Análise: Remo de Osório alterna falhas e eficiência e surpreende Galo fora de casa
Atlético-MG 3 x 3 Remo | Melhores Momentos | 3ª rodada | Brasileirão 2026
Atlético-MG e Remo protagonizaram um jogo eletrizante na última quarta-feira, dia 11, na Arena MRV, e empataram por 3 a 3 pela terceira rodada do Brasileirão. O Leão chegou a virar a partida fora de casa, mas sofreu o empate no último lance, resultado que deixou “gosto de derrota”, como definiu Pikachu após o apito final.
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A atuação reforçou a dualidade que tem marcado o trabalho do técnico Juan Carlos Osório: boas leituras e competitividade, mas decisões que ainda levantam questionamentos.
O empate em Belo Horizonte teve roteiro digno de filme. O Atlético-MG ficou em vantagem por duas vezes, com gols de Hulk e Ruan, viu o Remo reagir e virar com gols Vitor Bueno, Pikachu e Alef Manga, e só evitou a derrota nos acréscimos, quando Dudu deixou tudo igual em 3 a 3.
Zé Ricardo na partida entre Atlético-MG e Remo
Luís Carlos / Ascom Remo
O time paraense ainda teve um gol anulado no segundo tempo e saiu de campo com a sensação de que poderia ter conquistado a primeira vitória no campeonato.
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Dentro desse cenário, a atuação azulina foi, em vários aspectos, positiva. Osório optou por uma escalação inicial sem improvisações (como a maioria pedia. Colocou cada jogador em uma função “confortável” e armou um Remo que foi capaz de competir com um adversário tecnicamente superior.
Escalação diante do Galo: Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Kayky, Sávio; Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula,Vitor Bueno, Alef Manga e João Pedro.
O primeiro gol remista ilustra bem esse lado eficiente do trabalho. Sávio, de volta ao time titular após lesão, fez ótima jogada pela esquerda. Alef Manga, que iniciou aberto pela direita, apareceu no lado oposto e deu assistência para Vitor Bueno finalizar para o gol. Movimentação trabalhada, ideia clara e execução bem-sucedida: méritos evidentes da comissão técnica.
Por outro lado, os problemas defensivos também ficaram evidentes. O Remo deu espaços pelos lados do campo e sofreu com a velocidade dos atacantes atleticanos explorando as costas dos laterais. Parte dessas dificuldades passa diretamente pela forma como o time foi montado e organizado, responsabilidade que recai sobre o treinador.
A dualidade do trabalho de Osório voltou a aparecer, principalmente, no segundo tempo. O técnico acertou ao colocar Pikachu, que saiu do banco para marcar um dos gols e mudar o jogo, mas também tomou decisões que dividiram opiniões, como a entrada do zagueiro Léo Andrade improvisado na lateral-esquerda no lugar de Sávio, mesmo havendo um lateral de origem, Cufré, como opção.
Após a partida, o próprio treinador explicou a escolha e justificou que pensou no aspecto defensivo, especialmente nas bolas paradas:
– Porque tínhamos que defender melhor as jogadas de bola parada. Considero que com Kayky, Léo Andrade, Marllon e João teríamos mais capacidade para defender a bola parada– afirmou Osório.
Na prática, porém, a mudança não surtiu o efeito esperado. Léo Andrade teve dificuldades no setor, o lado esquerdo ficou mais vulnerável e o Remo perdeu parte da força ofensiva que vinha construindo com Sávio. O episódio reforçou a percepção de que, muitas vezes, o treinador cria problemas para si mesmo ao tentar soluções excessivamente estratégicas.
Aos 53 min do 2º tempo – gol de dentro da área de Dudu do Atlético-MG contra o Remo
Além disso, Osório disse em coletiva que o Remo defendeu bem, porém o Atlético-MG finalizou 18 vezes durante a partida, exigindo cinco defesas de Marcelo Rangel.
Esse contraste tem sido recorrente. Contra o Mirassol, por exemplo, o Remo caiu de rendimento justamente com as substituições promovidas. Em Belo Horizonte, o enredo foi parecido: boas ideias iniciais, leitura interessante da partida, porém alterações que acabaram comprometendo o desempenho coletivo.
Também é preciso algumas ponderações. Nem tudo pode ser colocado na conta do treinador. O elenco ainda apresenta limitações, o time está em processo de construção e falhas individuais pesam diretamente no resultado, como no gol de empate sofrido no último lance. Osório não entra em campo e não é responsável por erros técnicos dos atletas.
Juan Carlos Osório foi apresentado como novo técnico do Remo para 2026
Raul Martins / Remo
Ainda assim, permanece a sensação de que o Remo poderia ter saído com algo a mais da Arena MRV. O colombiano demonstra capacidade de organizar a equipe e fazê-la competir em alto nível, mas muitas vezes parece se complicar sozinho com escolhas que geram instabilidade.
O 3 a 3 diante do Atlético-MG reforça exatamente esse momento paradoxal do Leão: um time que evolui, que teve poder de reação, mas que ainda oscila dentro das próprias decisões do comando técnico. Entre acertos importantes e equívocos pontuais, o desafio de Osório segue sendo transformar boas ideias em resultados mais consistentes e, principalmente, em vitórias. geRead More


