Desempenho do Cruzeiro preocupa, mas um nome como Tite merece tempo
Melhores momentos | Mirassol 2X2 Cruzeiro | Brasileirão 2026
A decepção é sempre proporcional à expectativa. Por isso, o desempenho insatisfatório do Cruzeiro ganha ares ainda mais dramáticos para a torcida, que começou a temporada com motivos suficientes para acreditar que a equipe estrelada teria (e tem) condições para brigar pelos principais campeonatos, especialmente em um ano que marca a volta do clube à Libertadores.
Na noite de ontem, é possível dizer que o Cruzeiro “achou” um ponto diante do Mirassol. Inclusive, seu primeiro ponto após três rodadas. Diante da equipe paulista, muito bem treinada por Rafael Guanaes, o time cruzeirense sucumbiu de forma categórica, mas graças às intervenções milagrosas de Cássio e alguns lances pontuais conseguiu buscar a igualdade no estádio Maião, que nos últimos meses alcançou o status de alçapão mirassolense.
É muito pouco. Tanto em termos de pontuação quando em relação ao desempenho. E, a cada jogo com atuação preocupante, o arsenal de cobranças se volta ao técnico Tite. Existem razões para que isso aconteça, já que o trabalho de fato ainda engatinha, transcorrendo numa velocidade muito baixo das ambições do clube e da torcida, especialmente porque a lembrança imediata remete à impressionante campanha sob o comando de Leo Jardim no último Brasileirão.
Tite Cruzeiro
Gustavo Aleixo/ Cruzeiro
A necessidade de satisfação imediata faz do futebol brasileiro um triturador de almas e de reputações. Na entrevista coletiva após o jogo, Tite fez questão de destacar que são apenas três jogos. Também fez referência à questão física, já que se viu obrigado a utilizar a equipe considerada titular mais vezes do que pretendia, devido ao mau começo no Campeonato Mineiro. Tudo isso é verdade, mas não é capaz de aplacar a expectativa que sua chegada ajudou a amplificar, afinal de contas trata-se de um técnico extremamente vitorioso em clubes e com trabalho consistente na Seleção Brasileira.
Nesse ponto, é possível questionar se a direção cruzeirense realmente avaliou bem a contratação de um técnico com a hierarquia de Tite, mas que vinha de uma passagem modesta pelo Flamengo, estava desacostumado com a rotina diária de um clube e havia pausado a carreira para cuidar a própria saúde mental. O fato de conceder enorme protagonismo ao filho, Matheus Bacchi, também colabora para a impressão de ausência de comando. O mínimo que se espera é que a diretoria tenha ponderado sobre todas essas circunstâncias, e nesse caso a coerência recomenda bancá-lo no cargo, mesmo após o começo instável.
Se houve convicção em buscar Tite, se em torno da escolha existe planejamento, não é possível demitir um técnico do seu tamanho (e com todas as ambições que sua contratação implica) após alguns resultados insatisfatórios, com poucas semanas de trabalho. E basta uma análise um pouco mais acurada para perceber que seus melhores trabalhos aconteceram quando ele dispôs de tempo para desenvolver seus métodos e suas ideias, com o objetivo de impor um futebol pragmático e extremamente competitivo. No entanto, provavelmente a pressa, amiga da ilusão, faz com que neste momento a direção do Cruzeiro já se veja numa encruzilhada, mas isso diz mais sobre a nossa forma de se relacionar com o futebol do que sobre o próprio técnico.
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