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Pacaembu fatura abaixo da meta e tenta não virar “elefante branco” após receber só nove jogos em 2025

Pacaembu fatura abaixo da meta e tenta não virar “elefante branco” após receber só nove jogos em 2025

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Centenas de torcedores assistiram o Cruzeiro campeão da Copinha, sobre o São Paulo, na Arena Mercado Livre Pacaembu, na manhã de domingo. Passado um ano desde a reabertura pós-reforma, enchendo as arquibancadas pela primeira vez em 2026, o complexo abre o ano com uma meta clara: não se transformar em um novo “elefante branco”.
Sem Santos e São Paulo em 2025, o Pacaembu encontrou pouca adesão no futebol profissional, com nove partidas disputadas, e ocupou o calendário de outra forma: 75,4% dos 146 eventos sediados no complexo não tiveram ligação com o esporte. Entre shows, ativações de marca e eventos, a administração diz que fechou o ano com R$ 104 milhões de faturamento.
– A gente vai trabalhar os primeiros 12 anos para começar a ter retorno – explicou o diretor estatutário Rafael Carvalho.
– Para não ter prejuízo operacional, pagar as contas, equipe, luz, seguros, precisa de um faturamento de R$ 150 milhões por ano. Não chegamos lá ainda, mas a expectativa é que em 2026 a gente consiga fechar essa conta.
O ge voltou ao complexo para mostrar faturamento, dívidas, as novas obras, os planos de agenda esportiva e o que falta entregar. A administradora estuda, inclusive, alternativas ao gramado sintético no estádio.
Estádio do Pacaembu
Marlon Costa/AGIF
Os 141 eventos sediados no complexo em 2025
Evento privado: 51
Evento esportivo: 34
Shows: 13
Jogo de futebol festivo: 10
Jogo de futebol profissional: 9
Jogo de futebol amador: 9
Ativação de marca: 8
Treino de futebol: 5
Jogo de futebol de base: 3
Feira: 3
Exposição: 1
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Camila Alves
Gramado sintético?
O Pacaembu se apoia na localização estratégica, mas inicia 2026 com o desafio de se reinserir como palco relevante no futebol paulista. Havia assinado termos de cooperação com Santos e São Paulo, mas os protestos de Neymar e Lucas contra o gramado sintético distanciaram os clubes do estádio.
É em meio a este cenário que o diretor admite estudar alternativas. Entre elas, o uso de grama natural, como fizeram os Estados Unidos na Copa América, ou mesmo a troca da gramado artificial ao fim da vida útil. Isso, contudo, se houver demanda.
– Se tiver 20, 30 jogos garantidos de futebol profissional, vale a pena trocar o sistema quando este não estiver nas melhores condições. A gente viu movimentos interessantes na Copa América também, de estádios adaptados para competição. É uma coisa que estamos estudando e uma decisão que vai ser tomada no futuro – afirmou.
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É preciso demanda porque há uma questão financeira envolvida, considerando a retomada dos shows após mais de 20 anos no estádio.
– Se pensar em geração de receita, o gramado natural custa R$ 2 milhões o sistema, você vai gastar uns R$ 150 mil a R$ 200 mil por mês para manter, e todo grande evento pode precisar de reparo. A alocação do estádio, tradicionalmente, não é muito alta – explicou Carvalho.
No Pacaembu, segundo o diretor, os clubes pagam cerca de R$ 250 mil de aluguel – R$ 125 mil no caso do futebol feminino, com desconto de 50% por apoio à modalidade –, enquanto os shows custam cinco vezes mais: R$ 1,25 milhão para usar o espaço.
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É assim que terminou 2025 com nove partidas do futebol profissional, oito jogos festivos, três de base e nove do futebol amador, além de cinco treinos.
A Portuguesa assumiu a maior parte dos jogos e estaria nos planos da Allegra para voltar ao estádio em 2026, mas diz que o custo mais alto que o Canindé, agora com as obras adiadas e para receber cerca de 2.500 torcedores, não compensava.
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Perguntando se o número de partidas terminou sendo abaixo do esperado, Rafael Carvalho nega.
O futebol profissional veio aqui no número de jogos que a gente imaginava receber.
– Tem outros jogos que foram interessantes. A ideia é que a agenda esportiva sempre tenha um lugar especial, mas não necessariamente só com futebol profissional. Sempre vai ser prioritário, importante, mas temos estudado eventos para a Confederação Brasileira de Skate, de Desporto Aquático, de Atletismo – explicou o diretor.
São confederações com as quais a Allegra tem termos de cooperação assinados para levar competições ao complexo, com expectativa de ultrapassar os 200 eventos em 2026.
Mundial Vôlei Feminino no Ginásio Pacaembu
Volleyball World
Faturamento e dívidas: quando se paga?
Rafael Carvalho aponta o faturamento de R$ 104 milhões como dentro do esperado para o primeiro ano pós-reforma, com uma projeção ascendente e fluxo estável somente nos R$ 300 milhões por ano.
Isso porque, dos R$ 800 milhões investidos na obra, parte é financiada. Em 2025, de acordo com o diretor, foi preciso pagar cerca de R$ 80 milhões em juros, R$ 40 milhões em custo de operação e manutenção, além da outorga variável, de 2% do faturamento para a prefeitura de São Paulo.
Em dezembro, o portal Metrópoles divulgou haver uma dívida da Allegra de R$ 17 milhões com 94 fornecedores em 468 protestos em cartórios. Esse número está em queda. São 428 em janeiro, para uma dívida de R$ 13,9 milhões e há 12 que foram pagos e têm autorização para cancelamento.
A administradora diz que no ano passado uma auditoria interna identificou possíveis divergências de valores e serviços que demandaram a interrupção dos pagamentos, mas que seriam retomados após os esclarecimentos prestados.
Troféu da Copinha 2026
Diego Soares/Ag.Paulistão
O que falta entregar?
Em estrutura, a maior parte do complexo está em funcionamento: o estádio, o centro de tênis, a piscina, o ginásio, que recebeu o Mundial de Clubes de Vôlei Feminino, e alguns estabelecimentos comerciais – no caso da sorveteria, uma loja de roupa e uma loja da Panini. Em 2026, serão inaugurados um café e uma academia.
Ainda em obras, o edifício multiuso – localizado onde estava o demolido tobogã – finalizou os blocos central e oeste. A administradora entrega a estrutura com as instalações, mas os parceiros terminam a parte interna. Então o hotel, por exemplo, que estaria pronto no segundo semestre de 2025, está com o prédio finalizado, mas ainda fora de funcionamento.
Bloco leste do edifício multiuso no complexo do Pacaembu ainda será erguido
Camila Alves
O bloco leste ainda falta ser finalizado. Ele é o que está ao lado da quadra de tênis e precisou de uma mudança no projeto que atrasou as obras: foi preciso prever e fazer reforço na estrutura para suportar os equipamentos do centro de medicina e reabilitação esportiva que será instalado no local.
– Muito provavelmente o centro de reabilitação esportiva vai ser o último a entrar em operação – disse Rafael Carvalho, que espera encerrar 2026 com “quase tudo” em funcionamento.
Bloco leste do edifício multiuso no complexo do Pacaembu ainda será erguido
Camila Alves
E o alagamento do campo?
Quando recebeu a final da Taça das Favelas em evento-teste no fim de 2024, o Pacaembu precisou administrar um alagamento que invadiu a alameda leste, o campo e atraiu as atenções durante a partida.
Um ano depois, a administradora explica que houve um entupimento de uma rede de drenagem, que faz parte da infraestrutura da cidade, e com a chuva os “postos de visita” tiveram refluxo da água que alagou a alameda do estádio.
Água descendo após alagamento da Alameda Leste na Mercado Livre Arena Pacaembu
Camila Alves
O Pacaembu fez uma obra emergencial na época para trocar a tubulação e agora usa um robô para checagens que evitem novo problema.
– Fizemos a demolição do piso de concreto, que foi escavado para acessas as galerias a 4 ou 5 metros de profundidade, para refazer a tubulação. Trocamos o sistema, de dutos de PVC com anéis metálicos, por uma metodologia metálica, mais resistente.
– Agora, como em todos os espaços, a gente faz manutenções periódicas, mas com um robozinho que anda dentro da tubulação. É um duto grande, em alguns momentos tem 1,60m, em outros tem 1,80m, dá para caminhar dentro, mas no dia a dia é mais fácil descer com esse robô, um veículo com câmera que mostra a infraestrutura.
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