Executivo destaca que Novorizontino “não caiu de paraquedas” na semi do Paulistão
Novorizontino vence o Santos e enfrenta o Corinthians no próximo sábado
Depois de brilhar na primeira fase e eliminar o Santos em casa no último domingo, o Novorizontino garantiu vaga na semifinal do Campeonato Paulista como o único representante do interior.
Para o executivo de futebol Edgard Montemor, a classificação é consequência direta de um trabalho estruturado e contínuo. O ge participou da entrevista com o dirigente na zona mista após a reunião dos semifinalistas na Federação Paulista de Futebol.
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Edgard Montemor, executivo de futebol do Novorizontino
Juan rodrigues / Novorizontino
Ao celebrar o momento histórico, o dirigente destacou que a campanha não é fruto do acaso e reforçou o merecimento da equipe.
– É um privilégio estar dentro de uma semifinal do Paulista, único representante do interior entre três gigantes, São Paulo, Palmeiras e Corinthians. E ver o Grêmio Novorizontino ainda ostentando a melhor campanha da primeira fase mostra que não caímos de paraquedas nessa semifinal. É uma equipe que, com certeza, vai continuar buscando algo mais na competição.
Edgard chegou em Novo Horizonte em novembro de 2025, após conquistar o acesso à Série B com o Náutico. No clube do interior paulista, participou de uma reformulação significativa do elenco. Após quase 20 atletas deixarem o grupo e praticamente o mesmo número chegou para a nova temporada.
Segundo ele, a mudança foi estratégica e necessária para dar nova dinâmica ao projeto.
– O trabalho do Novorizontino é de excelência já há um bom tempo. Não começou esse ano, não começou ano passado. É um time que investe não só em estrutura física, mas investe em pessoas, paga rigorosamente em dia seus salários, tudo que é combinado. Mesmo numa cidade pequena, no interior de São Paulo, a 400 quilômetros da capital, é um trabalho que merece ser olhado de perto.
– A reformulação do ano passado foi enorme. Saíram quase 20 atletas e chegaram quase o mesmo número de jogadores. Depois de um ciclo de dois, três anos mantendo uma base, entendeu-se que era melhor fazer essa oxigenação. O que a gente esperava era que esses atletas dessem liga e que a equipe funcionasse como equipe.
Além da organização esportiva, o gestor aponta a gestão financeira como um dos pilares do clube. Mesmo distante da capital e dos grandes centros, o Tigre construiu reputação de estabilidade.
– Eu não vou mentir que é difícil convencer um atleta a ir para o interior de São Paulo, mas o principal diferencial é o pagamento em dia. O jogador sabe que vai receber no dia certo, não é um dia a mais nem um dia a menos. Quando você liga para um atleta, ele busca informações. E todo mundo que joga lá, todo mundo que passa lá, quer continuar, quer ficar ou quer retornar.
Ele também destacou a infraestrutura e o nível dos profissionais que compõem o clube.
– A estrutura física daqui não deve nada a nenhum clube. Tive o privilégio de trabalhar em Vitória, Náutico e Portuguesa, e o Novorizontino não deve nada, pelo contrário, está acima de muitos deles. Um clube é feito de pessoas, e os profissionais que trabalham aqui são altamente capacitados.
Dentro de campo, a vitória por 2 a 1 sobre o Santos teve novamente o meia Rômulo como destaque. O jogador chegou ao quinto gol no campeonato e reforçou a parceria entre o Novorizontino e o Palmeiras. Para Edgard, o atleta tem qualidade para atuar em qualquer grande equipe.
– Nós e o Palmeiras somos parceiros, não só no Rômulo. Somos parceiros em vários jogadores de categoria de base, em troca de conversas sobre estrutura e processos internos dos clubes.
– Futebol o Rômulo tem. Ele tem qualidade, tem total capacidade de jogar no Palmeiras ou em qualquer outro clube. Ele está resgatando essa confiança, e eu tenho certeza que vai encerrar o ciclo dele aqui fazendo um ótimo Campeonato Paulista.
Rômulo comemora gol do Novorizontino contra o Santos
Juan Rodrigues / Novorizontino
Antes da semifinal contra o Corinthians, o Tigre encara o Nacional-AM pela segunda fase da Copa do Brasil. A sequência de jogos, com compromissos em intervalo curto, evidencia o desafio do calendário para clubes fora do eixo principal.
– A gente sabe que o calendário não é igual para todos. Enquanto alguns clubes têm semanas cheias para treinar, outros estão jogando quarta e domingo o ano inteiro. A questão da televisão também pesa muito. A distribuição não é igual, e isso impacta diretamente na estrutura, no investimento e na competitividade.
– Quando você tem menos datas e menos exposição, naturalmente você arrecada menos e precisa ser mais criativo, mais eficiente na gestão. Mesmo assim, dentro da nossa realidade, a gente tem conseguido competir.
Mesmo reconhecendo o favoritismo do adversário na semifinal, Montemor reforça que o Novorizontino conquistou respeito dentro da competição.
– Eu particularmente acho que a equipe adversária é favorita, pelo elenco, pelos jogadores, pelo treinador que tem, pela história que tem. Tem um favoritismo, mas não acho que seja tão grande.
– A gente fez por merecer esse respeito, fez por merecer atenção. Quando você chega em uma semifinal de Campeonato Paulista, com a possibilidade de disputar uma final, isso só corrobora, só dá visibilidade. O trabalho já existe.
Ao comparar a realidade financeira com a dos gigantes da capital, o dirigente admite a diferença, mas projeta competitividade na Série B.
– Se for comparar com os nossos três adversários da semifinal, não tem comparação. É muito, muito, muito abaixo, por motivos óbvios. Comparando com os clubes da Série B que vamos disputar, eu creio que estaremos entre as cinco, seis ou sete maiores folhas de pagamento, num valor que permite continuar buscando o sonho do acesso.
Por fim, ele reafirmou a ambição do clube para os próximos anos.
– Eu tenho certeza que em breve o Novorizontino vai estar jogando uma Série A de Brasileiro. E quem sabe, jogando uma final de Campeonato Paulista – encerrou Edgard. geRead More


