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Quem é o opositor venezuelano ‘sequestrado por pessoas armadas’ logo após ser libertado da prisão, segundo seu filho

Quem é o opositor venezuelano ‘sequestrado por pessoas armadas’ logo após ser libertado da prisão, segundo seu filho

 O político opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa havia feito várias aparições públicas após a libertação no dia 8 de fevereiro.
AFP/Getty Images via BBC
Quase 12 horas depois de ter sido libertado na Venezuela, o opositor Juan Pablo Guanipa foi “sequestrado” por “um grupo de pessoas armadas”, segundo denunciou seu filho, Ramón Guanipa, nas redes sociais.
“Era um grupo de aproximadamente 10 pessoas não identificadas (…). Exigimos PROVA DE VIDA imediata e sua libertação”, dizia a mensagem publicada na conta oficial do opositor na rede social X.
À denúncia somou-se rapidamente María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, que também publicou uma mensagem de alerta em sua conta no X:
“Há poucos minutos, Juan Pablo Guanipa foi sequestrado no bairro Los Chorros, em Caracas. Homens fortemente armados, vestidos à paisana, chegaram em quatro veículos e o levaram à força. Exigimos sua libertação imediata.”
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O partido de Guanipa, Primeiro Justiça, também publicou uma mensagem no X afirmando que seu líder havia sido “sequestrado por órgãos repressivos da ditadura” e responsabilizou “Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello por qualquer dano à vida de Juan Pablo”.
Pouco depois, a Procuradoria-Geral da Venezuela divulgou um comunicado no qual confirmou que o opositor havia sido novamente detido, a pedido do próprio órgão.
“Foi solicitada ao tribunal competente a revogação da medida cautelar concedida ao cidadão Juan Pablo Guanipa, em razão de ter sido verificado o descumprimento das condições impostas”, diz o texto.
Embora não tenham sido informadas quais eram as condições impostas a Guanipa para sua libertação, na maioria dos casos os juízes venezuelanos proíbem os beneficiários dessas medidas de conceder entrevistas à imprensa — algo que o opositor fez.
A Procuradoria também acrescenta que havia solicitado ao tribunal que ele fosse submetido “a um regime de prisão domiciliar”.
A libertação
Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, próximo a María Corina Machado, havia sido libertado horas antes, após passar oito meses na prisão.
Foi seu filho Ramón quem também confirmou a notícia em sua conta no X por volta do meio-dia, no horário local: “Anuncio que meu pai, Juan Pablo Guanipa, foi libertado há poucos minutos”.
Pouco tempo depois, veio a público um vídeo do próprio Guanipa, já em liberdade, no qual ele se dirigiu a seus apoiadores:
“Aqui estamos saindo em liberdade depois de um ano e 10 meses escondido, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos saindo em liberdade. Há muito a falar sobre o presente e o futuro da Venezuela. Sempre com a verdade à frente.”
E embora a de Guanipa não tenha sido a única libertação ocorrida neste domingo, ela talvez tenha sido a mais surpreendente, por se tratar de um advogado que foi deputado da Assembleia Nacional (Parlamento) e tem uma longa trajetória dentro da liderança da oposição venezuelana.
Segundo a ONG Foro Penal, neste domingo houve pelo menos “35 libertações de presos políticos já verificadas”. Dessas pessoas, ao menos seis fazem parte das equipes e comandos de campanha de María Corina Machado.
A prisão
Captura de tela de um vídeo divulgado em 23 de maio de 2025, dia da prisão de Juan Pablo Guanipa.
Reuters via BBC
Guanipa foi detido pelas autoridades venezuelanas em maio de 2025, dois dias antes da realização das eleições regionais e legislativas.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, tornou a prisão pública em uma coletiva de imprensa na qual exibiu um vídeo do momento da captura de Guanipa, que estava na clandestinidade desde as eleições presidenciais de julho de 2024.
Naquele pleito, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou Nicolás Maduro como vencedor sem divulgar dados detalhados. Por sua vez, a oposição denunciou fraude eleitoral e apresentou as atas de votação que confirmavam a vitória de seu candidato, Edmundo González.
A ONG Foro Penal informou que ao menos 1.800 pessoas foram detidas nos dias que se seguiram às eleições de 2024.
Ao anunciar a prisão de Guanipa, Cabello afirmou, na ocasião, que outras 70 pessoas também haviam sido detidas no âmbito da chamada “Operação Tun Tun”, uma ação de segurança que o governo venezuelano já aplicou em anos anteriores contra políticos e ativistas acusados de organizar “atos desestabilizadores”.
Outras libertações
María Corina Machado ao lado de Juan Pablo Guanipa, durante um protesto contra o governo em janeiro de 2025, em Caracas, Venezuela.
Getty Images via BBC
Desde que os Estados Unidos atacaram o território venezuelano, no último dia 3 de janeiro, dezenas de pessoas foram libertadas.
Na intervenção militar, mais de 100 pessoas morreram, segundo números do governo da Venezuela, e o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado, permanecendo em Nova York para ser julgado por narcotráfico.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse dias atrás que, após a intervenção, mais de 600 prisioneiros haviam sido libertados, mas a ONG Foro Penal afirma que esse número foi inflado.
A mesma ONG informou que, até 8 de janeiro, 158 detidos haviam sido libertados e que, no último dia 26 de janeiro, outras 110 pessoas foram soltas. A esse número se somam Juan Pablo Guanipa e, segundo seus dados, outras 35 pessoas libertadas neste domingo.
Entre os libertados neste domingo estão:
Perkins Rocha, advogado da equipe jurídica de María Corina Machado e preso desde agosto de 2024;
Dignora Hernández, secretária política do partido Vente Venezuela;
María Oropeza, chefe do Comando ConVenezuela e coordenadora do partido opositor Vente Venezuela no estado de Portuguesa;
Luis Tarbay, coordenador das equipes internacionais do comando;
Catalina Ramos, coordenadora nacional de associações cidadãs do partido Vente Venezuela.g1 > Mundo Read More