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André Jardine aposta no México e vive ciclo mais sólido da carreira: “Muitos consideraram uma loucura”

André Jardine aposta no México e vive ciclo mais sólido da carreira: “Muitos consideraram uma loucura”

Alvo do Botafogo, André Jardine confirma que vai continuar no América-MEX
Campeão dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, André Jardine desembarcou no futebol mexicano há exatos quatro anos, e transformou a experiência fora do Brasil no período mais vitorioso de sua carreira como treinador. Porém, a decisão foi bastante questionada na época, além do desafio ser enorme.
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Quando vim para o México, muitos consideraram uma loucura. Eu estava trocando um lugar na comissão técnica da Seleção Brasileira, onde havia acabado de ser campeão olímpico, por um dos clubes de menor orçamento da liga mexicana.
André Jardine tem trabalho consolidado no América do México
Getty Images
No início de 2022, quando fez a escolha pela mudança em sua carreira, André Jardine trocou a CBF pelo México, como o próprio citou. Na época, inclusive, o treinador trabalhou como auxiliar de Tite, que estava no comando da Seleção, por causa do caso de covid de César Sampaio. 
A proposta era do Atlético San Luís, um dos times de menor orçamento do futebol mexicano e que estava na parte mais baixa da tabela da liga naquela ocasião. André Jardine não só aceitou o desafio como mudou o patamar do clube, e ganhou destaque. 
Eu confiava bastante no projeto que me foi apresentado pelo Atlético de San Luís e sabia que esse era um passo necessário para a minha carreira crescer. Nunca tive medo de desafios, e acho que o tempo provou que aquela foi uma decisão acertada. Conseguimos não apenas cumprir, mas superar as expectativas iniciais da direção
O treinador brasileiro tinha razão. A decisão de apostar em um projeto deu novos contornos à própria trajetória profissional. Depois de um ano e meio veio o convite para dirigir o clube mais popular do México, o América. Por lá, Jardine se tornou o recordista de títulos na história do clube, e além disso conquistou prêmios individuais de melhor técnico por duas temporadas.
“La Jardineta”
André Jardine levou o América à conquista do Apertura e do Clausura no Mexicano
Getty Images
A aposta de André Jardine no modesto Atlético de San Luís mostrou o treinador para o futebol mexicano e ainda deu um apelido ao trabalho do técnico no país: “La Jardineta” – como a imprensa mexicana passou a tratar.
Com o trabalho reconhecido no país, André Jardine chegou ao América, time de maior torcida e maior número de títulos do México, mas que não vivia um bom momento. O clube passava por um período de cinco anos sem levantar taças, e por conta disso não hesitou em pagar a multa rescisória para contar com o técnico brasileiro em junho de 2023.
A recompensa à aposta do América foi imediata. Em apenas um ano de trabalho, Jardine conquistou quatro troféus: o bicampeonato mexicano, título de Campeão dos Campeões e a Supercopa. Além disso, o brasileiro ainda foi eleito pela Liga MX o melhor treinador da temporada naquela temporada.
Desde 2023/24, André Jardine segue conquistando troféus no futebol mexicano. Além dos quatro já citados anteriormente, o treinador ainda levantou mais duas taças, entre elas o tricampeonato mexicano – conquista especial para o treinador.
– O fim do jejum de títulos, que era algo muito incômodo, foi uma conquista importante, mas o tricampeonato mostrou algo mais. Mostrou que não foi um acaso, e que havia um fio condutor, um caminho para o progresso do clube, com um grupo de atletas que marcou seu nome na história do América e do futebol mexicano – contou o brasileiro.
A idolatria no México
Imagem de André Jardine em um “bandeirão” com ídolos de vária gerações
Reprodução/André Jardine
Completando quatro anos no México, André Jardine vive um outro patamar em sua carreira. Com as conquistas, o treinador brasileiro é o mais vencedor do maior clube local. Os títulos do Campeonato Mexicano, do Campeão dos Campeões, da Supercopa da Liga MX e da Campeones Cup, ainda fizeram o técnico conquistar por duas vezes a seleção da Liga MX e do All Star Game diante da seleção da MLS.
– O maior desafio talvez seja se manter sempre no mais alto nível. Tudo isso num contexto de bastante pressão, dentro de uma liga extremamente competitiva, em que a cada campeonato se tem 5 ou 6 equipes em igualdade de condições disputando o título. Dentro desse cenário, acho que chegarmos a quatro finais consecutivas e ganharmos três foi realmente um feito memorável, que diz muito sobre um grupo e um ambiente de trabalho que absorveram essa mentalidade de nunca se conformar com as conquistas que já aconteceram, e sempre ir em busca da próxima – finalizou Jardine.
A trajetória de sucesso de André Jardine no México deu ao treinador uma idolatria no país. O que, inclusive, o fez recusar o Botafogo, no início do ano passado ao receber um convite de John Textor, dono da SAF do clube. O projeto e a sensação de ser respeitado deixaram o brasileiro no futebol mexicano.
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Agora, André Jardine vive novas expectativas com o América do México. O clube não vence a Concachampions há dez anos – o último título foi em 2016 diante do Tigres. Com o próprio treinador brasileiro, a equipe bateu na trave em duas ocasiões, quando perdeu para o Pachuca em 2024, e para o Cruz Azul em 2025.
No comando de André Jardine, o América do México busca o título da Concachampions em 2026 – o que pode isolar novamente o clube como maior vencedor do torneio, e ainda garantir vaga no Intercontinental da FIFA, em dezembro, e a classificação para a Copa do Mundo de Clubes de 2029. geRead More