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Herói ou vilão? Remo de Osório joga bem por “60 minutos”, mas piora após de novo após mexidas

Herói ou vilão? Remo de Osório joga bem por “60 minutos”, mas piora após de novo após mexidas

Remo 2 x 2 Mirassol | Melhores momentos | 2ª rodada | Brasileirão 2026
“Estão prontos para 60 minutos”, disse o técnico Osório em coletiva após o empate que o Remo cedeu ao Mirassol depois de abrir dois de vantagem, na última quarta-feira, dia 4, no Estádio Mangueirão, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.
Remo x Mirassol, 2ª rodada do Brasileirão
Pedro Zacchi/Agência Mirassol
De fato, o time azulino foi seguro durante esse período, mas o problema foi depois daí. Se no primeiro tempo parecia que o Leão tinha terminado a “pré-temporada” e feito a “estreia” no Brasileirão, a parte final do jogo lembrou que cada minuto na Série A é mais longo – e o Remo precisa se acostumar com isso.
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O jogo foi bem diferente em relação ao jogo contra o Vitória, na primeira rodada, mas o cenário foi parecido no sentido de ser seguro na primeira etapa e levar dois gols nos 45 minutos finais.
Novamente, assim como no jogo com o Barradão, as alterações pouco contribuíram. Na verdade, até comprometeram um pouco. O torcedor do Remo pode ter ficado esperançoso com o início e com toda certeza irritado com os pontos desperdiçados
Mas Osório é herói ou vilão?
Bom, falando do início, da escalação escolhida para iniciar a partida: Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Léo Andrade; Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula, Vitor Bueno, Diego Hernández, Alef Manga e João Pedro. Osório é o técnico que monta sistemas e formas de jogar pouco habituais para o torcedor paraense. Quando sai a escalação, muita gente bate a cabeça para entender como o time vai se comportar.
Dentro de campo, no primeiro tempo, o que ocorreu foi o seguinte: João Lucas, Marllon, Léo Andrade formavam a linha defensiva, com um “quadrado” no meio de campo, formado por Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula e Vitor Bueno. Já Diego Hernández e Alef Manga ficavam bem abertos, como alas, marcando os laterais adversários e João Pedro como referência no ataque.
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Claro, os jogadores não são estáticos. O estreante Leonel Picco “‘descia” em alguns momentos para reforçar a zaga e também fazer o Leão ter superioridade numérica na saída de bola, enquanto o outro estreante, Vitor Bueno, subia, de vez em quando, para ficar ao lado de João Pedro.
Não é nada de outro mundo, mas deu para ver que não é tão convencional como um 4-3-3, 4-2-3-1 ou um 4-4-2, sistemas que são muito utilizados no Parazão, por exemplo.
Na prática, deu certo, o Mirassol não conseguia avançar pelo centro com qualidade por causa do meio congestionado e Diego e Manga fizeram um bom trabalho na recomposição defensiva. Em um breve momento, o Leão ficou com uma linha defensiva com seis jogadores.
O Mirassol, mesmo fora de casa, ficou 61% de posse de bola, mas era uma posse improdutiva, pelo menos no primeiro tempo. O Remo tentava chegar ao ataque em velocidade ou nas bolas levantadas na área, e foi assim que marcou gols, com João Pedro, após um escanteio, e Alef, em jogada que teve início em uma cobrança de lateral jogada na área.
Aos 35 seg do 1º tempo – cabeceio defendido de Alef Manga do Remo contra o Mirassol
Para não deixar de destacar, o Alef Manga cobriu toda a lateral esquerda do campo, sendo muito eficiente na defesa e no ataque. Foi o melhor jogador da partida.
Então, o Remo, na estratégia que Osório escolheu para encarar o Mirassol, não foi brilhante, mas foi muito eficiente e superior ao adversário. O técnico não “inventou” nada, apenas aplicou táticas para anular o rival e o ferir.
No segundo tempo, como o time consegue jogar apenas “60 minutos” por enquanto, precisou fazer alterações. Não foram apenas as peças que mudaram, foi o sistema também, agora, em uma espécie do clássico 4-4-2.
O zagueiro Kayky Almeida entrou como um lateral-esquerdo, Zé Welison saiu do banco e jogou na dele, como um volante, Patrick foi para o jogo para jogar, novamente, pela beirada, Catarozzi entrou como um homem mais centralizado e Pikachu, que não iniciou como titular, atuou pela faixa esquerda do campo.
Zé Welison estreou pelo Remo contra o Mirassol
Samara Miranda / Ascom Remo
É nesse momento que o time cai de produção e cabe críticas ao treinador. Patrick, por exemplo, tem entrado em campo constantemente como um jogador de lado de campo, sendo que ele é volante, um jogador físico e sem tanta velocidade. Nico e Marcelinho, que estavam no banco, fariam mais sentido na posição que o camisa 8 entrou.
Patrick entrou na direita. Do outro lado, o zagueiro Kayky Almeida foi selecionado, mais uma vez, para jogar como lateral, quando o argentino Cufré, que joga naquela posição, estava no banco. Kayky e Pikachu, que também estava na esquerda, não fizeram grande jogo e deixaram espaço para Igor Formiga diminuir.
Com as substituições, o Remo ficou sem referência, um atacante para dar profundidade para a equipe. Osório quis guardar o time e mesmo assim levou dois gols.
Osório não é vilão nem herói. Ainda estamos no começo de temporada. Se o time jogar 90 minutos como jogou os primeiros 60 diante do Mirassol, pode ser competitivo no Brasileirão. Com os jogadores descansados, ele conseguiu bolar uma boa estratégia para enfrentar o bom time do Mirassol.
Juan Carlos Osório, técnico do Remo
Samara Miranda / Ascom Remo
Dois jogadores estrearam apenas nessa rodada. Ou seja, a tendência é que o time ganhe mais entrosamento.
Por outro lado, vai precisar lidar melhor com as substituições – e também esperar que os “reservas” entrem bem. Algumas decisões com bola rolando são questionáveis. Assim como Osório foi feliz no primeiro tempo, Rafael Guanaes soube mexer no Mirassol na segunda etapa e igualar a partida.
Resta saber como serão os próximos passos do time e de Osório. A maratona de jogos que vai enfrentar pela frente pode desgastar ou fazer o time se encaixar de vez. geRead More