar no Flamengo hoje em dia, não é qualquer jogador que pode estar recebendo essa oportunidade. Óbvio que eu fiquei muito feliz e fui muito feliz, apesar das circunstâncias.
– Mas creio que, por mais que não tenha jogado tanto, eu pude ajudar. O que eu falo de ajudar é no dia a dia, nos treinos, nos jogos. Seja no banco, do lado de fora ou no jogo também. Eu sei que aqueles poucos que entendem de futebol concretamente vão entender que eu fui importante lá dentro. Mas para mim foi um sonho realizado e estou muito feliz, fui muito feliz.
Orgulho de jogar pelo “maior do país” e elogios à torcida
Juninho: “Posso dizer pra minha filha que joguei no maior do país e fui campeão lá”
– Fui em busca de sonho, de ser campeão brasileiro, de ser campeão da Libertadores, acho que é um sonho de qualquer jogador brasileiro. E principalmente de jogar no maior time do país. Então posso falar para meus amigos e para minha filha que eu joguei no maior clube do meu país e fui campeão lá, então é só gratidão mesmo.
– E sobre a torcida, não dá para explicar, só quem está lá dentro, só quem vive aquilo lá que consegue sentir… Não tem nem palavras para descrever de verdade, mas é muita emoção, só quem está lá dentro sabe o que é viver o Flamengo mesmo. E eu posso falar que eu vivi isso e fui muito feliz.
Acha que poderia ter jogado mais pelo Flamengo? Entende que alguém te atrapalhou a jogar menos?
– Eu não vou falar que eu fico chateado, mas eu sei que eu poderia ter ajudado mais. Óbvio, todo jogador precisa de sequência de jogos, comigo não seria diferente. Ainda mais pelo peso com o qual eu cheguei. Eu cheguei num lugar de um cara que estava lá dentro e é ídolo do clube, então fica esse peso em cima de mim, mas não vem ao caso.
– Mas em termos de terem me atrapalhado, não. Pelo contrário, me ajudou muito. Conheci o Pedro, sou fã do Pedro. Conheci o Arrascaeta, sou muito fã do Arrascaeta. Conheci o Bruno, sou muito fã do Bruno. Conheci o Jorginho, entre outros jogadores aqui que se eu ficar falando aqui vai ser quase a metade do time. Então são jogadores vitoriosos, são jogadores grandes.
Juninho tira foto com a multidão no Centro do Rio de Janeiro
Arquivo Pessoal
Merecedor de estar num grupo tão forte
– E só por estar lá, eu fui merecedor. E fiquei muito feliz também de conhecer todos. Fiz boas amizades lá dentro, então eu sei que eu pude ajudar em alguns momentos, quando precisavam de mim, mas em todos os dias eu estava lá treinando, me dedicando, apoiando, ajudando e torcendo. Porque se um vence, eu também vou vencer, independentemente de quem joga ou não.
A comemoração que rendeu o famoso apelido
– Eu já comemorava gol dessa maneira. Mas você sabe como é o futebol brasileiro, que tem a parte da zoação. E, querendo ou não, é importante. Faz parte disso, do espetáculo. A maior torcida do nosso país e, se bobear, do mundo cria um apelido carinhoso (faz o sinal de aspas com a mão).
– Eu acho que é carinhoso, eu não levei para o lado da maldade, não. Aquela coisa é o que eles querem chamar, eles chamaram, e eu não me importo. É óbvio que a comemoração é para a minha família, o Vieira. Então é pra mim, eu sei o que é a minha comemoração. Mas se os torcedores criaram isso – e é normal a zoação no futebol, principalmente no nosso futebol brasileiro – e se é uma coisa que eles ficam felizes e acham engraçada, que faz me reconhecer, vou fazer o quê? Sou eu que vou brigar com, sei lá, 50 milhões, 45 milhões? Não, não vou ser eu, não (risos). Então, deixa a zoar à vontade.
Flamengo se despede de Juninho
Reprodução
Adaptação ao México
Juninho fala do primeiro gol no México e sobre adaptação
– Estou sofrendo um pouco agora por exemplo nos treinos, porque aqui no México tem altitude. E nós não estamos acostumados com isso. E às vezes é um pouco abafado também, isso dificulta um pouco a minha situação. Agora, sobre o idioma, também está sendo um pouquinho complicado eles me entenderem. Dá para entendê-los bem, mas eles pra me entenderem que é um pouco complicado. Não fechou duas semanas ainda, com o tempo vai dar certo.
O futebol mexicano paga bem. Além do desafio esportivo, você conseguiu manter o padrão financeiro ou recebeu uma proposta ainda melhor?
– Antes de qualquer coisa, eu vim para o Flamengo porque era o Flamengo. Nem pensei no dinheiro, nem foi nada disso, não. Foi pelo Flamengo mesmo. E, lógico, também para ser campeão, esse foi o meu foco maior. Graças a Deus consegui. E agora, sobre o México, eu vim também pela oportunidade, por novos ares também, eu precisava jogar.
– Óbvio que a questão financeira também é importante, tenho filha, família, penso no meu futuro. Eu gosto de desafios. Quando o treinador me ligou, eu gostei da ideia dele, do plano dele, ainda mais porque é um clube que está há muitos anos sem vencer. Eu gosto de desafios, eu quis vir pra cá pra seguir essa jornada.
Pelo que você ouviu, o Pumas é um clube que dá a possibilidade de conquistar títulos?
– É um dos clubes maiores do país, com certeza já me dá essa possibilidade. Agora, em questão do grupo, eu não estou 100% junto com eles. Falo assim sobre conhecer todos, isso vai levar algum tempo. Mas eu vejo que, pelo início, já se passaram três jogos, estamos invictos e acho que é um time que tem possibilidade, sim, de chegar. Óbvio que o peso da camisa também ajuda, e todo jogador que está no clube tem que saber disso.
Você agora divide vestiário com uma estrela como o goleiro Keylor Navas, ex-Real Madrid. Como é estar ao lado dele?
Juninho exalta Navas e o compara a Jorginho, Danilo e Alex Sandro
– É um cara multicampeão, né? Tem três Ligas dos Campeões, se eu não me engano, não sei quantos Mundiais. É um cara vencedor, e só de estar com um jogador desse nível já mostra que o clube está pensando grande. O Navas é um cara profissional, apesar da idade. Como também tem outros jogadores no Flamengo que eu posso citar nomes, Jorginho, Danilo, Alex Sandro. Esse pessoal que sempre esteve em alto nível. É outro tipo de conversa, é outro tipo de entendimento de futebol. E não é à toa que eles ficaram nesses grandes clubes muitos anos, foram campeões muitas vezes.
– E o Navas é um cara super-humano, super do bem, e creio que também vou aprender muito com ele, tento sempre estar ouvindo o que ele diz, porque é um cara que esteve com os melhores. Então, para mim, fico muito feliz de ter um cara desse do meu lado.
Ida ao México por taças e não somente por dinheiro
– Não é o dinheiro, não é quantos gols você faz, mas sim o que você coloca no peito, a tua medalha depois, o reconhecimento… E foi o que aconteceu no Flamengo. Fico feliz só de saber que qualquer pessoa que for lá no Flamengo vai ver minha foto, entende? E para um cara saiu do maior time do Azerbaijão e depois voltar para o teu país e representar o maior time, que é a potência hoje do meu país ou até então da América…
– Então fui muito realizado, eu eu quero manter esse mesmo padrão de mentalidade e ser campeão. Então já estou nessa sequência de ser campeão no Azerbaijão, fazendo história no Qarabag. Depois eu vou para o Flamengo, continuo fazendo história no Flamengo, e agora por que não sonhar aqui? Então acho que é o meu foco maior é ser campeão e tentar colocar esse clube no mais alto possível.
Reencontro com algum rival brasileiro no Intercontinental nos planos
– E quem sabe pegar algum clube brasileiro (no Intercontinental). Como Cruz Azul foi para o Mundial, por que eu não poderia sonhar ir para o Mundial com o Pumas e pegar um brasileiro nas semifinais? É o que eu imagino, é o que eu quero, e torço para isso. E acho que eu estou com a mentalidade muito forte. Não só eu, não depende só de mim, dos meus companheiros também, mas creio que estão todos nessa linha de raciocínio. Então acho que o meu maior foco aqui no clube nesse momento é tentar ser campeão.
Juninho comemora seu primeiro gol pelo Pumas, do México
Twitter/Pumas geRead More


