Acidente entre avião e helicóptero do Exército que matou 67 pessoas em Washington foi resultado de ‘infinidade de erros’, diz órgão
Trump faz pronunciamento sobre colisão entre avião e helicóptero em Washington
O acidente entre um avião comercial da American Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército americano, que matou 67 pessoas em Washington, em janeiro do ano passado, foi resultado de ‘infinidade de erros’, segundo o Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB).
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O NTSB deve entregar em breve dezenas de propostas para que acidentes semelhantes não se repitam. Segundo o órgão, desde 2021, ocorreram 15.200 incidentes relacionados à distância entre aeronaves perto do Aeroporto Reagan entre aviões comerciais e helicópteros, incluindo 85 situações de quase colisão.
No caso da tragadia de 2025, a altitude máxima permitida para a rota do helicóptero era de 61 metros, mas a colisão ocorreu a uma altitude de quase 91 metros.
O acidente sobre o rio Potomac, perto do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington, foi o desastre aéreo mais mortal dos EUA em mais de 20 anos.
O NTSB revelou no ano passado que, em 2022, membros de um grupo de trabalho de tráfego aéreo da FAA haviam recomendado o desvio do tráfego de helicópteros do aeroporto Reagan e o estabelecimento de “pontos críticos” aéreos, mas a proposta foi rejeitada por ser considerada “muito política”.
Em dezembro, o Departamento de Justiça afirmou que o governo federal era responsável pelo acidente. O governo admitiu que “tinha o dever de cuidado para com os demandantes, dever esse que violou, causando, assim, o trágico acidente” e que os pilotos do helicóptero do Exército e do jato regional “não mantiveram a vigilância necessária para se verem e evitarem”.
Equipes recuperam destroços de aeronave no rio Potomac, em Washington, após a colisão do voo 5342 da American Airlines com um helicóptero militar
Carlos Barria/Reuters
O que dizia relatório preliminar
Um relatório preliminar da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) indica que a equipe da torre de controle do Aeroporto Ronald Reagan operava sob condições anormais no momento da colisão entre um avião e um helicóptero. As informações foram reveladas pelo jornal “The New York Times”.
O acidente aconteceu em janeiro de 2025, em Washington, D.C., e envolveu um avião da American Airlines e um helicóptero do Exército dos Estados Unidos. Ao todo, 64 pessoas estavam no jato comercial, e três na aeronave militar. Não há sobreviventes, segundo as autoridades.
Segundo o jornal “The New York Times”, os primeiros dados coletados pela FAA (indicam que a equipe da torre de controle do aeroporto onde o avião deveria pousar “não era normal para a hora do dia e o volume de tráfego”.
A falta de controladores de voo nos EUA era um problema há muito comentado pela FAA.
Acidente entre avião e helicóptero nos EUA: Veja conversas entre controladores de tráfego aéreo do aeroporto
O jornal informou que, no dia do acidente, o controlador responsável pelos helicópteros nas proximidades do aeroporto também estava instruindo aviões que iriam pousar ou decolar do terminal. As operações deveriam ser conduzidas por pelo menos dois controladores, segundo a reportagem.
O “NYT” afirmou ainda que o fato aumentou a carga de trabalho do controlador, o que pode complicar as operações de instrução. Isso porque o funcionário usa frequências diferentes para se comunicar com pilotos de avião e de helicópteros.
Desta forma, segundo o jornal, os pilotos das duas aeronaves que se chocaram podem não ter se ouvido por meio da torre de controle, já que utilizavam frequências diferentes para se comunicar com o aeroporto.
A reportagem cita ainda que a torre do Aeroporto Ronald Reagan enfrenta problemas com falta de pessoal há anos. Relatórios recentes apontam que, enquanto a FAA e os sindicatos determinam uma meta de 30 controladores no local, apenas 19 estavam certificados em setembro de 2023.
Por fim, o jornal revelou que, devido à escassez de pessoal, alguns funcionários chegaram a trabalhar até 10 horas por dia, seis dias por semana.
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Conversa entre controladores
GIF mostra a colisão entre avião comercial e helicóptero militar em Washington, nos Estados Unidos
Reprodução
O áudio do controle de tráfego aéreo registrou os momentos de antes e depois da colisão aérea entre o avião comercial e o helicóptero militar.
A gravação do LiveATC.net, uma fonte respeitada para gravações de voos, obtido pela agência Reuters, capturou as comunicações finais entre os três membros da tripulação do helicóptero — sinal de chamada PAT25 — antes de colidir com o jato Bombardier CRJ700.
“PAT25, você tem um CRJ à vista? PAT25, passe atrás do CRJ”, disse um controlador de tráfego aéreo às 20h47 de quarta-feira, no horário local.
Poucos segundos depois, outra aeronave entrou em contato com o controle de tráfego aéreo, dizendo: “Tower, você viu isso?” — aparentemente referindo-se à colisão. Um controlador de tráfego aéreo, então, redirecionou os aviões que se dirigiam à pista 33 do Aeroporto Nacional Reagan para realizar um contorno.
A explosão no ar aconteceu sobre o gelado rio Potomac, perto do aeroporto.
“Bateu, bateu, bateu, isso é um alerta três”, pode-se ouvir um dos controladores de tráfego aéreo dizendo no áudio, próximo ao momento da colisão.
“Não sei se você ouviu o que aconteceu antes, mas houve uma colisão na aproximação para a 33. Vamos parar as operações por tempo indeterminado”, comentou outro controlador. “Tanto o helicóptero quanto o avião caíram no rio”, pode-se ouvir um terceiro controlador dizendo. “Provavelmente estava no meio do rio.”
“Eu só vi uma bola de fogo e depois desapareceu. Não vi mais nada desde que eles atingiram o rio. Mas era um CRJ e um helicóptero que colidiram.”
A agência de notícias Associated Press (AP) afirmou que o helicóptero fazia um voo de treinamento no momento do acidente.
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