Zelensky acusa COI de “apoio” à Rússia após a desclassificação de ucraniano
Presidente do COI explica desclassificação do atleta Ucraniano
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky fez duras críticas ao Comitê Olímpico Internacional após a declassificação de Vladyslav Heraskevych. O atleta de skeleton sofreu a punição por usar um capacete em homenagem às pessoas que morreram durante a invasão de seu país pela Rússia.
— Esporte não significa indiferença, e o movimento olímpico deveria ajudar a parar guerras, não apoiar o agressor. Infelizmente, a decisão do Comitê Olímpico Internacional de desqualificar o atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych é extremamente negativa. Isso certamente não está de acordo com os princípios básicos dos Jogos Olímpicos, que se baseiam na justiça e no apoio à paz — escreveu Zelensky no Telegram.
Vladyslav Heraskevych skeleton capacete Guerra Ucrânia
Athit Perawongmetha/Reuters
O atleta ucraniano de skeleton participaria da competição nesta quinta-feira, mas foi impedido pelo COI de utilizar o capacete com fotos de atletas que morreram durante a invasão russa ao seu país natal. A entidade argumentou que ele descumpriu as “Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas”
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Antes de Heraskevych ser desclassificado, integrantes do COI deram outras alternativas para ele se manifestar após a prova, mas as partes não chegaram a uma solução que ficasse dentro das regras da competição.
— A decisão foi tomada após sua recusa em cumprir as Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas. Ela foi adotada pelo júri da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF), com base no fato de que o capacete que ele pretendia usar não estava em conformidade com as regras — afirmou o COI em declaração.
Ucraniano utiliza capacete com homenagem aos mortos na guerra durante treinamento
Em seu perfil nas redes sociais, Heraskevych publicou uma foto vestindo o capacete com a seguinte legenda: “Este é o preço da nossa dignidade”. O atleta destacou, também, que nunca teve intenção se indispor com o COI.
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— Eu nunca quis um escândalo com o COI, e não fui eu quem o criou. O COI o criou com sua interpretação das regras, que muitos consideram discriminatória. Embora esse escândalo tenha possibilitado falar em voz alta sobre os atletas ucranianos que foram mortos, ao mesmo tempo o próprio fato do escândalo desvia uma enorme quantidade de atenção das competições em si e dos atletas que estão participando delas — afirmou Heraskevych.
Pai e treinador do ucraniano reage após ser desclassificado
REUTERS/Athit Perawongmetha
Entenda o caso
O atleta ucraniano de skeleton, Vladyslav Heraskevych, acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de “traição” após a entidade proibir seu capacete com homenagem a mortos na guerra contra a Rússia. Porta-bandeira da Ucrânia na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas de Inverno, Vladyslav usou o objeto com imagens de amigos mortos durante um treinamento oficial na última segunda-feira (10). Após a decisão do COI, o país apresentou junto ao atleta um recurso contra o veto.
— Uma decisão que simplesmente parte meu coração. A sensação é de que o COI está traindo aqueles atletas que fizeram parte do Movimento Olímpico, não permitindo que sejam homenageados na arena esportiva onde nunca mais poderão pisar — escreveu Vladyslav Heraskevych nas redes sociais após a proibição.
Entre as pessoas representadas no acessório de segurança estão o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto há dois anos, e o biatleta Yevhen Malyshev, que morreu no conflito em março de 2022. Segundo Vladyslav Heraskevych, de 26 anos, alguns dos homenageados eram seus amigos. O ucraniano também realizou uma manifestação pública contra a guerra nos Jogos de Pequim, quando levou uma placa com a frase: “Não à guerra na Ucrânia”.
Após a decisão do COI nesta terça-feira, a Ucrânia apresentou um recurso contra o veto. A federação do país argumentou que o atleta deveria ter permissão para usar o “capacete da memória”. No entanto, o recurso foi rapidamente rejeitado pela entidade, que alegou “violação das regras relativas à expressão política” da Carta Olímpica. geRead More


