Antes de reunião histórica, Rússia deixa claro: não haverá concessões sobre o Donbas
O Kremlin sinalizou que não haverá flexibilização de suas exigências territoriais antes das negociações entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, previstas para ocorrer nesta sexta-feira (23) em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. A posição foi reafirmada após uma reunião entre o presidente russo Vladimir Putin e uma delegação da Casa Branca, realizada em Moscou. As informações são da Radio Free Europe.
As conversas em Abu Dhabi devem marcar o primeiro encontro trilateral entre os três países desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022. Segundo autoridades, o foco principal será a segurança regional e os desdobramentos da guerra, considerada a maior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Soldado das forças ucranianas na região de Donbass (Foto: WikiCommons)
Antes do encontro, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a defender que as forças ucranianas se retirem das áreas do Donbas ainda sob controle de Kiev. A região, que inclui Donetsk e Luhansk, é considerada estratégica por Moscou e permanece no centro das disputas diplomáticas e militares.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy confirmou que o tema territorial estará na mesa de negociações e classificou o Donbas como uma questão central para qualquer avanço. Ele também destacou que as conversas devem se estender até o dia 24 de janeiro.
Apesar de afirmar estar interessada em uma solução diplomática, a Rússia reiterou que continuará perseguindo seus objetivos militares enquanto não houver um acordo. Segundo assessores do Kremlin, Moscou acredita manter a iniciativa estratégica no campo de batalha.
Os Estados Unidos participam das negociações por meio do enviado especial Steve Witkoff, enquanto Trump tenta consolidar um papel de mediador no conflito desde o início de seu segundo mandato. Ainda assim, divergências sobre garantias de segurança, presença da Otan e controle de territórios ocupados seguem como obstáculos para um acordo duradouro.
A Ucrânia, por sua vez, afirma que ceder áreas do Donbas significaria recompensar a agressão russa e enfraquecer sua capacidade de defesa frente a possíveis novos ataques.


