O maior risco para o Flamengo é a autossuficiência
Filipe Luís diz que Fla ainda precisa melhorar parte física: “Hoje ficou muito evidente”
O Flamengo conquistou a Libertadores em 30 de novembro. Venceu o Campeonato Brasileiro em 3 de dezembro. E ouviu vaias e pedidos de raça em 4 de fevereiro – consequência dos quatro jogos sem vitórias na nova temporada.
O empate por 1 a 1 com o Inter no Maracanã, nesta quarta-feira, pelo Brasileirão, aumentou o desconforto da torcida com a postura do time. Havia certo simbolismo em campo: lá estava o supercampeão do ano passado, ainda mais reforçado, contra uma equipe que quase foi rebaixada – e ainda perdeu jogadores, inclusive para o próprio Flamengo (o zagueiro Vitão). E, mesmo assim, o time rubro-negro se viu em apuros.
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Arrascaeta e Evertton Araujo | Flamengo e Internacional
André Durão
A equipe de Filipe Luís fez mais um jogo ruim, sobretudo no primeiro tempo, no qual condensou os problemas apresentados neste começo de temporada. O Flamengo foi o melhor time do continente no ano passado porque conseguiu montar um combo poderoso: enorme qualidade individual + sintonia coletiva com a bola nos pés + dedicação à retomada da posse. E agora essas características estão anestesiadas.
Contra o Inter, o Flamengo foi tímido nas conexões e frágil na recuperação. E teve alguns de seus principais jogadores oscilando entre a discrição (Bruno Henrique, Arrascaeta) e os erros (Lucas Paquetá). Melhorou no segundo tempo, quando as substituições deixaram a equipe mais intensa, com chances de virar a partida, mas ainda foi pouco.
Torcedores do Flamengo pedem “disposição” ao time
É evidente o impacto da preparação física no momento do time. O Flamengo teve um 2025 desgastante, com sete competições disputadas, e alongou a temporada até 17 de dezembro em função da Copa Intercontinental. Além disso, teve que mudar o planejamento do começo deste ano por causa do fracasso do time sub-20 no Campeonato Carioca, antecipando a entrada do time principal.
É um problema real, mas vivido também por outros clubes. O Corinthians, que venceu o Flamengo por 2 a 0 na decisão da Supercopa do Brasil, encerrou a temporada passada ainda mais tarde, em 21 de dezembro, em função da final da Copa do Brasil. O Fluminense, que venceu o Flamengo por 2 a 1 no Campeonato Carioca, fez ainda mais jogos do que o rival em 2025 (79 a 78).
Paquetá e Léo Ortiz | Flamengo e Internacional
André Durão
Temporadas posteriores a grandes conquistas costumam ser traiçoeiras. O Flamengo precisa ser muito preciso no diagnóstico sobre os problemas do time. O maior risco é o da autossuficiência: achar que é superior a ponto de poder abdicar justamente de algumas características que o tornaram tão forte, como a intensidade, a pressão sobre o adversário.
Essa já foi uma questão perceptível no ano passado, em momentos de oscilação dentro de uma mesma partida, quando o Flamengo parecia se aconchegar na sensação de que venceria de qualquer jeito. Alguns discursos da diretoria, em especial do presidente (virar o Real Madrid das Américas, não deixar ninguém gastar mais em contratações no Brasil), podem alimentar esse sentimento.
Flamengo 1 x 1 Internacional | Gols | 2ª rodada | Brasileirão 2026
O antídoto é a presença de Filipe Luís, um sujeito muito inteligente, e de uma série de jogadores (Danilo, Alex Sandro, Jorginho) capazes de identificar onde um vestiário está falhando. É muito cedo ainda. A tendência é de que o Flamengo reencontre a estabilidade perdida neste começo de ano e construa uma temporada de novos títulos. geRead More


