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Do descarte à glória: rejeitado pelo Avaí, ex-Botafogo e Santos decide título pelo Amazonas

Do descarte à glória: rejeitado pelo Avaí, ex-Botafogo e Santos decide título pelo Amazonas

Renan brilha e Amazonas conquista título do 1º turno
A trajetória de Renan ganhou contornos de roteiro cinematográfico. O goleiro, revelado pelo Botafogo e com passagem pelo Santos, viveu dias de incerteza após uma negociação frustrada com o Avaí.
Mas foi em Manaus que encontrou redenção: decisivo nos pênaltis, garantiu o título do primeiro turno do Campeonato Amazonense para o Amazonas e saiu ovacionado da Arena da Amazônia.
Goleiro Renan, Amazonas
João Normando/Amazonas FC
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O título veio poucas semanas depois de um dos episódios mais delicados da carreira do goleiro.
No fim da Série B, Renan havia renovado contrato com o Amazonas para a temporada, mas abriu conversas para deixar o clube e acertar com o Avaí por questões familiares.
Atuar em Santa Catarina o aproximaria da família em 2026. O acordo entre Amazonas, atleta e Avaí foi conduzido de forma amigável, mesmo com todos cientes de que o jogador convivia com uma microlesão.
Renan comemora título ao lado dos familiares.
Arquivo Pessoal
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A urgência do Avaí em contar com o experiente goleiro, ex-Botafogo e Santos, acelerou o processo. Renan viajou para Florianópolis, realizou exames médicos para iniciar a pré-temporada, e a lesão, já conhecida pelas diretorias, foi confirmada.
A previsão de recuperação variava entre 30 e 40 dias. Diante disso, o clube catarinense recuou e desistiu da contratação.
A decisão colocou Renan em uma posição inédita de fragilidade profissional e pessoal.
Em nota oficial, o goleiro se posicionou publicamente e demonstrou surpresa com a condução do caso. Segundo ele, mudar os termos de uma negociação após um atleta já ter rescindido contrato e aberto mão da estabilidade foge de qualquer padrão ético.
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Arquivo Pessoal
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No comunicado, Renan explicou que a microlesão já estava em fase final de recuperação e sempre foi de conhecimento do Avaí, inclusive com exames compartilhados previamente.
Médicos do Amazonas, do próprio Avaí e outros profissionais apontavam prazo máximo de 20 a 30 dias para retorno pleno, condição que não o impediu de atuar no fim da temporada passada.
Ainda assim, após a rescisão com o Amazonas, o discurso do clube catarinense mudou.
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Apesar da frustração, Renan fez questão de agradecer à diretoria aurinegra, destacando a postura humana e profissional do presidente Weslley, do vice Daniel e do diretor de futebol Igor Oliveira.
Segundo ele, o Amazonas entendeu a questão familiar, liberou o atleta gratuitamente e deixou as portas abertas para um possível retorno.
O futebol tratou de dar sua resposta no mesmo domingo. Em Florianópolis, o Avaí enfrentou o Camboriú pelas quartas de final do Campeonato Catarinense.
Derrota por 1 a 0 no tempo normal, resultado que levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, eliminação por 4 a 3.
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Enquanto isso, no mesmo dia e horário, Renan escrevia outro capítulo da história em Manaus. De volta ao Amazonas, o goleiro foi protagonista na final do primeiro turno do Estadual.
Seguro durante os 90 minutos, brilhou novamente nas penalidades e defendeu a quarta cobrança do Nacional, garantindo o título para a Onça.
Após a decisão, Renan falou sobre a tentativa frustrada de saída, o retorno ao clube e o acolhimento recebido.
Disse que saiu pela porta da frente, voltou com confiança renovada e sentiu que precisava retribuir dentro de campo. Destacou o desempenho coletivo e dividiu os méritos com os companheiros.
— Todo mundo sabe da história que aconteceu, e eu ia me transferir pra outra equipe por uma situação familiar. Aproveito para agradecer ao presidente Weslley, que foi sensacional. Ele falou: ‘Renan, fica à vontade, pode ir, se é algo familiar, vai, mas saiba que as portas do Amazonas estão abertas pra você’. Você sai pela porta da frente.
— Eu queria agradecer ao Weslley, ao Daniel, ao Igor, a todos que fazem parte da diretoria do Amazonas, porque não deu certo lá, mas eles falaram: ‘Renan, volta, nós precisamos de você, confiamos em você’. Então eu precisava ajudar o Amazonas de algum jeito. Não tomei gol durante a partida e fui muito feliz na defesa. Mas não só eu: todos os nossos batedores fizeram o gol. Eu divido esse prêmio com toda nossa equipe. Agora é comemorar, afirmou.
Renan – Amazonas
Mateus Moreira/FAF
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O goleiro também fez questão de exaltar o trabalho dos preparadores de goleiros do Amazonas.
Revelou que, antes da cobrança decisiva, recebeu uma orientação fundamental. Olhou para o treinador Silvio, recebeu a dica e conseguiu realizar a defesa.
— Na hora do pênalti você quer pegar logo o primeiro, porque aí já passa a responsabilidade para o outro time. Mas não deu, a leitura não foi a melhor nos primeiros. Naquele defendido, eu tenho que compartilhar a defesa com o meu treinador, Silvio.
— Eu olhei para ele, ele me deu uma dica e eu consegui fazer a defesa. Então compartilho esse prêmio, essa defesa e esse título com nossos preparadores de goleiros, o Rascifran, o Silvio e todos os nossos goleiros aqui do Amazonas. Esse clube mora no meu coração e eu quero conquistar cada vez mais títulos com essa camisa, concluiu.
Renan, goleiro do Amazonas
Mateus Moreira/FAF
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Rejeitado em Florianópolis, herói em Manaus. Enquanto o Avaí se despedia nos pênaltis, Renan decidia um título e vivia uma das noites mais simbólicas da temporada. Um retorno que virou resposta, confiança restaurada e taça levantada.
Campeão estadual com o Amazonas em 2025, Renan também conquistou o bicampeonato do primeiro turno.
No mesmo ano, já havia sido decisivo na final do turno contra o Manaus, maior rival da Onça, quando o Amazonas venceu nos pênaltis por 6 a 5 após empate em 2 a 2 no tempo normal.
Aderbal Lana, técnico mais velho do Brasil, comemora título ao lado de Renan.
Mateus Moreira/FAF
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Carreira

Revelado pelo Botafogo, onde foi campeão da Série B, Renan também conquistou o acesso nacional pelo Santos em 2024.
Soma 26 jogos com a camisa do Amazonas e é um dos líderes do elenco dentro de campo. Com o título do turno, o Amazonas garantiu vaga nas competições nacionais de 2027, como Copa do Brasil e Copa Verde, feito inédito no estado.
Renan goleiro Botafogo
Marcelo Prado
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Renan iniciou a carreira na base do Botafogo em 2006, estreou no profissional em 2008 e ficou no clube até 2015, período em que conviveu com o ídolo Jefferson. Além de passagens por Sport, Atlético-GO, Avaí e Juventude, o goleiro atuou no Ludogorets, da Bulgária, onde conquistou títulos nacionais e continentais.
Garantido na final geral do Campeonato Amazonense, o Amazonas volta a campo pelo returno na próxima quinta-feira, às 20h, no estádio Carlos Zamith, a Toca da Onça.
Para Renan, a temporada segue com um significado especial. Do descarte à glória, o goleiro voltou, decidiu e escreveu mais um capítulo marcante com a camisa aurinegra.
+Amazonas
Renan, herói do título do Amazonas, eleito o destaque do jogo.
Mateus Moreira/FAF geRead More