Na mira da Polícia: os três inquéritos que apuram possíveis irregularidades no São Paulo
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O São Paulo ganhou, nos últimos meses, as páginas policiais. Desde o ano passado, a Polícia Civil, que agora forma uma força-tarefa com o Ministério Público, investiga possíveis irregularidades cometidas por diretores do clube na gestão do então presidente Julio Casares, de 2021 a janeiro de 2026.
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Neste momento, a Polícia Civil e o MP conduzem três inquéritos distintos. Todos tratam o São Paulo como vítima de possíveis esquemas. As investigações apuram se dirigentes, nos últimos anos, praticaram atos que lesaram o clube.
Os três inquéritos listados abaixo ainda estão em fase de aprofundamento, em razão do grande número de indícios de práticas que teriam lesado o São Paulo e da quantidade de pessoas envolvidas:
Possível lavagem de capitais;
O caso de exploração clandestina de um camarote do Morumbis;
Possível corrupção no clube social.
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O primeiro inquérito foi aberto após uma denúncia anônima, para investigar possível lavagem de capitais. Nele, a Polícia Civil e o Ministério Público apuram, principalmente, dois fatos diferentes: R$ 11 milhões sacados das contas do São Paulo e R$ 1,5 milhão depositado em contas do então presidente Julio Casares. Não há, neste momento, relação entre os valores.
Os saques realizados das contas do São Paulo foram feitos desta maneira, quase todos com o auxílio de um carro forte:
Em 2021, sete saques totalizaram R$ 1,5 milhão;
Em 2022, R$ 1,2 milhão em seis saques;
Em 2023, R$ 1,4 milhão em seis saques;
Em 2024, R$ 5,2 milhões em 11 saques;
E, em 2025, R$ 1,7 milhão em cinco saques.
O São Paulo entregou à Polícia Civil, na última segunda-feira, comprovantes de gastos dos R$ 11 milhões. O clube alega que tem como provar para onde foram esses valores, usados, em sua maioria, para pagar despesas de jogos, bichos de jogadores e até direitos de imagem em alguns casos.
Em um documento enviado ao Conselho Deliberativo no início de janeiro, Julio Casares justificou os gastos da mesma maneira. Disse que a grande maioria do valor foi para despesas operacionais de jogos e o resto para premiação de jogadores. A força-tarefa policial analisa as provas entregues pelo São Paulo.
No mesmo inquérito, Julio Casares tenta justificar a origem de R$ 1,5 milhão que foi depositado em suas contas.
A defesa de Casares sustenta que o dinheiro depositado pertence ao próprio ex-presidente e foi acumulado ao longo de sua trajetória profissional fora do clube. Segundo seu advogado, o ex-dirigente teve uma carreira bem remunerada na iniciativa privada antes de assumir a presidência do São Paulo e optou por depositar os valores de forma gradual após chegar ao cargo.
O camarote
Outro inquérito conduzido pela Polícia Civil e pelo Ministério Público tem como alvo a exploração clandestina de um camarote no Morumbis.
Em 15 de dezembro do ano passado, o ge revelou que Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e diretora feminina, cultural e de eventos, participavam de um esquema que lesava o clube.
Douglas Schwartzmann e Julio Casares, dirigentes do São Paulo
Rubens Chiri / São Paulo FC
O Ministério Público, depois da publicação do ge, solicitou à Polícia Civil a abertura de um novo inquérito. E o pedido foi acatado.
Passou a ser investigado, então, mais um caso: o de exploração clandestina de um camarote no Morumbis. Este inquérito também apura possível coação de Douglas e Mara contra Rita de Cássia Adriana Prado, a terceira pessoa na ligação à qual o ge teve acesso.
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem – disse Douglas a Rita de Cassia Adriana Prado.
Durante 44 minutos, os diretores do São Paulo tentam convencer a intermediária a retirar um processo contra uma empresa que havia contratado o camarote explorado clandestinamente para o show da Shakira, em fevereiro de 2025.
Na última sexta-feira, como revelou o Uol, a empresa de Adriana protocolou a desistência do processo que havia aberto contra a Cassemiro Eventos Ltda. Nesta quinta, o pedido foi acatado pela Justiça, como apurado pelo ge. O briga cível, portanto, não existe mais. Justamente como desejavam Douglas e Mara.
O clube social
Na última quinta-feira, a força-tarefa instaurou um novo inquérito. Este irá apurar indícios de corrupção no departamento social do São Paulo. O alvo é António Donizete Gonçalves, ex-diretor social do clube e conhecido por Dedé.
Ele teria oferecido vantagens dentro do clube a uma pessoa. A Polícia Civil recebeu e investiga um áudio em que Dedé fala sobre condições para se abrir um negócio no São Paulo.
Neste momento, estes são os três inquéritos criminais conduzidos pela força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. É importante lembrar que todos tratam o São Paulo como vítima.
Morumbis, estádio do São Paulo
Marlon Costa/AGIF
Inquérito civil
Paralelamente às apurações criminais, o Ministério Público conduz, também, por meio da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, um inquérito civil no qual apura possível gestão temerária durante o mandato do ex-presidente Julio Casares.
A investigação se baseia em possíveis “atos administrativos com potencial dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes, e eventual utilização de recursos públicos ou benefícios fiscais, com risco de violação de direitos coletivos de relevante interesse social e lesão ao erário”, segundo o documento.
A abertura do inquérito foi feita em 7 de janeiro, com o prazo de 30 dias para a apresentação de documentos e provas para o prosseguimento do processo, que tramita na vara cível.
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