Chefes militares europeus defendem rearmamento contra a Rússia
Forças Armadas da Alemanha têm orçamento recorde em 2026 diante de tensão geopolítica crescente na Europa.
Alexander Welscher/dpa/picture alliance via DW
Os chefes das Forças Armadas da Alemanha e do Reino Unido defenderam o rearmamento da Europa frente à ameaça que a Rússia representa para o continente. Em artigo conjunto publicado no domingo (15), eles sugeriram o fim da era pós-Guerra Fria, conhecida por “dividendos da paz” e em que governos reduziram os gastos com defesa e segurança.
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O chefe das Forças Armadas da Alemanha, general Carsten Breuer, e o chefe do Estado-Maior de Defesa do Reino Unido, marechal do ar Sir Richard Knighton, disseram falar “como vozes de uma Europa que agora precisa confrontar verdades desconfortáveis sobre sua segurança”. Reino Unido e Alemanha são duas das maiores potências militares europeias.
Publicado nos jornais britânico “The Guardian” e alemão “Die Welt”, o artigo coincidiu com o fim da 62ª Conferência de Segurança de Munique, onde se reuniram líderes políticos e militares de dezenas de países.
Segundo Breuer e Knighton, a postura militar da Rússia “mudou decisivamente para o Ocidente”, com o país se rearmando e “se reorganizando de maneiras que podem aumentar o risco de conflito” com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
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Na conferência, a liderança da União Europeia (UE) também apontou para a renovação da estratégia de segurança regional, citando o “imperialismo” russo como uma ameaça para o Ocidente, para além das fronteiras da Ucrânia.
“Nós sabemos que as intenções de Moscou vão além do conflito atual. Mas a boa notícia é que a Europa é poderosa. A Otan é a aliança militar de maior sucesso na história e hoje, junta, o seu poderio militar permanece insuperado,” escreveram Breuer e Knighton. “Temos capacidades sofisticadas nos domínios terrestre, marítimo, aéreo e cibernético, além de dissuasão nuclear.”
Ufanismo contra o Kremlin
O tema da ameaça russa dominou a conferência em Munique, com diferentes painéis convocando europeus a coordenarem esforços. Os porta-vozes de um projeto de segurança reforçado têm recorrido ao ufanismo em antagonismo ao Kremlin, acusado pelos europeus de empreender uma guerra híbrida e atos de sabotagem contra a Europa.
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Yves Herman/Reuters/Alexander Kazakov/Pool/AFP
No evento, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, exaltou a identidade, as conquistas e o poder de atração do bloco. Já Breuer e Knighton afirmaram que, caso a Rússia perceba fraqueza ou desunião na Europa, “pode se sentir encorajada a expandir sua agressão”.
“Prontidão militar deve significar uma indústria de defesa forte,” escreveram, afirmando haver um componente “moral” no rearmamento. Uma iniciativa de segurança da UE deverá injetar 150 bilhões de euros para fortalecer o setor.
Kallas, por sua vez, identificou ainda a ampliação da UE como “o antídoto ao imperialismo russo”. Nove países do Leste Europeu que estiveram sob a esfera de influência da antiga União Soviética, incluindo a Ucrânia, são candidatos a ingressar no bloco.
Alemanha: Orçamento recorde para Defesa
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A invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, desencadeou uma reviravolta na política de segurança da Alemanha, que anteriormente se baseava na contenção militar.
O governo destinou um orçamento sem precedentes para as Forças Armadas neste ano, com mais de 108 bilhões de euros (R$ 670 bilhões) à disposição. O valor é financiado pelo orçamento federal corrente, num período de austeridade, e por fundos especiais para os quais o governo está contraindo empréstimos.
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, previu no ano passado que a Alemanha terá as Forças Armadas mais fortes da Europa. Por sua vez, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, afirmou temer que a Rússia possa ser capaz de lançar um ataque contra o território da Otan já em 2029.
Pela primeira vez, as Forças Armadas alemãs estão encomendando vários milhares de drones de combate, além de ter inaugurado a produção dos equipamentos junto com a Ucrânia. Na última sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebeu o primeiro drone de fabricação teuto-ucraniana, parte de uma iniciativa para abastecer seus soldados com 10 mil unidades por ano.
Conexão Londres-Bruxelas
A carta de Breuer e Knighton destacou os esforços da Alemanha para disponibilizar “financiamento essencialmente irrestrito para a defesa”, bem como a construção de fábricas de munição no Reino Unido.
Segundo os chefes militares, a Europa precisa de “infraestrutura resiliente, pesquisa e desenvolvimento em alta tecnologia por parte do setor privado e instituições nacionais preparadas para funcionar sob ameaças crescentes.”
Uma década após o Reino Unido ter deixado a UE, ambos vêm reforçando a abertura para aprofundar a cooperação em matéria de segurança. “O nosso futuro está mais ligado do que nunca,” disse, em Munique, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyern, afirmando que os dois lados “permanecerão sempre unidos.” O tom de união ecoou também no artigo publicado pelos líderes militares no domingo.g1 > Mundo Read More


