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Prodígio santista trocou o futebol pelo tatame e coleciona títulos nacionais e internacionais no jiu-jitsu

Prodígio santista trocou o futebol pelo tatame e coleciona títulos nacionais e internacionais no jiu-jitsu

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Uma jornada que começou nos gramados terminou no tatame. Com apenas oito anos, o santista Murilo Guedes deixou as chuteiras de lado e vestiu o kimono para se transformar em uma das grandes promessas do jiu-jitsu brasileiro.
Dividido entre o jiu-jitsu com kimono (Gi) e sem kimono (No-Gi), o jovem atleta acumula títulos nacionais e internacionais e, recentemente, conquistou o vice-campeonato no Mundial de Jiu-Jitsu No-Gi.
Murilo Guedes desponta como uma das maiores promessas do jiu-jitsu brasileiro
Arquivo pessoal
Da chuteira ao kimono
Antes das medalhas e pódios, Murilo tentou seguir o caminho mais comum entre as crianças brasileiras: o futebol.
Mas não demorou para que ele e a família percebessem que a bola nos pés não era seu forte.
– Não conseguia nem chutar a bola direito. Cheguei a fazer vários outros esportes que não tinham nada a ver comigo – recorda Murilo.
Murilo Guedes após uma luta
Arquivo pessoal
A mudança veio após um chamado da escola, quando a direção sugeriu aos pais que o menino praticasse um esporte para ajudar na disciplina e canalizar a energia.
A ideia inicial era o judô, mas, ao chegar à academia, a família descobriu que a aula era, na verdade, de jiu-jitsu.
— Minha mãe disse que me colocaria no judô e fiquei muito feliz. Quando chegamos lá, meu pai percebeu que a aula era jiu-jitsu e não judô. Minha mãe olhou para ele e disse ‘já estamos aqui, vamos fazer’. A partir daí, me apaixonei pelo jiu-jitsu — lembra Murilo.
Evolução rápida
Com poucos meses de treino, o pai, Douglas, ex-praticante da modalidade, percebeu que o filho evoluía mais rápido que seus colegas de treino. Não demorou muito para que o garoto decidisse disputar a primeira competição.
Porém, nos dois primeiros campeonatos o nervosismo falou mais alto e Murilo sequer entrou no tatame.
– Ele mesmo decidiu competir, mas nos dois primeiros campeonatos ele não conseguiu entrar para lutar porque estava muito nervoso. Chorou e não quis entrar de jeito nenhum – relembra a mãe, Ingrid Guedes.
Murilo já acumula títulos nacionais e internacionais no jiu-jitsu
Arquivo pessoal
A virada veio após uma aposta com o pai durante um churrasco em família: se conseguisse subir no tatame, ganharia um presente.
– Um dia, em um churrasco de família, ele chegou para o pai e disse ‘Vamos fazer uma aposta? Se eu entrar, você vai me dar um presente.’ Ele não só entrou, como ganhou e não parou mais. Começou a ganhar um campeonato atrás do outro – conta a mãe.
O progresso acelerado exigiu algumas mudanças. A primeira academia era voltada ao público infantil, e Murilo rapidamente passou a enfrentar e vencer adversários mais experientes. Em pouco tempo o garoto precisou trocar o local de treinamento por conta da competitividade.
– Foi isso mesmo (sobre precisar trocar de academia). Faixa branca, 1º grau e já estava amassando os outros meninos – brincou o garoto.
Em apenas três anos de prática, o santista acumulou títulos nacionais e internacionais:
2 títulos brasileiros (Gi)
2 títulos paulistas (Gi)
2 títulos nacionais (Gi)
1 Pan-Americano
2 Sul-Americanos
1 Paulista (No-Gi)
1 Brasileiro (No-Gi)
1 Nacional (No-Gi)
Vice-campeão mundial (Gi)
3º lugar no Mundial (No-Gi)
Murilo conquistou o Campeonato Brasileiro duas vezes
Arquivo pessoal
Parceria dentro e fora do tatame
O talento do filho também transformou a rotina da família. Douglas, que havia abandonado o esporte, voltou aos treinos para acompanhar Murilo mais de perto. Hoje, os dois dividem o tatame diariamente.
— Eu falo que nós somos uma equipe, porque sempre estamos nós três juntos. Douglas voltou a treinar, depois de anos, para estudar, aprender tudo e ensinar o Murilo. Ele era faixa azul, mas voltou para faixa branca para treinar com o filho – conta Ingrid.
Douglas, pai de Murilo, voltou a treinar para acompanhar o filho
Arquivo pessoal
Apesar da rotina intensa de treinos e competições, Murilo vive a infância como qualquer criança. Prefere brincadeiras como pega-pega e esconde-esconde com os amigos, a ficar no celular.
Na escola, repete a disciplina demonstrada no esporte e mantém boas notas. Segundo a mãe, a organização familiar e os horários rígidos ajudam no equilíbrio entre estudos, treinos e descanso.
— Em casa nós temos uma disciplina que não falha de jeito nenhum. Temos horário para tudo. Seja na alimentação, escola, dever de casa ou televisão. Essa disciplina nos ajuda muito, fica até mais fácil – afirma a mãe.
Ingrid, Murilo e Douglas após mais um título
Arquivo pessoal
Rotina intensa e preparação constante
A energia que antes preocupava a escola hoje é canalizada na rotina de treinos. Além das aulas no tatame, Murilo também realiza preparação física específica para a idade, pensando no rendimento nas competições. A preparação é contínua e faz parte da rotina familiar.
— A preparação dele é diária. A rotina e a disciplina são primordiais, tanto que ele não sente quando está chegando próximo dos campeonatos. Para ele é mais um dia comum de alimentação e treino — explica Ingrid.
Além das aulas no tatame, Murilo também realiza preparação física específica
Arquivo pessoal
Apesar da pouca idade, Murilo demonstra maturidade dentro e fora do tatame. Para a mãe, o comportamento é reflexo da educação familiar e também da vivência no esporte.
— O Murilo foi muito programado. Nós estudamos muito sobre criação e estudamos até hoje, porque ter um filho é muito difícil. Nós nunca infantilizamos o Murilo, sempre lidamos com ele com maturidade e explicamos que tudo tem uma consequência, seja boa ou ruim — afirma Ingrid.
Murilo durante sessão de treinamento
Arquivo pessoal
Sonhos para o futuro
No início de fevereiro, Murilo disputou o Mundial No-Gi e terminou com a medalha de prata, resultado que encheu o jovem atleta de orgulho.
— Esse campeonato deixou o Murilo muito orgulhoso. Porque ele lutou muito bem e não ganhou por detalhe – afirma a mãe.
Murilo Guedes durante competição
Arquivo pessoal
O próprio Murilo também analisou o desempenho e já pensa na revanche com o atual campeão.
— A primeira luta é sempre a mais difícil, porque ainda não estou aquecido. No total, foram três lutas. A segunda eu fui bem e venci, mas acabei perdendo na final para um adversário muito forte. Mas eu ainda vou ganhar dele – disse Murilo.
Revanche que vem acompanhada do maior desejo de Murilo para este ano: conquistar o mundial da modalidade. Mesmo focado em todos os campeonatos, o garoto deixa claro a vontade de vencer o único título que ainda falta no currículo.
— Quero lutar todos os campeonatos possíveis. Quero ganhar medalha de ouro. Mas o mundial no final do ano é o que mais quero lutar.
Enquanto isso, Santos acompanha de perto o crescimento de um talento precoce que encontrou no tatame seu caminho, com uma maturidade e determinação muito além da idade.
Murilo sonha em se tornar campeão mundial de jiu-jitsu
Arquivo pessoal geRead More