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Opinião: Lusa agarra as quartas e voltará a Mirassol, desta vez sonhando alto

Opinião: Lusa agarra as quartas e voltará a Mirassol, desta vez sonhando alto

Portuguesa 2 x 0 Ponte Preta | Melhores momentos | 7ª rodada | Campeonato Paulista 2026
A Portuguesa conquistou matematicamente uma vaga nas quartas de final do Paulistão após vencer a Ponte Preta por 2 a 0, no Canindé, e chegar aos 12 pontos, com quatro vitórias somadas, ainda faltando uma rodada para terminar a primeira fase.
De quebra, ainda garantiu uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027. Ninguém espera que precise usar, afinal, torce-se por um acesso neste ano. Lembrando: são três vagas via Paulistão. Cinco clubes disputavam. Uma delas já é rubro-verde.
Quis o destino que o último jogo seja contra o Mirassol, adversário que vem sendo decisivo para os objetivos da Lusa desde o retorno à elite estadual. Das três campanhas suadas contra a queda até aqui, duas tiveram o time interiorano como adversário.
Em 2023, uma vitória em Mirassol na rodada final, preservada com milagres do goleiro Thomazella, manteve a Portuguesa na Série A1 pelo saldo de gols. Em 2024, uma vitória no Canindé, na penúltima rodada, com um gol salvador de Maceió, afastou o risco de queda e catapultou a equipe rubro-verde para as quartas de final.
Portuguesa x Ponte Preta, no Canindé
Dorival Rosa / Portuguesa
Em 2026, o Mirassol volta a aparecer no caminho da Lusa. Desta vez, para determinar os desafios que virão após o Carnaval. Em que posição a Lusa terminará a primeira fase? Terá a vantagem de ser mandante nas quartas? Qual será o adversário?
O triunfo na penúltima rodada, além de tornar real o até então virtual rebaixamento da Ponte Preta, construiu esse cenário. Um resultado que, para a Portuguesa, tinha que acontecer. Os comandados do técnico Fábio Matias fizeram o que a eles cabia.
É até difícil analisar de forma mais detalhada o desempenho da Lusa nesses 2 a 0 sobre a Ponte Preta. Em parte por causa do temporal que se abateu sobre a cidade de São Paulo na tarde de sábado (7), em parte pela fragilidade extrema do adversário.
O gramado do Canindé resistiu relativamente bem à chuva. Não houve grandes poças d’água ou nada que inviabilizasse o jogo. Só que o terreno ficou pesado, encharcado, o que reduziu ainda mais o ritmo, exigiu mais fisicamente e baixou o nível técnico.
Portuguesa x Ponte Preta
Dorival Rosa / Portuguesa
Uma das principais adversidades da Portuguesa nem foi imposta pelo adversário. Foi entender que, com aquela chuva e aquele gramado, não dava para tentar jogar como sempre joga. Seja saindo da defesa, seja construindo as jogadas de ataque.
Até porque não foram necessários muitos minutos para qualquer um entender o que seria da Ponte Preta no jogo. Lanterna, com apenas um ponto, precisando ganhar dois jogos em dois, com severas limitações técnicas após uma debandada de jogadores, com salários atrasados, crise interna, etc. Em campo, via-se o reflexo de tudo isso.
O time da Lusa percebeu logo. Se tivesse apertado, teria aberto o placar mais cedo. E, se tivesse mantido o ritmo depois do segundo gol, teria feito mais do que dois. Enfim, o cenário foi favorável para não se ver muito mais do que se viu nessa partida.
A Portuguesa abriu o placar com um belo gol de Gabriel Pires, de fora da área, aos 42 minutos do primeiro tempo, e ampliou com Matheus Cadorini, no rebote de um baita chute de Maceió a longa distância, aos oito minutos do segundo tempo.
O primeiro gol já levou a Ponte Preta à lona. O segundo, então, foi o nocaute. Até houve algumas descidas em velocidade, tentativas de contra-ataque, mas nada assustador. Foi uma vitória tranquila, como precisava ser, pelo contexto atípico desse confronto.
Apesar de tudo isso, dá para se extrair algumas coisas. A principal delas é que o atacante Ewerthon a cada partida merece menos ser titular da Portuguesa. Mais uma vez, não se viu uma jogada apenas que tenha dado certo com a bola nos pés dele.
Nem mesmo a marcação, que é a razão pela qual Fábio Matias mantém Ewerthon como titular, foi boa nesse jogo. E olha que o jogador chegou a virar lateral direito, a função de origem, durante o confronto. Só que de nada adiantou. A fase está complicadíssima.
Gabriel Piris comemora gol da Portuguesa contra a Ponte Preta
Divulgação Portuguesa SAF
Bertinato; João Vitor, Gustavo Henrique, Eduardo Biazus e Caio Roque; Portuga, Zé Vitor e Gabriel Pires; Ewerthon, Renê e Maceió. Esse parece ser o melhor time na cabeça de Fábio Matias. Só que Ewerthon vem destoando e Cadorini, correspondendo.
Mais uma vez, entrou e marcou. Fábio Matias é o treinador. É quem trabalha com o elenco todos os dias. Vem entregando resultado. Sabe o que fazer. Só que cada vez mais cresce a curiosidade de ver Renê, Cadorini e Maceió na frente. Ok, Renê não volta para marcar como Ewerthon. Mas até que ponto isso compensa a inutilidade ofensiva?
Outra atuação mais uma vez apagada, só que nessa partida mais discreta pelo contexto, foi a do meia Zé Vitor. O jovem Denis outra vez entrou bem. É preciso ter calma e cautela. Não se precipitar, nem tirar conclusões de pouco. Mas cresce uma questão aí.
E, aqui, um adendo: Gabriel Pires precisava levar as mãos às orelhas, em direção à torcida, na comemoração do gol? Será que ele fez tantas partidas boas assim? Será que foi injustiçado em algum momento? Será que não vinha de uma falha irresponsável na rodada anterior? Não condiz com quem já jogou fora e na Série A. Evitável.
Voltando à análise, são pontos que precisam ser pensados pré-Mirassol. Assim como a gestão de elenco, afinal, há jogadores pendurados como Biazus e Portuga. Que, se tomarem amarelo na última rodada, precisam cumprir nas quartas de final.
É evidente que Fábio Matias está pensando em tudo isso. Assim como é evidente que não se pode esquecer as lacunas e as limitações técnicas de um elenco mal montado pela SAF. O treinador vem extraindo até mais do que o cenário naturalmente pode oferecer.
O foco, o empenho e a luta têm sido diferenciais desse time luso. Quando atuam ao lado da organização e da disciplina, acabam conseguindo contrabalancear as fragilidades. É um elenco curto, mas esse mata-mata é só mata, jogo único. A virada de chave muitas vezes acaba por ser fundamental. É o que se espera que aconteça no Canindé.
A torcida disse várias vezes que a Lusa precisava aproveitar a chance que um Paulistão tão atípico, curto, de mudança de regulamento, com times da Série A perdidos, daria. E o time rubro-verde, enfim, agarrou essa chance. Percebe-se agora, mais do que na ocasião, o tamanho da vitória sobre o São Paulo. Fora do roteiro. Do Z2 ao G8.
A chuva de sábado, fazendo valer o clichê, foi de lavar a alma dos mais de seis mil lusos. A Portuguesa, graças ao destino, aos deuses da bola, ou à mera coincidência, voltará a decidir os rumos contra o Mirassol. Só que, agora, sem a agonia e o desespero de antes. Sem olhar para baixo. Sonhando alto. Que continue agarrando as chances.
*Luiz Nascimento, 33, é jornalista da rádio CBN, documentarista do Acervo da Bola e escreve sobre a Portuguesa há 16 anos, sendo a maior parte deles no ge. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem as do site. geRead More