Torcedor de Carteirinha: Seu Dalter e o Inter-SM, uma paixão que se mantém há 890 meses
Torcedor de Carteirinha: Seu Dalter e Inter-SM uma paixão que se mantém há 890 meses
A série Torcedor de Carteirinha conta histórias de pessoas não apenas apaixonadas pelos clubes do Gauchão, mas que contribuem como sócios há longo tempo. Nesta e nas outras reportagens serão apresentados personagens que estão entre os associados mais antigos de cada equipe. No episódio de hoje, conheça a relação de Dalter Berleze com o Inter-SM.
Nos últimos 890 meses, Dalter Berleze não atrasou uma única vez a mensalidade de sócio do Inter-SM. Nem mesmo quando morou em outra cidade neste período de 74 anos. Se o cobrador não passa na sua casa, ele vai ao Estádio Presidente Vargas quitar a sua contribuição. Afinal, não deixa de ser a sua casa.
+ Confira a tabela completa do Gauchão
Com passos tímidos de uma criança, pisou pela primeira vez nas arquibancadas de madeira em 1951. Hoje, aos 81 anos, circula com naturalidade pelo pavilhão de concreto que ajudou a construir.
O responsável pelo encontro entre clube e menino foi um vizinho. Pai de duas meninas, não tinha com quem ir ao jogo. Tempos em que a combinação futebol e meninas causavam estranheza. Convidou o pequeno Dalter sob uma condição. O guri tinha de torcer pelo Rio Grandense, o rival da cidade. Mesmo inclinado para torcer pelo Inter, aceitou o convite.
– Eu já gostava de futebol. Escutava as rádios do Rio de Janeiro. Fui ao campo e nós ganhamos por 3 a 1. Eu me lembro de dois gols do Tarika – exalta.
Dalter Berleza ganhou essa camisa de zagueiro que fez fama na cidade.
Jeff Botega / Agencia RBS
A fase de dirigente
Sentado nas cadeiras que ajudou a comprar, Dalter segura uma camisa presenteada por Donga, jogador que ajudou a trazer. Policial militar, foi a Livramento realizar um inquérito. Também tinha duas indicações de jogadores para contratar. O zagueiro Donga, do 14 de julho, e o ponta-direita Sulei, do Grêmio Santanense.
O primeiro não queria trocar de cidade. Viveu dias infeliz em campo em Bagé e Pelotas. O segundo ficou contente com a oportunidade. Para Donga, Dalter deixou o dinheiro da passagem. Os trocados foram utilizados. O ônibus que Sulei pegou foi outro. Nesse meio tempo, foi comprado pelo Cruzeiro, de Porto Alegre.
— Não digo o melhor jogador, mas o Donga é o símbolo do Internacional como jogador.
Estádio Presidente Vargas é a segunda casa dele.
Jeff Botega / Agencia RBS
Isso eram os anos 1970. Período em que o Inter-SM ingressou na elite do Gauchão e que Dalter foi tesoureiro da obra de construção do pavilhão social.
– Éramos um grupo muito bacana. Tínhamos uma dedicação grande ao Internacional. Nós demos dinheiro para o clube, para ter ideia da nossa dedicação e da honorabilidade de todo o grupo que pertencia a essa comissão que ajudou a construir isso aqui. Quando nós terminamos, em 1975, sobrou um dinheiro e nós demos para o Internacional – revela.
Invasão ao estádio rival
Um pouco antes, Dalter capitaneou uma invasão. Organizou uma caravana para Cachoeira do Sul. Uma vitória sobre o São José colocaria de forma inédita o Inter-SM na primeira divisão gaúcha. Era 1968.
Berleza posa com orgulho na arquibancada.
Jeff Botega / Agencia RBS
Com a firmeza de quem não deixa dúvida sobre os números, ele relata que o comboio contou com 37 ônibus. Além de quatro vagões de trem e carros. A ida foi uma festa. A volta…
– Eu entendo que é recorde… Não mundial, mas com certeza recorde gaúcho. E eu ajudei a fazer isso. Mas o pior não está aí. Nós tomamos conta de Cachoeira e perdemos por 1 a 0 – lembra.
Ele contigua:
– Depois perdemos para o Rio Grandense 1 a 0. No último jogo, em Santana do Livramento, ganhamos por 2 a 0 e entramos na Primeira Divisão. Sofrido.
Foram tantas viagens a bordo do seu Ford… A CBF registra 71 estádios no Rio Grande do Sul. Aqueles que Dalter não conhece é porque o Inter lá não jogou.
– Ah, o meu sentimento é do maior torcedor do clube, sem dúvida nenhuma. O único clube que eu torço. Claro, tenho uma certa tendência a torcer pelo Internacional de Porto Alegre. Mas 95% aqui e 5% lá. Então, é 95% essa camiseta aqui – emociona-se.
São 890 meses de compromisso. O resto virou história.
Cadeira 80 tem dono há muito tempo…
Jeff Botega / Agencia RBS geRead More


