Danielzinho revela hobby curioso, assume liderança no São Paulo e exalta Rafinha: “Impõe respeito”
Danielzinho, do São Paulo, comenta diferenças do interior e da cidade grande
— Se me achar nas redes sociais, é fake, já aviso logo (risos).
Nascido em Nova Independência, cidade com menos de cinco mil habitantes localizada a 657 quilômetros da capital paulista, Danielzinho vive uma vida discreta e foge dos padrões de um jogador de elite do futebol brasileiro.
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Aos 31 anos, o volante que fez o Morumbis explodir na última quarta-feira com o segundo gol da vitória do São Paulo contra o Flamengo, pela estreia do Campeonato Brasileiro, descarta ter redes sociais e ainda sente falta de certas peculiaridades do interior, como comer um lanche com amigos em alguma praça.
— É um mundo muito diferente. O ritmo da cidade, as coisas… De segunda a segunda tem todas as opções. Eu sou um cara muito tranquilo, não sou de ficar saindo. Procuro fazer tudo mais próximo de onde eu moro. Se conseguir fazer tudo próximo, eu fico por ali mesmo. Tem que tomar um pouco de cuidado, né? Selecionar os lugares para ir. Também pela exposição. A cidade é mais perigosa. No interior você vai na praça, come lanche, encontra torcedor… É bem mais tranquilo. Aqui a gente toma um pouco mais de cuidado, mas dá para viver bem — contou o jogador em entrevista concedida ao ge.
— Não gosto de me expor, já tem muita gente para me expor. Eu não acredito que tudo que postam nas redes sociais é 100% verdadeiro. É um mundo ilusório. Para o meu estilo de vida, para o que eu penso sobre a vida não me agrega nada. Não faz diferença. Cheguei ao São Paulo sem precisar de rede social. Nunca me fez diferença. Nunca tive interesse de ter rede social. Minha esposa tem Instagram. Quando preciso ver alguma coisa para ter referência eu vejo no dela — acrescentou.
Danielzinho se destaca no meio de campo do São Paulo no início da temporada de 2026
Vitor Chicarolli
Com passagens por clubes do interior como Mirassol e Novorizontino, Danielzinho revelou que troca o futebol pelo rodeio durante a folga. O meio-campista teve a oportunidade de seguir os passos dos tios, mas ouviu conselho de seu avô e focou em evoluir nos gramados.
— Eu amo rodeio. Gosto muito de assistir quando estou indo para jogo. Até nos tempos de Mirassol, nas viagens de ônibus, eu assistia rodeio e os meninos falavam: “Poxa, está assistindo rodeio?”. É o que eu gosto de ver, melhor que ficar nas redes sociais vendo besteira — disse.
— Na época, o rodeio falava mais alto. Aí minha família… Os tios todos eram cowboys, peões de rodeio. Era a referência que a gente tinha, por ter a oportunidade de estar sempre numa fazenda, num sítio. Meus amigos mexiam com gado. Eu tentei, mas não me profissionalizei, era muito novo, mas montava nas fazendas, com chapéu e tudo.
— Até que chegou um tempo que comecei a me interessar por futebol. Eu tinha meu avô, que acabei perdendo na época. Pouco antes de falecer, ele me fez esse pedido. Ele viu os filhos dele como chegavam em casa. Às vezes treinavam em fazenda e se machucavam. Era muito arriscado. Aí ele chegou para mim e pediu que não fosse adiante no rodeio. Pediu para que eu seguisse no futebol, porque eu tinha talento. Fiquei com isso na minha cabeça, foi uma questão de honrar o pedido do meu avô. Aposentei as tralhas de rodeio e segui com a chuteira — concluiu.
Danielzinho, meio-campo do São Paulo, sonhava em ser um cowboy
Se por um lado a adaptação à cidade grande não é das mais fáceis para Danielzinho, os primeiros dias no CT da Barra Funda foram positivos. Contratado após temporada de sucesso no Mirassol, o camisa 94 do Tricolor assumiu um papel de líder no vestiário e se sente ambientado no clube.
— Eu acho que a liderança não se faz. O líder nasce líder, aí você desenvolve. Isso é um talento e um dom que Deus me deu. Claro, você vai chegar ao São Paulo e ver o nível dos atletas que tem aqui, o tempo de casa dos atletas. Você precisa respeitar o espaço de cada um, mas também sempre buscando seu espaço. Estou sendo eu mesmo. A maior liderança, o maior exemplo que você pode dar como líder é no dia a dia, pela sua dedicação, seu profissionalismo, disciplina, os atletas começam a te enxergar de uma forma diferente. Aí você conquista o respeito — destrinchou Danielzinho.
— O respeito você não consegue comprar, ele é conquistado. Você precisa provar todos os dias que você é capaz de ajudar e liderar. Mesmo dentro de campo, jogando ou não, de alguma forma você vai agregar valores para o elenco. Está sendo muito bom esse lado de liderança, com todos os líderes que já tem. Luciano, Calleri, Lucas, Arboleda, o Rafa… Eu só estou agregando aquilo que aprendi no futebol e com a vida. A recepção foi muito boa, quando você é bem recebido fica mais à vontade para ajudar. Claro que não dá para fazer tudo que você quer fazer e falar, existe uma hierarquia e respeito dentro do elenco, mas estou tendo uma leitura muito positiva do elenco e conseguindo aos poucos
Pulgar falha e Danielzinho, dentro da área, faz o segundo do São Paulo em duelo com Flamengo
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O experiente volante também rasgou elogios aos primeiros dias de Rafinha no São Paulo. Novo gerente esportivo do clube, o ex-lateral foi anunciado no início desta semana e assumiu vaga deixada por Muricy Ramalho.
— O Rafinha tem uma energia muito boa. Além da energia, tem uma voz que impõe respeito perante o clube e também o grupo, por tudo aquilo que ele fez, pela liderança que exerceu no passado. Todo mundo se sentiu muito bem recebido por ele, muito bem protegido por ele. Eu acredito que ele vai fazer um grande trabalho agora extracampo.
Confira a entrevista com o volante Danielzinho na íntegra:
Primeiro gol pelo São Paulo
— Acho que fui um intruso ali dentro da área (risos). Foi o momento do jogo. Até falei com o Marcos Antônio para ele ficar mais ali e eu poder adiantar um pouco mais, pela característica do jogo. Estava ali como um impostor. Acabou que a bola sobrou. Eu estava acreditando que sobraria alguma oportunidade. Sobrou e consegui concluir. Foi a leitura de jogo que eu tive. Eles jogam com a linha alta e precisávamos de infiltração, profundidade. Acreditei que eu poderia ajudar dessa forma no jogo. Aí me adiantei um pouco mais para pressionar eles, os volantes do Flamengo também. Achei que contribuiria mais do que como estava no primeiro tempo, um pouco mais na frente da linha defensiva. Acho que consegui contribuir um pouco e contribui com o gol.
Danielzinho – São Paulo x Flamengo – Brasileirão – Morumbis
Marcello Zambrana/AGIF
Início no São Paulo
— A minha recepção aqui foi muito positiva. Muito boa mesmo. Nenhum momento me senti sozinho. Me abraçaram. E isso gera uma confiança, uma expectativa melhor dentro de você. A adaptação foi muito boa. Aí dentro de campo não tem como se esconder, você precisa desenvolver seu melhor futebol, o melhor papel. Tanto jogando, quando ajudando alguns na questão de liderança. Foi uma adaptação muito boa. Procuro ler aquilo que o Crespo, a comissão e o clube pede para atender as expectativas do São Paulo.
Negociação com o Tricolor
— Pela campanha que a gente fez ano passado, é muito natural que viria times dessa proporção atrás dos jogadores. Eu joguei 37 jogos, fiquei fora de um jogo só, mantive uma regularidade e estava de capitão do time no ano passado. Então a gente cria a expectativa de ter uma proposta de um time desse tamanho. Aí quando chegou não teve jeito, o peso é muito grande. Acredito que fiz a escolha certa. Tive meu filho agora, vai fazer 19 meses. Estou com a minha esposa há 16 anos. Ela sabe o que eu passei no início da minha carreira, das dificuldades e o quanto eu trabalhei para ter oportunidades como essa. Até o quanto ela trabalhou também para cuidar de mim e me ajudar. Quando chega uma oportunidade como essa não sou só eu que decido, ela também está esperando. Ela espera ter uma oportunidade gigante como essa. Foi bem casado o meu sentimento com o dela de que faríamos a escolha certa de vir para cá. A família está muito feliz.
Situação no Campeonato Paulista
— O calendário brasileiro é difícil, um jogo a cada três dias. Aí naturalmente você precisa fazer um rodízio, não tem tempo para preparar um time. O início não foi positivo em questão de pontos, fizemos alguns bons jogos, mas em pontuação não foi positivo. Mas o time está começando a ter mais confiança, criando corpo, criando uma cara de time, um padrão mais definido. Eu acho que tem tudo para ter uma sequência positiva nos próximos dias.
Momento político do São Paulo
— O elenco é muito maduro, experiente. Tem os mais jovens, mas é um elenco muito experiente. Não senti nada de peso extracampo tendo efeito dentro de campo. O São Paulo está cercado de pessoas boas. Muitas pessoas que fazem o máximo para poder blindar para que as coisas externas não influenciem aqui dentro. Tanto da comissão, quanto dos jogadores e estafe. Temos muitas pessoas positivas, que fazem de tudo para blindar. Temos tudo que o atleta precisa aqui, pessoas que cuidam do ambiente e da parte interna do clube. Para mim, hoje, eu só vejo coisa positiva aqui. Internamente para mim é só coisa positiva. Um centro de treinamento bem cuidado e com pessoas do bem. É um elenco muito bom, que todo mundo se protege. Aqui dentro só tenho coisas boas para falar. No externo eu não sei, acabo não acompanhando, mas até o momento não tem tido efeito aqui dentro.
Harry Massis, novo presidente do São Paulo
Marcos Ribolli
Sequência contra o Santos
— A gente vem se preparando como em todos os jogos. Claro que voltamos a jogar o Paulista, onde não conseguimos pontuar como deveria, mas o time se prepara de uma forma bem confiante e positiva. Temos tudo para ter uma sequência positiva nos próximos jogos.
Parte física
— Estou bem. Costumo dizer que sou muito privilegiado pela condição física que tenho. Minha maior proteção é a forma que eu treino. Eu treino como eu jogo. A minha alta intensidade, o volume e carga de treino me protege nos jogos. Existe um cuidado especial aqui também. A questão da lombar já passei para os meninos e até o momento não tive problema nenhum. Nós temos profissionais bem capacitados aqui. Estamos tomando todos os cuidados possíveis. Fisicamente e mentalmente eu estou bem, acho que essa é a coisa mais importante. Se mentalmente estamos bem, o corpo conseguimos administrar.
Trajetória no Mirassol
— Foram três anos e o último ano foi especial e histórico. Centenário do clube e a campanha que a gente fez. Criamos um vínculo muito grande com as pessoas, funcionários do clube e pessoas da cidade. Fiz muitas amizades na cidade. Mas quando você coloca na balança a dimensão e o mundo diferente nessa oportunidade que tive de vir para o São Paulo, o sentimento a gente deixa de lado. É uma oportunidade que talvez eu não teria na vida. Aos 31 anos ter uma oportunidade como essa é para agradecer a Deus. O carinho e respeito sempre vai ficar.
Danielzinho e Reinaldo comemoram gol do Mirassol
JP Pinheiro/Agência Mirassol
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