Mercedes diz que motor está dentro das regras e critica rivais: “Querem achar desculpas”
Mercedes apresenta o carro para a temporada 2026 da Fórmula 1
Embora já tenha mostrado e levado à pista o W17, a Mercedes realizou nesta segunda-feira (2) um evento oficial de lançamento do veículo do time na Fórmula 1 em 2026. Antes da cerimônia digital, o chefe de equipe Toto Wolff participou de entrevista coletiva com presença do ge e criticou a postura de equipes rivais após a primeira polêmica do ano: uma brecha nas regras descoberta pelos alemães e pela Red Bull.
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A brecha está relacionada à “taxa de compressão geométrica” dos cilindros de cada motor. Em resumo, essa taxa indica quantas vezes a mistura de ar e combustível é comprimida dentro dos cilindros. A razão permitida em regulamento é de 16 para 1, mas a Mercedes achou uma forma de aumentar essa taxa com o carro na pista (entenda no fim da matéria) – o que, de acordo com rumores, pode representar uma vantagem de cerca de 0s3 por volta em relação às rivais.
Carro da Mercedes em ação no primeiro dia de testes em Barcelona
Divulgação/Mercedes
O ganho da Mercedes explora uma “área cinzenta” do regulamento (ou seja, a manobra não é proibida). Ferrari, Audi e Honda cobram a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) por mudanças que indiquem que o motor da escuderia está irregular, mas Wolff afirmou que a equipe está dentro das regras e disparou contra as argumentações dos rivais.
– Eu não consigo entender o motivo de algumas equipes se concentrarem mais nas outras e ficarem argumentando sobre um caso que é muito claro e transparente. A comunicação com a FIA foi sempre muito positiva, e não só sobre a taxa de compressão, mas em outras coisas – iniciou Toto, acrescentando:
– Especificamente nessa área, é muito claro o que o regulamento diz. É muito claro como os procedimentos são em quaisquer motores, ou mesmo fora da Fórmula 1. Então organizem as m… de vocês. Ficar fazendo reuniões secretas, enviando cartas secretas e tentando inventar maneiras de testar que simplesmente não existem… Eu acho que posso dizer, pelo menos da nossa parte, que estamos tentando minimizar as distrações. E minimizar as distrações significa focar mais em nós do que nos outros – disse Wolff.
Toto Wolff criticou rivais por “cartas secretas” à FIA sobre motor da Mercedes para 2026
Artur Widak/NurPhoto via Getty Images
O gestor das Flechas de Prata ainda alfinetou as equipes rivais ao citar que elas podem estar buscando “desculpas” antes mesmo do início da temporada.
– Sabe, talvez sejamos diferentes. Talvez vocês queiram achar desculpas antes mesmo de terem começado, para justificar porque as coisas não estão bem.
– Então todos precisam fazer o melhor que podem, mas não é assim que fazemos as coisas, especialmente não depois de ter ouvido algumas vezes que está tudo certo. (O motor) é legal e é o que diz o regulamento. Mas de novo, se alguém quer se entreter com distrações, todo mundo é livre para fazer isso.
Russell, Antonelli, Vesti e Toto Wolff em lançamento do W17, carro da Mercedes para 2026
Divulgação
De acordo com Wolff, a legalidade do motor da Mercedes para 2026 foi atestada por Mohammed ben Sulayem, presidente da FIA.
– A unidade de potência é legal e corresponde à forma como o regulamento foi escrito, a como as checagens são feitas. Corresponde a como essas coisas são medidas em qualquer outro veículo. Tudo além disso eu não posso julgar. Mas é assim que vemos o mundo hoje, e isso é o que a FIA disse, o que o presidente da FIA disse, ele sabe um pouquinho sobre isso. Vamos esperar para ver, mas nos sentimos preparados a esse respeito.
Cotada como favorita desde que os primeiros rumores sobre a temporada de 2026 começaram a surgir, a Mercedes deu 500 voltas nos primeiros testes realizados em Barcelona e chamou atenção pela confiabilidade, sem maiores problemas nos carros conduzidos por George Russell e Andrea Kimi Antonelli.
Entenda a polêmica
O novo regulamento de motores da Fórmula 1 para 2026 trouxe várias mudanças, como o aumento de potência gerada pela parte elétrica. Porém, a taxa de compressão se tornou o principal ponto de debate após a engenhosidade da Mercedes e da Red Bull.
Como dito anteriormente, a taxa de compressão permitida é de 16 para 1 – nas regras do ano passado, essa razão era de 18 para 1. Ou seja, as equipes poderiam deixar a mistura de ar e combustível dentro dos cilindros ficar até 18 vezes menor que seu tamanho original.
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Porém, o conjunto de regras afirma que o procedimento de verificação dessa taxa de compressão é feito com o carro parado e deve acontecer em temperatura ambiente.
Com o aumento da temperatura do carro dentro da pista, as equipes citadas acharam uma forma de fazer com que os materiais usados nos cilindros se expandam, o que faria a taxa de compressão aumentar e representaria um ganho técnico.
George Russell guia W17 da Mercedes, carro da F1 2026, no Circuito de Silverstone
Reprodução/redes sociais
Como a medição não ocorre com o carro em movimento e o regulamento não cita nada sobre isso, a Mercedes e a Red Bull estariam se aproveitando dessa “área cinzenta” nas regras técnicas da F1.
De acordo com o site especializado “The Race”, a FIA e as equipes da Fórmula 1 vão ter duas reuniões nesta semana para debater o tema, uma delas já nesta segunda-feira. geRead More


