Esquiador de destaque na infância, Sinner vê Olimpíadas no quintal de casa e amigo ganhar prata
Giovanni Franzoni desce no esqui downhill e assume a 2ª colocação
Quem hoje vê a carreira de sucesso de Jannik Sinner no tênis, com quatro títulos de Grand Slams, nem imagina que o italiano de 24 anos quase se tornou atleta de uma outra modalidade: o esqui alpino. O número dois do ranking da ATP nasceu na cidade de San Candido, nas montanhas nevadas do Tirol do Sul, a cerca de 36 quilômetros de Cortina D’Ampezzo, uma das sedes dos Jogos de Inverno de 2026. Na região, Sinner cresceu respirando o ar gelado das pistas que agora acolhem esportistas de todo o mundo, em busca de medalhas olímpicas.
Um desses atletas dos Jogos de Inverno, inclusive, foi companheiro de juventude de Sinner. Giovanni Franzoni, também de 24 anos, conquistou a medalha de prata no esqui alpino downhill – a primeira da Itália na atual edição dos Jogos. A prova ocorreu em Bormio — a cerca de 280 quilômetros de onde a dupla descobriu o esqui. E eles começaram cedo.
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Jannik Sinner era atleta juvenil de esqui na Itália
Reprodução/Twitter
Aos oito anos, Sinner já era campeão nacional de slalom gigante. Despontava como o prodígio que a neve italiana esperava, mas, aos 13 anos, trocou as montanhas pelas quadras. Por uma questão de centímetros, segundos, enfim, por muito pouco, o tênis ganhou um dos maiores da história recente.
– No esqui, se você comete um erro, a prova acaba em um segundo. Você não tem uma segunda chance. No tênis, se você perde um ponto, ainda tem tempo de se recuperar e vencer. É por isso que prefiro o tênis, porque ele me dá tempo para pensar e reagir – explicou Sinner em 2019.
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No centro de esqui, em Bormio, na Itália, Giovanni Franzoni conquista a medalha de prata
REUTERS/Gintare Karpaviciute
Enquanto o amigo escolheu novos caminhos, Franzoni se manteve no esqui alpino. No dia 14 de fevereiro, certamente lembrará de Sinner, porque disputará o slalom gigante, especialidade do agora tenista. Curiosamente, a prova tem o brasileiro Lucas Pinheiro como um dos principais candidatos ao pódio em Milão-Cortina.
Apesar de não competirem mais na mesma modalidade, Franzoni, que na juventude chegou a ser derrotado por Sinner em provas regionais, revelou que o antigo companheiro de esporte tem sido seu maior incentivador nos bastidores.
– Jannik é uma pessoa grandíssima. Ele me escreveu me encorajando antes da prova. É uma história bonita a nossa: temos a mesma idade, trilhamos caminhos diferentes, mas ele continua sendo uma inspiração para mim pelo quanto trabalha e pelo coração que tem – disse Franzoni, após a conquista da prata olímpica no downhill.
Giovanni Franzoni, da Itália em açãono esqui alpino downhill
REUTERS/Angelika Warmuth
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Embora Sinner seja um dos atletas mais dominantes da atualidade, ele carrega uma lacuna em seu currículo: ainda não estreou em Jogos Olímpicos de Verão. Em Tóquio 2020, o italiano optou por não participar para focar em seu desenvolvimento técnico. Já em Paris 2024, quando chegou como favorito ao ouro, uma amigdalite severa o forçou a desistir na véspera da competição.
Jannik Sinner é bicampeão do ATP 500 de Pequim
REUTERS/Tingshu Wang
Essa ausência torna a presença do tenista em Milão-Cortina 2026, como embaixador, ainda mais simbólica. Ele apareceu na estação de trem de Milão vestindo o uniforme oficial e fiscalizou passagens de quem viajava rumo às sedes olímpicas. A ideia foi promover o espírito do voluntariado. Ainda participou do revezamento da tocha dias antes do início oficial dos Jogos e enviou uma carta aos atletas que estão competindo, ressaltando que “os esportes de inverno são o espírito pulsante da Itália”, desejando sorte especialmente aos seus compatriotas, como o amigo Giovanni Franzoni.
– É uma honra imensa participar destes Jogos. Eles ocorrem em locais que me são muito queridos, onde cresci. Esquiar para mim sempre foi como caminhar, e ver os melhores do mundo virem para as minhas montanhas é um sonho realizado – afirmou Sinner.
Sinner vence americano na final e é campeão do US Open
Hoje, enquanto a chama olímpica arde no norte da Itália, Sinner está nas quadras do Masters 1000 de Doha, mas com os olhos voltados para as montanhas de sua infância, celebrando a glória de um amigo que realizou o sonho que ele mesmo, há 12 anos, decidiu deixar sob a neve.
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