“Xerife” do Juventude, Messias concilia o futebol aos estudos; conheça a história
Messias projeta confronto contra o Grêmio e a missão de marcar Carlos Vinícius
No reencontro entre Grêmio e Juventude, neste domingo, na Arena, pelas semifinais do Gauchão, o zagueiro Messias terá a missão de parar o artilheiro do Brasil, Carlos Vinicius. Invicto e com a melhor defesa do estadual, o time da Serra busca a revanche da semifinal de 2025, vencida pelo Grêmio nos pênaltis, com gol polêmico no tempo normal.
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– Eu não estava aqui na semifinal do ano passado, mas sei o que aconteceu. É transformar essa dor e frustração em vontade de vencer para sairmos classificados – destacou Messias em entrevista ao ge.
– Sabemos da qualidade do Carlos Vinicius e estamos estudando os movimentos e estilo de jogo. Espero que possamos anular o ataque deles e sermos felizes nas nossas investidas. Os tabus estão aí para serem quebrados – acrescentou.
Messias é o único zagueiro titular à disposição de Barbieri, depois da expulsão dos dois companheiros contra o São José e enfrentará o Grêmio pela primeira vez pelo Papo – não atuou na partida da fase de grupos.
Messias no clássico entre Juventude e Caxias
Fernando Alves/ EC Juventude
Há pouco mais de um mês em Caxias do Sul, o defensor se adaptou rápido ao esquema com três zagueiros aderido pelo comandante alviverde. O atleta encara com naturalidade o apelido de “xerife” da zaga, enquanto busca o primeiro gol pelo clube.
– É meu perfil desde sempre, tento transmitir essa seriedade e tranquilidade, até para acalmar meus companheiros no calor do jogo, se manterem equilibrados. (…) E o gol do Messias, papai do céu tá guardando pra hora certa.
Aluno nota 10
O perfil sério dentro de campo contrasta com o pai brincalhão e o mais novo universitário. Entre um treino e outro, Messias estuda os adversários e também a apostila do curso de Administração. Aos 31 anos, está longe da aposentadoria, mas já iniciou um planejamento pós-carreira.
O futebol não é uma profissão que você se aposenta com 70 anos, tem pelo menos mais uma metade de vida pra viver fora dos gramados.
– Muitas vezes o jogador de futebol se prepara após o encerramento da carreira e você perde tempo nessa preparação. Eu já quero chegar lá na frente pronto para fazer a minha escolha, seja no futebol ou no mundo corporativo. Claro, pretendo jogar mais alguns bons anos – contou o zagueiro, que está no terceiro semestre da graduação on-line.
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Messias explica decisão de começar a cursar Administração
Messias iniciou os estudos em Goiânia e conseguiu a transferência para Caxias do Sul, onde realiza as provas presenciais. A rotina de acadêmico é adaptada aos horários de treinos e aos jogos. Filho de professora, garante ser dedicado e tirar boas notas e usa esse momento para servir também de exemplo às três filhas.
– As coisas que eu conquistei, os clubes que eu joguei, foi devido a muita dedicação. No pós-carreira, quero que elas vejam que o pai está em outra profissão, mas se dedica da mesma maneira, para que saibam que não se conquista nada de mão beijada.
Início de carreira
Até chegar ao futebol profissional do América-MG, em 2013, Messias lidou com quatro reprovações e uma dispensa do Cruzeiro. Natural de São Mateus-ES, fez toda a base na cidade natal, tentou peneiras no Rio de Janeiro e na Bahia, até ser aprovado na Raposa, aos 17 anos.
– Fiquei ali cerca de um ano e fui dispensado, mas sempre falo que você não perde nada por ser uma boa pessoa. Pois, mesmo treinando no América, os responsáveis do Cruzeiro me deixaram dormir no clube alguns dias, até vagar o alojamento.
Messias em treino do América-MG, em 2016
Divulgação/AFC
Foram seis anos no América-MG e um ano e meio em Portugal. De volta ao Brasil, passou por Ceará, Santos e Goiás, até chegar ao Juventude, onde tem contrato até 2027. Para os torcedores alviverdes mais supersticiosos, Messias participou de três acessos à Série A pelo Coelho e quer repetir o feito outra vez em 2026.
O gosto por “pelear”
O perfil brigador e o gosto por duelos mais físicos, facilitaram a adaptação de Messias ao futebol gaúcho. Na avaliação do zagueiro, as características também serão importantes na disputa da Série B, principal torneio do calendário alviverde.
– Cada série do brasileiro tem suas peculiaridades. A Série B tem jogos de muita imposição física, guerreados, então espero poder passar a experiência que tenho na competição para os meus companheiros.
Messias foi apresentado pelo Juventude em janeiro
Fernando Alves/ EC Juventude
E nesse sentido, Messias já adicionou ao vocabulário uma expressão bem gaúcha: pelear, que diz respeito a batalhar com coragem e persistência. O termo chamou atenção do zagueiro na chegada ao Alfredo Jaconi, no dia da apresentação.
– No túnel está escrito “me gusta pelear” e depois que descobri o significado, vi que era pra mim, pois eu gosto dessa luta.
Da linguagem a culinária, o zagueiro também já provou o sagu, tradicional sobremesa de vinho e o chimarrão, mas disse faltar a experiência de almoçar em uma boa churrascaria. O pouco tempo livre tem sido dedicado a graduação, além de ensinar a filha mais velha a andar de bicicleta e a brincar com as menores de panelinha. geRead More


