Análise: rebaixamento parece ser o destino inevitável para uma Ponte Preta sem rumo
Ponte Preta 0 x 1 São Bernardo | Melhores momentos | 4ª rodada | Campeonato Paulista 2026
Sem vencer, sem pontuar, sem marcar um gol sequer. Sem rumo. A campanha da Ponte Preta até agora no Paulistão caminha para um desfecho que parece inevitável em meio ao caos extracampo que o clube vive e que reflete dentro de campo: o rebaixamento para a Série A2.
Contra o São Bernardo, a Ponte escreveu outro capítulo negativo na triste rotina alvinegra em 2026. Com a derrota por 1 a 0 no Majestoso, o time perdeu pela quarta vez em quatro jogos e se afundou mais ainda na lanterna, complicando de vez a permanência na elite estadual.
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A expectativa de que a situação poderia começar a mudar a partir das inscrições dos reforços após a queda do transfer ban (estrearam, já entre os titulares, os zagueiros Lucas Cunha e David Braz, o volante Tárik, o meia Cristiano e o atacante Vitor Pernambuco, enquanto o goleiro Thiago Coelho ficou no banco, e o lateral-direito Lucas Justen ainda não foi registrado por causa de um problema físico) durou apenas quatro minutos.
Ponte sofre a quarta derrota em quatro jogos no Paulistão
Júlio Cesar Costa/ PontePress
Foi o tempo que o São Bernardo precisou para se aproveitar da falta de entrosamento da defesa alvinegra para marcar com Romisson, livre na pequena área, após jogada pela direita de Pedro Vitor, também sem ser incomodado pela marcação.
Ainda que o restante do jogo tenha sido equilibrado, o São Bernardo conseguiu controlar a vantagem de forma segura diante de uma Ponte praticamente inofensiva.
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As poucas vezes que a Macaca chegou efetivamente foram em bolas paradas ou bolas que sobraram, como o chute de Júlio que acertou a trave nos acréscimos do segundo tempo, na única chance real da equipe durante todo o segundo tempo – o time também teve um gol anulado de Bruno Lopes por impedimento na primeira etapa.
Mas a exemplo do que já foi falado contra Corinthians, Velo Clube e Capivariano, jogadores e comissão técnica são os menos responsáveis pela situação dramática.
Em meio às limitações técnicas e também de opções, eles correm, tentam, se entregam. Mas o esforço tem sido insuficiente diante dos problemas nos bastidores. Não há disposição que resista a seguidos desmandos.
Se o transfer ban caiu, os salários atrasados, por exemplo, persistem. As pendências se arrastam desde 2025, quando o elenco conseguiu superar as questões extracampo para conquistar o título da Série C do Brasileiro, e impactaram diretamente a preparação alvinegra para o Paulistão.
Lance de Ponte x São Bernardo
Júlio Cesar Costa/ PontePress
Durante a pré-temporada, foram quase duas semanas de suspensão dos treinos em protesto. Hoje, o reflexo da paralisação é nítido na parte física. A crise financeira também causou saídas.
Seis jogadores que chegaram deixaram o clube antes mesmo de estrear (os zagueiros Wallisson Maia e Wallace, os laterais Gabriel Inocêncio e Bryan Borges, o volante Pedro Martins e o atacante Hebert), além dos volantes Luiz Felipe e Léo Oliveira antes do início do Paulistão.
Já com a competição em andamento, Serginho foi embora, enquanto Jeh acabou vendido para o futebol turco diante da urgência de fazer caixa imediatamente, e Elvis, capitão e ídolo da torcida, virou desfalque para a sequência do estadual após adotar tom de despedida no vestiário após o jogo contra o Capivariano, no último sábado. São 11 baixas ao todo – um time inteiro.
A própria estreia das novas contratações evidencia a falta de planejamento. Inicialmente, os reforços não estavam entre os relacionados e acabaram chamados às pressas para se juntar ao elenco na concentração diante da possibilidade de liberação do transfer ban.
Situação da Ponte é delicada na luta contra o rebaixamento
Júlio Cesar Costa/ PontePress
O próprio técnico Marcelo Fernandes revelou na entrevista coletiva após o jogo contra o São Bernardo que chegou a treinar dois times diferentes na véspera por não saber com quem poderia contar: se teria as contratações à disposição ou teria de novamente mesclar os pouco remanescentes de 2025 com a garotada da base que tem sido jogada aos leões diante da necessidade de completar o time – a Ponte chegou a ter apenas 10 jogadores à disposição entre os inscritos na lista principal.
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Em um dos desabafos, Marcelo Fernandes disse que a “bola pune”. E a Ponte tem sido punida pelos problemas extracampo que sufocam e corroem o futebol dentro das quatro linhas, aproximando o clube do terceiro rebaixamento desde 2022, quando o atual grupo político assumiu sob o comando de Marco Antonio Eberlin – seria o segundo apenas no Paulistão, além de cair na Série B em 2024.
Estima-se que sejam necessários de sete a oito ponto para evitar a queda. Restam 12 em disputa. Mas, hoje, a Ponte precisa de muito além de pontos para sair do colapso anunciado que entrou.
A não ser que uma reviravolta aconteça na segunda metade da primeira fase, disputar a Série A2 de 2027 parece ser o inevitável destino da Ponte. geRead More


