Análise: F1 em Barcelona vê Mercedes favorita, Ferrari em ascensão e Audi em desenvolvimento
F1 em Barcelona vê Mercedes favorita, Ferrari em ascensão e Audi em desenvolvimento
Surpresas, quebras e novidades: esta era a expectativa do fã de F1 para os cinco dias de testes “secretos” nesta semana em Barcelona. Embora seja ainda muito cedo para fazer previsões sobre os favoritos do Mundial 2026, o shakedown no circuito catalão revelou as primeiras impressões da F1 em um ano de grande mudança de regulamento.
A Mercedes surpreendeu não apenas pela sua velocidade, mas pela impressionante confiabilidade. Foram mais de 500 voltas em Barcelona, mostrando que o carro e a nova unidade de potência já estão à frente de alguns rivais em termos de desenvolvimento. A Williams, por exemplo, nem sequer trouxe o carro novo para a pista na Espanha para aproveitar os três dias de shakedown.
Desde o ano passado, havia rumores de que o motor Mercedes estaria à frente de seus rivais, como aconteceu na última grande revolução de regulamento, em 2014, com a introdução dos novos motores híbridos. É claro que é difícil julgar tempos em pré-temporada, ainda mais em uma sessão com portas fechadas para imprensa e transmissão de TV.
Carro da Mercedes em ação no primeiro dia do Barcelona Shakedown
Divulgação/Mercedes
Mas fontes ouvidas pelo ge disseram que os times se impressionaram com Russell e Antonelli registrarem tempos competitivos (muitas vezes liderando a sessão quando estavam na pista) e sem nunca terem enfrentado nenhum problema no carro ou motor.
Nas declarações para imprensa, Russell tratou de minimizar os resultados. Embora seja cedo para cravar agora ele ou Kimi Antonelli como favoritos ao título, o fato é que, se houvesse um GP da Espanha de F1 em Barcelona neste final de semana, os dois estariam lutando pela pole e vitória.
Além de ter um carro confiável e com uma aerodinâmica eficiente, o motor Mercedes tem mostrado bons resultados também com a McLaren e com a Alpine, que deve dar um salto de performance em 2026. A troca de informação entre estes times, por sinal, é outro trunfo para os pilotos com motores Mercedes, como Oscar Piastri destacou em entrevista nesta semana.
Lewis Hamilton testa SF-26, carro da Ferrari, na pré-temporada de Barcelona em 2026
Divulgação/Ferrari
Apesar de ter chamado atenção pela velocidade e confiabilidade, a Mercedes não ficou com o melhor tempo dos cinco dias. O tempo de Russell na quinta-feira foi superado nesta sexta por Lewis Hamilton por alguns centésimos (1min16s348). Depois de uma temporada difícil no ano passado, a Ferrari parece mais promissora em 2026, mas vale lembrar que já foi assim com os italianos em outras pré-temporadas.
Isso também ajuda a explicar o discurso de cautela dos ferraristas e da própria Mercedes. Afinal, os carros de 2026 terão muito mais gerenciamento de energia do que antes, e as equipes estão longe ainda do limite desta nova tecnologia – que inclusive deve gerar velocidades máximas impressionantes.
Além do desenvolvimento natural de todos os rivais, o que impede uma análise precisa dos testes em Barcelona é a temperatura, mais baixa do que a dos GPs. Por isso, os testes no Bahrein devem ser mais significativos e aí sim os times testarão mais velocidade. A Red Bull não se preocupou com tempos, mas elogiou a confiabilidade e velocidade de seu novo motor Red Bull Ford Powertrains.
Existem outras “variáveis” que estão indefinidas, como a Aston Martin. O time só chegou em Barcelona na quinta-feira, dando poucas voltas, mas já chamou atenção por um design “revolucionário”, como era esperado para um modelo assinado por Adrian Newey, que desenhou os carros campeões da Red Bull, McLaren e Williams.
O início trabalhoso para Cadillac e Audi também se confirmou em Barcelona. As duas equipes enfrentam o desafio da novidade: os norte-americanos por construir uma equipe do zero e a Audi por ter que construir do zero uma unidade de potência, vindo da experiência passada da Sauber. As duas focaram em desenvolvimento e confiabilidade e algumas quebras, que já eram esperadas, deixaram a “lição de casa” bem maior para o simulador e, depois, para o Bahrein.
Gabriel Bortoleto participou do último dia dos testes secretos da F1 2026, em Barcelona
F1
Uma rápida evolução é esperada para estes times em fevereiro. Afinal, agora os pilotos e engenheiros terão como afinar os simuladores por terem usado o “carro real” e poder fazer a correlação com o virtual de forma bem mais precisa. As duas equipes precisam trabalhar rápido, pois seus rivais também vão melhorar e na F1 ficar em último, ainda mais como time de fábrica, pode ser uma pressão forte no começo de um projeto de longo prazo.
Para o torcedor brasileiro, Barcelona lembrou que 2026 será um ano de paciência. Gabriel Bortoleto estreou na equipe que foi a última colocada em 2024 e ainda assim conseguiu bons pontos, incluindo um sexto lugar. Para este ano, seu objetivo também é crescer com um time em desenvolvimento, que tem potencial de ser uma equipe grande, mas precisa construir este caminho degrau por degrau. geRead More


