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Perícia atesta integridade de áudio que revela esquema para venda ilegal de camarote no São Paulo

Perícia atesta integridade de áudio que revela esquema para venda ilegal de camarote no São Paulo

Áudio revela esquema de diretores do São Paulo para venda ilegal de camarote
Um grupo de conselheiros do São Paulo encomendou uma perícia para analisar a integridade do áudio da conversa entre Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado, que revelou um esquema ilegal de comercialização clandestina de ingressos para camarotes no Morumbis em dias de shows.
O áudio foi divulgado em reportagem do ge, no final de novembro, e desencadeou no afastamento de Schwartzmann, ex-diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos. O laudo concluiu que o arquivo é íntegro e não apresenta indícios de edição ou manipulação digital.
O documento será encaminhado à Comissão de Ética, que julgará os envolvidos na próxima semana.
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Diretores do São Paulo tinham esquema de venda ilegal de ingressos de camarote
Foram produzidos dois pareceres técnicos. O primeiro, elaborado pela perita fonoaudióloga Maria Inês Beltrati Cornacchioni Rehder, avaliou a qualidade e a integridade acústica do material, analisando fatores como saturação, ruídos, sobreposição de fala e relação sinal-ruído.
O segundo, de caráter tecnológico e assinado pelo perito judicial Adriano Miranda Vasconcellos de Jesus, examinou metadados e realizou análise espectrográfica para verificar eventuais indícios de adulteração digital.
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Em ambos, o resultado indicou a ausência de qualquer manipulação e confirmou a veracidade do áudio. Em um dos trechos, a perita Maria Inês Rehder afirma que “a transcrição acima mostra um discurso coerente e coeso, em termos linguísticos, entre três pessoas” e conclui que “o material está íntegro, sem sinais de qualquer tipo de manipulação”.
Já na análise de metadados, o perito classificou o material como íntegro, justificando que “o arquivo constitui uma peça de evidência fidedigna, representando um registro contínuo dos eventos sonoros, inexistindo indícios de manipulação, montagem ou pós-processamento digital destrutivo”.
Mara Casares está envolvida em investigação de comercialização clandestina de ingressos para camarote presidencial no Morumbis
Reprodução/Instagram
Relembre o caso
Em novembro, o ge divulgou um áudio que revelou um esquema de comercialização clandestina de camarotes do Morumbis em dias de shows. O caso envolve Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto da base do São Paulo, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do então presidente Julio Casares.
O material cita a utilização de um camarote no setor leste do estádio, identificado internamente como “sala presidencial”. Segundo o áudio, o direito de uso do espaço teria sido repassado por dirigentes a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária no esquema e terceira participante da conversa. Ela seria a responsável pela exploração do camarote, com ingressos vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil na apresentação da cantora colombiana. Apenas com o camarote 3A, o faturamento estimado foi de R$ 132 mil.
Em um dos trechos de maior repercussão, Douglas afirma:
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
Após a divulgação do áudio, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que cumpriu mandados de busca e apreensão. O desgaste político provocado pela denúncia culminou na aprovação do impeachment de Julio Casares pelo Conselho Deliberativo do clube. Casares renunciou à presidência antes da votação final, na Assembleia Geral dos sócios.
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Mara Casares e Douglas Schwartzmann serão julgados pela Comissão de Ética do São Paulo, formada por cinco membros, e podem sofrer sanções que incluem até a expulsão do quadro social.
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